Sexo casual entre gays

a_grisalhos_peludos3No balanço geral de 2013, na questão das relações entre pessoas, eu cheguei à conclusão de que a forma como os gays se relacionam mudou radicalmente. Vou tentar explicar:

Com o advento da Internet, observo que o acesso ficou muito mais simples e fácil entre pessoas de outras cidades, estados, países. A web vem revolucionando a maneira das pessoas obterem informações sobre tudo e todos. Acontece que com a internet, as redes sociais estão propiciando formas muito particulares de relacionamentos. A propósito, as pessoas estão sofrendo uma verdadeira transformação decorrente dos chats, do Facebook e dos sites que promovem outras reflexões e reformula condutas e posicionamentos diante do amor e do sexo.

Na Internet até o mais tímido torna-se o garanhão, o recatado o mais pervertido, pois a fantasia é o elemento principal que sustenta os vínculos virtuais. Essa mesma fantasia estimula o imaginário e abre um leque para os desejos acontecerem.

Neste cenário eu posso afirmar que o amor romântico se rende aos imediatismos do prazer, pois até os gays maduros e idosos entraram nessa onda virtual.

O número de gays mais velhos nas salas de chat é algo que não dá para expressar em números. Aqueles mais avançados e identificados com as tecnologias buscam ferramentas ou aplicativos para Smartphone que ajudam encontrar homossexuais para o sexo casual. Esse comportamento é apenas um exemplos das transformações na maneira de expressar e formular os relacionamentos afetivos e sexuais.

sexo_Casual_grisalhosEm setembro eu fiquei sabendo de um fim de relacionamento de casal que estava junto havia dez anos e o motivo foi a tecnologia associada ao anonimato do parceiro que traiu seu companheiro usando um software de busca de parceiros.

Isso me fez lembrar a voracidade sexual dos meus dezoito anos, quando eu me deleitava e até lambia os dedos tal a facilidade de encontrar parceiros para o sexo, face à minha juventude.

Agora em novembro eu fiquei sabendo de um amigo que buscou um parceiro na Internet e encontrou um amigo de anos que buscava a mesma coisa. Moral da história: saíram e transaram, mas parou por aí e cada um seguiu a sua vida.

Há na Internet ou na vida das pessoas uma nova ressonância sexual. O amor romântico sai de cena e dá lugar à voracidade sexual, sem demora e com certezas.

Hoje a conversa é desnecessária, ninguém quer saber se você está bem ou não, pois o que importa é saber se a pessoa aceita ou não sair para transar. Os desejos são expostos facilmente e o clima erótico se constitui sem perda de tempo.

Os gays de norte a sul do Brasil sentem-se potencialmente sexualizados e rompem com a vergonha ou o recato sem nenhum pudor.

Um exemplo recente é o caso do Olívio, o personagem que ilustrou o post “os grisalhos e as frutas“. Numa semana eu recebi mais de cinquenta e-mails pedindo o telefone ou e-mail para contato, pois acharam um tesão de homem e queriam transar, nada mais.

O mundo moderno não é mais ficção. O sexo casual substitui o sexo sem compromisso. Essa casualidade consiste em não criar expectativas no outro e se isentar de sentimentos de posse ou exclusividade.

sexo_casual_grisalhos

Os gays buscam a sua própria satisfação. O prazer está sempre em evidência e o outro é entendido como instrumento para alcançar o orgasmo.

Quantos de vocês já se envolveram e depois de um mês ou nem isso, a relação terminou, não deu certo?

Talvez a resposta seja porque a casualidade é sustentada em respeito, a amizade segue seu curso, mas o envolvimento emocional não é a tônica dos encontros entre gays.

Essa revolução não é diferente da revolução sexual dos anos 60. Naqueles tempos as paqueras e encontros sexuais sofreram influencia do telefone e dos carros; cinquenta anos depois a Internet chegou para amplificar as relações entre as pessoas. A promiscuidade ganha outra conotação e é um estilo de vida mais aceito.

Diante deste contexto o amor romântico perdeu força e sucumbiu às necessidades do desejo livre e desimpedido.

A busca exclusiva por satisfação, prazer e sexo também tem efeito colateral em longo prazo: a solidão. Não a solidão da velhice, mas a solidão da alma.

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Sobre Regis

57 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 16/12/2013, em Comportamento, Internet, Sexo e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 15 Comentários.

