A vida privada dos gays

mature_gay_privateCaros leitores dos Grisalhos, as férias terminaram e aqui estou escrevendo novamente no blog.  E começo esta nova etapa trazendo para discussão um tema interessante de como as pessoas imaginam que é a vida dos gays.

Outro dia numa conversa com um amigo ele diz-se surpreso quando um colega de trabalho perguntou se ele não tinha família.

Bem, talvez essa dúvida ocorra porque os gays optam por viver sozinhos e longe da família, mas nem todos excluem os familiares do seu cotidiano.

Eu mesmo já me vi pensando sobre isso, mas será que é importante? Com o passar dos anos, aqueles que optaram por morar sozinho e longe de parentes sabem que é melhor estar só do que viver sobre constante pressão. O mundo mudou bastante, mas a sociedade ainda é conservadora quando o assunto é a família.

Ao optar por morar sozinho a primeira coisa que sai da nossa vida são as cobranças familiares. Para alguns mesmo morando sozinho é possível estar regularmente com parentes, principalmente, pai, mãe e irmãos. Tudo é questão de afinidades, ou será de escolhas?

Ao olhar o meu passado e as escolhas que fiz, eu sabia que o distanciamento era inevitável e foi para o meu bem, porque poderia ter sido pior se eu optasse por ficar na casa dos meus pais.

Sair de casa e ir morar sozinho é uma oportunidade de crescimento pessoal e profissional. Cuidar das suas coisas sem ter que dar satisfação a ninguém, é o melhor dos mundos. Exceção àqueles que dependem da família. Existem gays que mesmo vivendo dentro do armário, preferem viver com seus familiares, outros não tem opção de escolha e vivem com pai e mãe até a morte de um deles ou ambos.

Essa percepção de que os gays não possuem família ocorre porque omitimos do nosso cotidiano as nossas relações afetivas. Vivemos num casulo e mesmo com um parceiro, procuramos disfarçar nossa relação. Observe a imagem deste post. É muito comum termos vida social com nossos pares e amigos gays e isso nós não divulgamos para familiares e colegas de trabalho e nem precisa divulgar.

No ambiente de trabalho silenciamos sobre o assunto e vivemos uma vida profissional onde a nossa vida privada não interessa a ninguém. Após anos de convivência social e profissional os colegas não conhecem nem cinco por cento de quem realmente somos, porque além de colocar a família à margem da nossa vida, também incluímos neste rol os nossos amigos gays, companheiros e colegas homossexuais.

Mesmo num mundo individualista, os seres humanos observam seus pares, na empresa, na rua, na faculdade, nas redes sociais…

Portanto, não é de se admirar que as pessoas tenham essa visão distorcida da nossa vida privada.

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Sobre Regis

58 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 07/07/2014, em Comportamento, Sociedade e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 8 Comentários.

  1. Engraçado é que na universidade onde estudo (sim, gay estuda) a maioria dos homens homo – visíveis – é afeminada. Porém, agem e vivem como se fossem pessoas desprovidas de orientação sexual e vida social, e, caso fossem másculos, diria que são héteros, de tão discretos (encubados) que são. Aqui em Aracaju é tudo muito arcaico. Sinto como se estivesse vivendo na década de noventa.

    Eu sou sozinho tanto por natureza quanto por ser homossexual. Acho que viado (gosto dessa palavra vulgar, mas, por respeito aos leitores e ao chato administrador do blog, vou postar homo) nasceu pra ser solitário, mesmo estando com alguém. O casamento entre os mesmos gêneros é algo muito novo e pouco comum ainda. Quem sabe no futuro mude, se a humanidade não se aniquilar até lá.

  2. edison gago

    Edmilson você nem deveria se preocupar com isso, pois você é um felizardo, apenas com 29 anos, o que deixa pra mim que já tenho 53, e também gosto de coroas, homens maduros, e lhe digo que é foi para mim a pior viagem, pois esses geralmente são bissexuais, portanto fazem questão de manter suas pseudos relações heterossexuais, compostas de filhos e netos, às vezes, que acabam só de nos fazer sofrer duplamente, pois fazem que nos apaixonemos por eles, acabamos ainda ficando com peninha da família deles, e até propriamente deles, mas mesmo assim ele preferem a família incompleta, e nós ficamos chupando literalmente o dedo, e quando nos demos conta, a nossa vida passou, e hoje já somos, como no meu caso um jovem ancião e não construímos nada, a não ser nos preocuparmos com o bem estar do próximo.

