O gay e a Andorinha

o_amanteO fato aconteceu no final dos anos 70, na cidade de São Paulo. Joselito sempre gostou de homens mais velhos e tinha loucura por casados. Naquela manhã de segunda-feira, lá foi ele à procura de emprego nas agencias do centro da cidade quando esbarrou num senhor de meia idade, calvo e gordinho.

Cinco minutos depois, ele convencia o coroa para fazer um programa. Naqueles tempos era comum perguntar se o parceiro era ativo ou passivo e Joselito cortava para os dois lados. Ao fazer a clássica pergunta, o coroa mais que depressa se adiantou em dizer que só comia.

Joselito ficou louco, um fogo subiu entre suas pernas, ou melhor, entre as nádegas. Então quis saber o tamanho, se era grosso, se trepava de quatro, de bruços ou frango assado. O coroa não disse sim, nem não. Apenas afirmou que era ativo.

Após o acerto das preferências, o homem perguntou se ele tinha lugar. Joselito disse que não, pois morava com a mãe num bairro distante do centro. Sem alternativas, sugeriu irem para a sua casa, um modesto apartamento no bairro do Cambuci.

Uma hora depois já estavam numa sala estreita, com um sofá entre a parede e a televisão. Joselito era só tesão e foi agarrando o coroa. Procurou o pênis do homem e não achou nada. Ainda assim, foi tirando a roupa e agarrando o carequinha.

Entre beijos e chupões o coroa ficou pelado. Joselito viu o corpo lindo, peludo e com uma barriguinha ainda mais linda! Mas, ao olhar para o membro não conseguiu distingui-lo entre os pelos pubianos.

Bem, o pênis era pequeno, quase infantil, mas o homem insistiu que queria enrabar o Joselito. De quatro no sofá ele se esforçava para tentar colocar aquele pinto, ou melhor, aquele projeto de pinto no seu rabo.

Os gemidos foram interrompidos pelo barulho da chave entrando na fechadura da porta principal. O coroa ficou apavorado e disse: É minha mulher!

Joselito correu para o quarto. Da janela a rua parecia tão distante, mas ele não vacilou, subiu no batente de madeira, atravessou a janela e ficou pendurado na caixa do ar condicionado segurando-se num ferro lateral. Santa caixa de ar!

Apavorado ele olhou pra baixo e viu o mundo girar. Joselito tinha fobia de altura e foi amparado pelo coroa que insistiu para ele entrar. A situação só voltou ao normal quando ele sentou-se à beira da cama e perguntou o que tinha acontecido. O homem disse que era o zelador testando as novas chaves dos apartamentos.

Depois do susto Joselito não tinha mais clima para o sexo e queria ir embora, mas naquele momento era o coroa que estava em brasas e pediu para ser enrabado na cama.

Para não perder a viagem, Joselito deitou o homem de bruços e mandou ferro no velho que gemeu de prazer.  Depois, questionado sobre o papel de ativo, o coroa disse: qual homem resiste a um cacete como o seu?

Curioso Joselito perguntou: E a sua mulher? Ah, desculpe-me, sou viúvo!

 Notas biográficas:

Joselito Cabral era cearense e chegou com a família a São Paulo em 1974, em busca de oportunidades de trabalho e uma vida melhor. Trabalhou numa tecelagem em tarefas pesadas e nunca conseguiu concluir os estudos – Acredito que não chegou nem ao colegial.

Nós mantivemos amizade entre 1976 e 1985, quando ele foi morar no Rio de Janeiro – A última vez que o encontrei foi em Copacabana no réveillon de 2003.

Joselito era uma pessoa maravilhosa, de uma bondade sem igual, sempre alegre e com muitas histórias hilariantes para contar. Ele gostava de gordinhos e vivia se metendo em aventuras e confusão, se contadas daria um livro. Meses depois da aventura do Cambuci, ele entrou noutra ainda mais, como direi, excitante.

O homem tinha o mesmo biótipo do coroa do Cambuci, mas era surdo, mudo e trabalhava na administração de uma Escola Estadual no Bairro da Moóca. Qualquer dia eu conto pra vocês.

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Sobre Regis

58 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 22/10/2013, em Contos da cidade e marcado como . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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