  1. Josue Martins

    infelismente essa é a verdade, entrei em alguns sites e as perguntas eram sempre as mesmas
    tem skipe, web can foto pelado
    e fui desanimando, tenho 21 anos porem de boa familia, gosto de coisas serias, relacionamento serio
    mas como é dificil encontrar um coroa, e mais dificil ainda encontrar um coroa que queira algo serio !
    quero alguem pra chamar de meu rsrs

  2. E interessante que, em geral, as pessoas aqui são “assumidas”. Quer dizer, só se relacionam com homens. Só que tem uma multidão, incalculavel, que nem pensa em ir as paradas gays ou lugares obviamente gays. Muitos são, como eu, casados. E bem casados. Sei que muito não entendem como alguem que gosta muito de homem pode ser casado com uma mulher e gostar disto. Por que teriamos que sempre ter só um lado sexual. Respeito, e muito, aqueles que são homossexuais publicamente. Mas se você quer ter, ao mesmo tempo, uma relação com uma mulher estável, e acho isto importante, é claro que só nos resta o sexo casual com homens, de maneira discreta.

    Tem alguns, na verdade muitos, que nem pensam em se relacionar com mulher. Mas acham que suas vidas seriam mais difíceis se fossem publicamente homossexuais. Também estes, muitas vezes, procuram sexo casual tão sómente, para evitar coisas do itpo o cara querer algo como relação estável, sendo o cara um homossexual publico. Em geral, percebo que estes discretos, mesmo quando tem amantes fixos, preferem ou um casado ou alguem também discreto.

    Homens são diferentes de mulheres, entre outras coisas por não serem muito monogamicos, gostarem de promiscuidade. Daí ser tão comum sexo casual entre homossexuais. Esta é uma das vantagens em ser homossexual, ter muito e variado sexo.

    Mas temos mesmo que respeitar os discretos. Não pensem que eles vão ter comportamento homofobico para disfarçar. Os resolvidos, pelo menos, vão ser firmes nos direitos dos gay sem necessariamente se assumirem como tal

  3. Francisco Airton Duarte

    Muito legal essa matéria.Parabéns.

  4. Gostei muito do post, especialmente das imagens! hehehe
    Eu já tive muitos encontros casuais marcados pela internet, alguns foram bons, outros ruins, mas um foi o grande amor da minha vida e eu nunca vou esquecê-lo!!!

  5. de fato a Internet esta ai e cada um acessa da maneira que acha correto, talvez pessoas que vivem distantes das capitais ate a usem para encontros fortuitos, mas aqui em são Paulo, quem quiser sexo de verdade, e tiver ou seja e não tiver barreiras ou senso, é só entrar num desses cinemas que pululam aqui no Centro, Arouche, D. Jose, República e outros piores … Gostaria que você escrevesse algo a Respeito desses cinemas de pegação, admito nunca ter entrado em nenhum deles por medo … medo de verdade, talvez de gostar e rolar escada abaixo …… ou me infestar de qualquer coisa menos boa, porque embora nunca tenha ido, tenho amigos que são assíduos frequentadores e me contam coisas do arco da velha,,, Não é que eu não goste de sacanagem, longe disso, talvez e por gostar que não me aventuro, morrer de doenças infecto contagiosas nessas alturas do campeonato não teria cabimento. Mas não condeno ninguém que se utiliza deste expediente … E ai, fale-nos de sua visão a respeito?,

    • Moshe Ali
      Todas as minhas considerações a respeito do assunto estão no post: gays maduros e a pegação em cinemas. Ele está sempre na lista de posts mais lidos do blog.

  6. Socorro!!!! Quero o amor romântico! Olhar nos olhos!!!!

  7. A liquidez da modernidade, como diria o sociólogo Zygmunt Bauman.

    Por isso não acredito em relacionamentos mais, acho uma falácia. Eu curto coroas e sei que para encontrá-los terei que achá-los na net, assim, vários pontos negativas já são postos na mesa encontrando alguém virtualmente. Acham mesmo que um encontro virtual pode gerar um relacionamento sério?? Os dois que namorei, encontrei na net, um era casado com mulher; outro com homem, acha que durou ??

    Enfim, não sei se sou pessimista ou realista demais em ver que os relacionamentos não existem mais, existe sexo casual, você conhece, trepa e descarta igual uma lata de refrigerante vazia, logo, somos todos verdadeiros lixos humanos.

    • Seus comentários são pertinentes ao tema abordado neste post.

      Abraços*****

      • Meu amigo f., descordo em gênero, grau e numero, peço que abrande o olhar critico do homem,,,, entenda somos apenas homens limitados e cheio de paixões, muitas vezes queremos algo que só existe no imaginário ou que para conquista-lo teríamos de nos modificarmos radicalmente…. Sabe, achamos que nossos insucessos são produto dos outros, e esquecemos que eventualmente possa ser falha nossa…falha no modo de ver, sentir ou até mesmo de avaliar… quando você disse logo somos lixos humanos, sei que o disse de forma a figurar uma situação pouco dignificante, mas na verdade o que ocorre neste mundo de meu D’us,, é que as pessoas que passaram por enormes reprimendas hoje estão se liberando de tal modo, que não é de fato uma maneira de melhor se viver… saímos dos armários anônimos e escuros, para a promiscuidade do sexo por sexo … cujo preço, a geração passada pagou com suas próprias vidas, DST, e as futuras talvez se estruturem para viver o equilibrio …. Todo mundo quer parceiro, é o que tenho observado, mas parceiro tem um custo, a vezes financeiro que é o menor deles, mas o moral, o social e o emocional, sabe meu amigo f., para se viver um relacionamento temos que abrir mão de parte do nosso eu, e aprender a dividir, isso é casamento. È auto anular-se para que dois some 1. abração.

