Mundo corporativo e os gays assumidos

filadelfia_moviesEu abro este post com a imagem da capa do filme Fhiladelphia que nos anos 90 tratou das questões da homossexualidade e da AIDS no mundo corporativo.

De lá e até os dias atuais  os homossexuais estão em crescente evidência. As saídas do armário são cada vez mais comuns, e o bom momento para o público LGBT é inegável. Mesmo com o vento a favor, assumir a orientação sexual é um bom negócio?

Nem sempre, de acordo com experiências de gays que assumiram. O grande problema é a característica de cada empresa. A melhor maneira de não sentir-se discriminado é partir para um negócio próprio sem depender de patrões, mas nem sempre isso é possível.

Eu mesmo não assumo porque sei que os diretores e administradores da empresa onde trabalho são conservadores.

Tenho amigos homossexuais que não assumem com medo de perder o emprego porque estão numa fase da vida que não dá mais para recomeçar. Outro problema é a estagnação profissional porque quem assume mesmo numa empresa moderada e aberta não consegue ascender profissionalmente.

Aqueles que assumiram sofrem com o preconceito e se sentem constrangidos com insinuações de seus superiores. Ai, o melhor é procurar espaço noutra empresa porque não dá para voltar atrás na decisão de assumir.

Também, não dá para jogar tudo pro alto quando você já passou dos quarenta anos, então o melhor é manter-se submisso às normas da sua empresa e permanecer no armário.

Em 2011, uma pesquisa realizada com profissionais brasileiros de recursos humanos mostrou que 54% dos entrevistados acreditavam na existência – ainda que velada – de preconceito contra homossexuais nas organizações.

Sabe-se que a aceitação ou não da orientação sexual de seus funcionários depende da cultura de cada organização, ainda assim, os obstáculos são enormes, principalmente para cargos de direção, chefia e supervisão.

O preconceito é mais prevalente em seguimentos de mercado tradicionais como bancos e empresas familiares. Acontece, por exemplo, em profissões como o direito e vendas corporativas.

Há espaço para os gays assumidos em grandes empresas que não fazem distinções. As empresas que possuem políticas para coibir a discriminação caminham à frente das empresas brasileiras porque medidas para coibir o preconceito ainda são falhas. O segmento de serviços também acolhe boa parcela dos homossexuais assumidos.

Um amigo me disse: “As companhias ainda não saíram do armário”. Eu entendi essa frase como um processo de políticas internas nas empresas onde elas declaram publicamente suas opiniões e seus valores, com cartilhas, manuais de conduta e ações de comunicação e isso se consolidaria como um código de ética empresarial.

Apesar dos avanços quando colocamos a Lupa sobre o universo homossexual observamos as particularidades de cada grupo: travestis, transexuais, daddies, bears, entendidos e os gays comuns e sem afetação. Para cada grupo a realidade empresarial é diferente, pois são raros os casos de travesti trabalhando num escritório ou banco. Portanto, ainda estamos longe de poder assumir a homossexualidade, pois isso ainda gera conflitos com a carreira profissional de cada um.

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Sobre Regis

58 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 30/09/2013, em Comportamento, Mercado de trabalho e marcado como . Adicione o link aos favoritos. 5 Comentários.

  1. Se você ainda não se assumiu e quer compartilhar experiencias com outras pessoas na mesma situação conheça meu blog:

    http://seassumirounao.blogspot.com.br/

  2. Em toda a minha vida, sofri muito mais preconceito por ser bipolar do que por namorar homens.

  3. Infelizmente isso continua acontecendo e é muito mais comum do que se pensa. Esse preconceito não acontece somente se você é gay, mas também se você é pobre e negro, não importa a sua capacidade, você sempre fica relegado a um segundo plano.
    Na minha empresa teoricamente não há preconceito, mas sinto isso no dia a dia, quando pessoas menos qualificadas ganham muito mais, simplesmente por sua aparência. Existem poucos funcionários negros e os poucos que tem, sempre ficam estagnados.
    Concordo que depois dos quarenta tudo fica mais difícil, mas a saída é você encarar o trabalho apenas como o meio de sobrevivência e guardar seus momentos livres para o desenvolvimento de coisas que realmente são importantes.

  4. As vezes, tenho vontade de me assumir publicamente, mas pra que, não frequento lugares gays, nada contra. Dessa forma, não vejo vantagem, sei que vou sofrer com as provocações de terceiros.

    Outrossim, os “caras assumidos”, estão sempre enfatizando seus desejos sexuais (certas brincadeiras), e dependendo, até fazem questão de chocar quem não é minoria. No primeiro momento, é engraçado, porém, ao refletir sobre aquele individuo assumido e brincalhão, parte do pressuposto, que há uma carência de algo no “ar”, confundindo-se com um retardo (sem generalizar). Vejo, que o “problema” pode ou não estar na pessoa, ou então em mim, pois, tenho mania de analisar, observar e até tentar entender o outro, para me entender.

    Por fim, vejam como a razão fala mais alto.

  5. O problema no Brasil é que todo o preconceito (seja étnico, religioso, sexual, etc) é sempre velado. Nunca tive problemas quanto a isso. Graças a Deus. Mas acompanhei pessoas que tiveram, Um saco.

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