Os gays minimalistas

joshue_ryanContrariando todas as tendências de consumo, uma boa parcela dos gays maduros está buscando acima de tudo qualidade de vida, se possível com parceiros e amigos que compartilhem da mesma filosofia.

Aquela visão negativista de pensar que todo gay na velhice vai estar sozinho e abandonado está se transformando numa visão nova de que é possível envelhecer e não se preocupar com solidão e abandono, pois ninguém é tão doido de querer para si um futuro tão sombrio.

Simplificar a vida e se concentrar no mais importante é a essência do estilo de vida minimalista. Isso significa que muitos gays estão abrindo mão dos excessos, customizando a sua casa, usando poucas roupas, sem acumulo de objetos desnecessários, para ter tempo de fazer o que gosta e conviver com pessoas próximas e queridas – O momento nunca foi tão propício para isso como agora.

Isso não quer dizer que esses gays não têm dinheiro, muito pelo contrário, eles já têm a vida profissional e financeira resolvida. Justamente por terem tido acesso ao consumo, se frustraram e optaram por outro estilo de vida e buscam no simples a resposta ao cansaço do mundo dos excessos, das baladas, dos bares e da ferveção comum no meio gay.

As mudanças comportamentais são mais frequentes entre aqueles que conquistaram tudo o que podiam, mas não conseguiram conquistar o direito de fazer o que gostam porque são homossexuais.

Um amigo me confidenciou: “De que adianta acumular obras de arte, objetos de decoração, eletrodomésticos e eletrônicos de última geração, se a família está distante ou ausente, se os amigos se resumem a um ou outro e se o isolamento social é uma realidade?”.

É uma frustração e ao mesmo tempo uma experiência de desapego porque não se precisa de muito, o excesso sufoca. Quanto mais se acumula, menos tempo sobra para viver uma vida com qualidade. Também, o exercício de desapego passa a ser constante, depende muito do estado de espirito, porque os gays vivem altos e baixos e ainda têm que enfrentar o armário e as rejeições sociais.

Fazer o que gosta vai além da sexualidade, é algo pessoal e intransferível! “Não acumular e consumir de forma consciente” é um dos mantras do minimalismo dos gays que chegaram aos cinquenta anos. Eles questionam a necessidade de comprar certas coisas que vão suprir talvez carências afetivas ou preencher um momento de solidão. A maioria desses gays é criteriosa no consumo e avaliam se não é apenas desejo.

Outro fator que faz parte da cultura desses gays é a doação. Eles doam tudo o que não usam e se livram de objetos com facilidade. Não querem ficar presos a sentimentos de posse.

O estilo de vida também não se resume à economia de bens materiais. A ideia é simplificar tudo para ter menos com o que se preocupar e desfrutar melhor do que traz mais felicidade.

Na busca por esse objetivo, é comum aposentar o carro, ou ficar apenas com um, que costuma ser usado e não um 0 km. Procurar emprego mais perto de casa, mesmo se ganhe menos, optar por apartamentos menores, reduzindo despesas de manutenções – Tudo isso facilita o cotidiano e sobra tempo para fazer coisas prazerosas.

Também, mudam sua rotina e deixam de frequentar os templos do consumo. Buscam alimentação saudável, ter mais contato com a natureza e com os amigos, por isso gostam de viajar e levam pouca bagagem porque o essencial é fazer o que gosta e de uma forma simples.

Comportamentos dessa natureza estão alinhados com os novos tempos, pois fazer ouvir sua própria voz não é tão simples numa sociedade onde o capitalismo e o preconceito ainda prevalecem. Claro que este fato não é motivo para os gays minimalistas desanimarem ou desempenharem um papel de sofredores ou de vítimas, muito pelo contrário, eles não se sentem assim e acreditam que em matéria de qualidade de vida tem direitos iguais aos heterossexuais.

Os gays que aqui chamo de minimalistas querem transformar sua vida em algo que valha a pena, favorecendo-se, ampliando-se e libertando-se dos condicionamentos que os prendem – Eu, particularmente acredito que essas escolhas são conscientes e os gays são movidos pelas circunstancias.

Nota:

A ideia deste artigo surgiu após eu conhecer o site The Minimalists

Crédito da Imagem:

Joshua e Ryan

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Sobre Regis

57 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 24/10/2013, em Qualidade de Vida e marcado como . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Perfeito esse artigo. Resume muito do que penso sobre a vida.
    Eu, com meus 28 anos, já tenho a tendência ao minimalismo – o mínimo é sempre mais.
    Espero que muitos coroas abracem essa ideia do desapego. Desapegar-se é viver.

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