    • Bom, moshe.ali, primeiramente, gostaria de dizer-lhe que respeito sua opinião e concordo em partes com algumas coisas. Todavia, eu nos meus 28 anos, creio que consegui desenvolver uma capacidade de percepção sobre as coisas – veja bem que não me vanglorio disso, somente estou explicitando – que, muitas vezes, me faz desanimar das pessoas e do mundo, visto que, nos dias hoje, parece que há uma veia para canalhice das pessoas, nos mais diversos sentidos; uma desonestidade que parece ser a coisa mais normal do mundo. Respeito não existe mais.

      Não creio em relacionamento, talvez, falta-me um pouco de experiência, não descarto essa lacuna, porém chegamos ao ponto que sexo fácil é mais prático e rápido e dá menos trabalho. Tudo se virtualizou. Na internet há coisas boas, se não fosse por ela, talvez eu nunca teria me aceitado viado. Mas, a meu ver, a cada ano que passa as coisas tendem mais a piorar do que melhorar.

      Você justificar que porque foram reprimidos e agora querem arrombar a porta do armário, acaba sendo paralelo com a mesma situação do tipo: porque é pobre, então, é legítimo roubar. Não concordo com esse tipo de pensamento, é querer justificar uma merda com outra, e isso, a mim, não passa de uma infantilidade e imaturidade perante as responsabilidade que cada um possui perante a si mesmo e aos outros.

      Eu, infelizmente, enxergo o mundo gay como sujo. Vão dizer que sou enrustido. Não, não sou, eu me aceito viado, apesar de não me sentir confortável no mundo gay, acho que meus gostos fogem um pouco de tal gueto, por assim dizer.

      Quando você diz de anular-se até concordo, pois, de fato, há uma grande necessidade de abrir mão de algumas coisas; mas creio que, no contemporâneo, isso se tornou mais intenso, pois o sistema capitalista torna-nos cada dia mais individualistas e egocêntricos ao ponto de acharmos que o mundo gira em torno do nosso umbigo, assim, a tendência é esse individualismo cru e nu que acaba impossibilitando-nos de abrir mão para um relacionamento.

      Como disse acima, tenho 28 anos e só sinto atração por coroas, e não tenho expectativa e nem esperança de encontrar um coroa para relacionamento, caso isso vir a acontecer um dia, novamente, já terei a certeza que o prazo de validade estará embutido, e que mais dia ou menos dia a liquidez do relacionamento vai diluir, como um pacote de suco tangue na água gelada, rs.

      A real é que acho o mundo uma merda: as pessoas, a sociedade, o sistema econômico e político, a falta de responsabilidade das pessoas perante a tudo e a todos, falta de respeito com os diferentes e também com as individualidades, a miséria, a fome, a canalhice das pessoas, as mazelas sociais etc etc etc . Acho que a lobotomia faria me bem, refletir demais dá nisso, você acaba enxergando que se esconde no abismo existencial e vê que nada tem saída, a não ser um desespero e uma angústia constante de ver como as coisas poderiam ser melhores para todos, mas que façamos tudo errado.
      Obs.: também me acho um merda, mas não tenho medo de assumir essa condição, pois acredito que o primeiro passo pra buscar uma certa dignidade ou mitigar a hipocrisia é aceitarmos nossos defeitos e dar a cara tapa em expô-los.

      “Ninguém é realmente digno de inveja, e tantos são dignos de lástima!”
      (Arthur Schopenhauer)

      Abraço a todos.

      • Só me resta concordar com vc f., vc não está sendo pessimista, somente realista, frente a toda essa degradação humana, principalmete ao chamado “mundo gay”, onde o culto a beleza e ao dinheiro que me dá nojo. E em relação aos relacionamento entre jovens e coroas é praticamente uma utopia, pois existe uma especie de desanimo, desconfiança, e falta de vontade por parte de muitos coroas.

      • L.Nascimento

        gostei!

      • Eu entendo você f. tenho 30 anos, sinto atração só por coroas. Tenho amigos gays que desde adolescência viviam de maneira muito promíscua isso é um fator (dentre outros) que me afasta de jovens, porém nunca cheguei a ter um relacionamento duradouro com um coroa porque também se portavam da mesma maneira que esses jovens, logo descobri que maturidade não tem haver com idade, quebrei minha cara algumas vezes!
        Também quebrei a cara por causa da internet, muitos coroas destes sites são casados, a internet possibilita um caminho para sua vida dupla, com isso o jovem amante é apenas um objeto de fuga para satisfação dos desejos sexuais reprimidos.

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