    Hoje eu me dou conta do quanto eu fui otário em ter permitido longos relacionamentos, vivendo de migalhas, que não me levaram a nada, pense bem, e não deixe que a sua vida também tome esse rumo, o tempo não perdoa, e tudo passa muito depressa, quando vemos a aposentadoria está batendo a nossa porta, e temos que nos preparar para vivermos ela sozinhos, pois os nossos coroas de ontem, já morreram e/ou estão no final da linha.

    Procure um analista para se entender melhor, só assim você poderá se interessar por pessoas mais da sua idade e assim possam construir algo juntos, e viverem felizes com uma companhia na velhice, um conselho de quem está vivendo isso na pele, nos dias de hoje. Um abraço, de um amigo.

    • Edison, eu até entendo você. Mas não é bem assim. Muitos viados são casados com mulheres de quem gostam, tem filhos e sua vida familiar vai num ritmo normal, tanto quando uma vida possa ser normal…

      Se o hetero casado tem uma amante, ela pode cobrar e, as vezes, ele pode deixar a mulher pela outra. Mas se o viado casado gosta de mulher? E se ele tem não pseudo relações hetero, mas relações verdadeiras? Homens, não importa a orientação, gostam de variar (nem todos), querem mais de um ou uma amante durante suas vidas. E quando se relacionam com um homossexual é normal terem o mesmo comportamento que tem com as amantes mulheres. Só que o homossexual quer mesmo ter uma relação estável, mesmo que não seja para sempre, querem uma companhia na saúde e na doença, no dia a dia, na velhice. E se ele arranja, como você, uma relação que tem por natureza ser temporária, ocasional, de amante, não de parceiro, ele acaba sempre se ferindo.

      Bem, e nós viados casados? Infelizmente nem todos querem só relações “fast sex”, mas algo mais profundo, as vezes até nos apaixonamos. Pois saiba que também temos frustrações, quando queremos aprofundar algo, mas mantendo a vida dupla, somos rechaçados. Se o outro for casado, ele mesmo se retrai quando falamos de paixão e amor.

      Pois é. Parece que não é fácil mesmo para ninguém.

      • edison gago

        Sérgio não concordo com você, viado ao pé da letra não casa com mulher, quem costuma casar são os bissexuais, estes mesmo que procuram os ditos homossexuais assumidos, que damos a nossa cara a tapa, e vivemos numa profunda solidão, sendo procurados somente para servir de válvulas de escape das pseudo relações heterossexuais que ainda fazem questão de preservarem, isso porque não são machos suficiente para enfrentarem a realidade.

        Ainda bem que a globo ta mostrando isso a toda hora nas novelas que estão exibindo, para ver se de uma vez por todas deixem de ser hipócritas e larguem de vez o preconceito, eu pelo menos entendo assim, e vivo na pele todo esse drama, que para mim deixou de ser desde a muito tempo quando desde o início da minha vida, ainda criança, morando no interior do interior, nem por isso deixei que essa minha condição me atormentasse, desde cedo soltei a franga, enfrentei família, sociedade e os cambaos, não suporto gente em cima do muro, para mim, é 8 ou 80, consciência pura, e seja feliz.

        Sem usar ninguém de escudo, o importante é primeiramente se colocar no lugar do próximo, e amá-lo como a si mesmo, só assim seremos plenamente felizes. com Deus no coração e em paz, sem medo de ser feliz. Uma abraço a todos os simpatizantes do blog.

  3. Estava com saudade Seu Regis. Gostei do Post. bjs

  4. getulio silva

    No meu caso, convivo ate com minha ex-mulher que frequenta minha casa e com meus quatros filhos tambem, todos sabem que sou gay e tudo bem! Meu namorado tem amizade com todos… Respetarmos eles e o mesmo acontece no oposto. Viver isolado é muito ruim, precisamos nos aceitar e depois aos outros.

  5. Venho acompanhando este site a muito tempo, pois apesar de meus 29 anos de idade, gosto de homens coroas (idosos), um atração pouco compreendida pelos meus amigos. Além do mais, me interessar ver artigos que não sejam somente pornográfico, mas assuntos relativos a homossexualidade e a velhice. Alguns assuntos, apesar de minha pouca idade, acabam por se mostrar como carapuça para mim – pois vivo exatamente como o que é dito no artigo.

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