Arquivo mensal: setembro 2013

Mundo corporativo e os gays assumidos

filadelfia_moviesEu abro este post com a imagem da capa do filme Fhiladelphia que nos anos 90 tratou das questões da homossexualidade e da AIDS no mundo corporativo.

De lá e até os dias atuais  os homossexuais estão em crescente evidência. As saídas do armário são cada vez mais comuns, e o bom momento para o público LGBT é inegável. Mesmo com o vento a favor, assumir a orientação sexual é um bom negócio?

Nem sempre, de acordo com experiências de gays que assumiram. O grande problema é a característica de cada empresa. A melhor maneira de não sentir-se discriminado é partir para um negócio próprio sem depender de patrões, mas nem sempre isso é possível.

Eu mesmo não assumo porque sei que os diretores e administradores da empresa onde trabalho são conservadores.

Tenho amigos homossexuais que não assumem com medo de perder o emprego porque estão numa fase da vida que não dá mais para recomeçar. Outro problema é a estagnação profissional porque quem assume mesmo numa empresa moderada e aberta não consegue ascender profissionalmente.

Aqueles que assumiram sofrem com o preconceito e se sentem constrangidos com insinuações de seus superiores. Ai, o melhor é procurar espaço noutra empresa porque não dá para voltar atrás na decisão de assumir.

Também, não dá para jogar tudo pro alto quando você já passou dos quarenta anos, então o melhor é manter-se submisso às normas da sua empresa e permanecer no armário.

Em 2011, uma pesquisa realizada com profissionais brasileiros de recursos humanos mostrou que 54% dos entrevistados acreditavam na existência – ainda que velada – de preconceito contra homossexuais nas organizações.

Sabe-se que a aceitação ou não da orientação sexual de seus funcionários depende da cultura de cada organização, ainda assim, os obstáculos são enormes, principalmente para cargos de direção, chefia e supervisão.

O preconceito é mais prevalente em seguimentos de mercado tradicionais como bancos e empresas familiares. Acontece, por exemplo, em profissões como o direito e vendas corporativas.

Há espaço para os gays assumidos em grandes empresas que não fazem distinções. As empresas que possuem políticas para coibir a discriminação caminham à frente das empresas brasileiras porque medidas para coibir o preconceito ainda são falhas. O segmento de serviços também acolhe boa parcela dos homossexuais assumidos.

Um amigo me disse: “As companhias ainda não saíram do armário”. Eu entendi essa frase como um processo de políticas internas nas empresas onde elas declaram publicamente suas opiniões e seus valores, com cartilhas, manuais de conduta e ações de comunicação e isso se consolidaria como um código de ética empresarial.

Apesar dos avanços quando colocamos a Lupa sobre o universo homossexual observamos as particularidades de cada grupo: travestis, transexuais, daddies, bears, entendidos e os gays comuns e sem afetação. Para cada grupo a realidade empresarial é diferente, pois são raros os casos de travesti trabalhando num escritório ou banco. Portanto, ainda estamos longe de poder assumir a homossexualidade, pois isso ainda gera conflitos com a carreira profissional de cada um.

O coroa homossexual

coroa_homossexual_cavalieri1Apesar da palavra “coroa” ser bastante pejorativa, pois, de alguma forma conota velhice, o termo é usado por mulheres ou homens jovens, a homens e mulheres que tem idade superior à deles. No meio homossexual o termo também é bastante utilizado e por incrível que possa parecer os gays quando atingem a idade adulta estão se assumindo não como gays, mas como “coroas” e põem à prova a falsa ideia da velhice homossexual como sinônimo de decadência.

Eu já escrevi aqui no blog sobre a figura do coroa, um personagem de idade indefinida, apesar das marcas do envelhecimento, tais como: cabelos grisalhos, calvície e as rugas – Leia no final deste post.

O coroa parece representar certas diferenças e novas atitudes em relação ao tempo e ao envelhecimento e aderiu à geração saúde e ao consumismo para ser aceito na sociedade. Isso não é ruim, mas é necessário ter certos cuidados, porque uma vez homossexual sempre homossexual.

O gay maduro e sem afetação é confundido facilmente com um heterossexual. Um exemplo disso ocorreu com o Marinho. Ele não dá pinta que é gay e foi cantado por uma mulher de 45 anos. Ela ficou no pé dele durante muito tempo, até que ele não aguentou mais e num dos vários encontros, o Marinho abriu o jogo.

Moral da história: a mulher, indignada, para não ficar por baixo, descarregou toda a sua ira e chamou o Marinho de “bicha velha e enrustida”. Ele nem deu bolas, virou as costas e foi embora numa boa.

Quando eu soube dessa história, telefonei para o Marinho e perguntei como ele encarou a situação.

Querido, eu fiquei na minha porque eu sei que as pessoas pensam que ser homossexual maduro ou idoso é ser uma bicha afetada de cabelos coloridos e com poucos vínculos sociais. Hoje o coroa passa a imagem de um homem vistoso, com o charme dos cabelos grisalhos e que demostra disposição e sensualidade. Sem contar que os madurões e sem afetação conquistam espaços e buscam no lazer e na diversão, a igualdade que o mundo heterossexual não nos concede por sermos minoria.

O mundo moderno é individualista e você vale o que as pessoas enxergam de material, até a sexualidade ficou em segundo plano. Na verdade as pessoas querem status, carro, dinheiro e conquistas. Se você tem IPHONE, cultura, conhecimento e passa a imagem de um homem bem sucedido elas te aceitam no grupo.

Os coroas estão se cuidando e tem condições financeiras para isso. Eles são vaidosos com o vestuário, usam perfumes, hidratam a pele, cuidam dos cabelos e das unhas, frequentam academias para manter o corpo. O coroa gay é tanto ou mais metrosexual (*) quanto os heterossexuais.

Querido, ser coroa é um must e eu aproveito o momento e vivo intensamente esta fase da vida e você deveria fazer o mesmo. Mas cuidado! Não é porque você é aceito em certos grupos sociais que os seus integrantes serão tolerantes quando descobrirem suas preferências sexuais. A rejeição é imediata, principalmente se o grupo for composto por homens machistas ou mulheres recalcadas.

Enfim, a história do Marinho é comum entre os homossexuais maduros, mas são poucos que tem discernimento desse contexto social e de como os gays devem se posicionar quando há situações de conflito.

Nota:

(*) O metrossexual é um termo originado nos finais dos anos 1990, pela junção das palavras metropolitano e sexual, sendo uma gíria para um homem urbano excessivamente preocupado com a aparência, gastando grande parte do seu tempo e dinheiro em cosméticos, acessórios, roupas e tem suas condutas pautadas pela moda e as “tendências” de cada estação.

Foi usado pela primeira vez em 1994 pelo jornalista britânico Mark Simpson e foi aproveitado pelas revistas masculinas britânicas e norte-americanas para fazerem desta definição o seu público-alvo. Depois de a sua utilização ter decrescido nos Estados Unidos, o termo foi reintroduzido em 2000 a par da diminuição dos tabus relativos à cultura gay  e com a qual este termo era frequentemente confundido.

Leia também:

O coroa um personagem do mundo gay

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