O comportamento social dos gays idosos

gay_idoso_casado1O último post foi propositalmente escrito para provocar discussões – Leia os comentários 

Num determinado momento um repórter se aproximou e me pediu para conceder-lhe uma entrevista. Curioso, eu perguntei por que ele me escolheu e a resposta foi óbvia: “Está difícil encontrar pessoas mais velhas ou idosas neste movimento para colher opiniões”.

É óbvio que estava, ou melhor, está difícil encontrar gays mais velhos porque as posturas e o comportamento dos gays muda no decorrer da vida e aqueles que conquistaram o seu espaço não abrem mão de suas conquistas. Também, a maioria é da classe média branca, normativa, ou não?

Recentemente na página dos Grisalhos no Facebook um seguidor escreveu: não sei se por racismo, descuido, ou falta de oportunidade, vejo muito pouco gay negro, não falo do estereótipo erotizado, falo do homem gay negro comum, será que não há espaço pra ele? Repetimos o preconceito da classe média branca, normativa e racista?

Partindo desses argumentos volto a discutir no blog, o comportamento dos gays, maduros e idosos.

Eu já escrevi muita coisa sobre a questão comportamental dos gays idosos – Eles estão na zona de conforto vivendo em pequenos grupos e dentro do mesmo nível social. A mistura de classes ocorre apenas para o sexo eventual. Quem em sã consciência pensaria que gays maduros ou idosos da classe média sairiam às ruas para reivindicar ou apoiar alguma coisa nas manifestações recentes?

Os gays idosos dessa classe média saem sim, para viagens e entretenimento. Muitos na calada da noite correm para o ABC Bailão ou a Boite La Cueva no Rio de Janeiro em busca de prazer e diversão. Nada contra, mas é isso que eu vejo da janela do meu apartamento toda vez que estou em São Paulo.

Embora a maioria dos homossexuais tenha, de fato, uma vida sexual muito ativa, existe um grande número de gays que escolhem relações monogâmicas e desenvolvem relacionamentos estáveis e de longa duração. A necessidade de amar e ser amado, de criar vínculos afetivos e de compartilhar intimidade é igual para homo e heterossexuais. A dificuldade pode estar, muitas vezes, em concretizar e realizar esses desejos.

Quanto mais se envelhece, mais os gays buscam parceiros para relações estáveis, como uma forma de segurança na velhice. Eu nunca entendi essa busca, pois os gays viveram se jogando nos guetos do mundo gay, mas hoje eu entendo melhor essa dinâmica.

gay_idoso_casado

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Acesso à informação e Internet: 

Caro leitor, você imagina os gays idosos de classes sociais mais pobres e moradores das periferias das capitais ou cidades do interior acessando à Internet? Falta dinheiro até para fechar as contas do mês.

Eu navego nas redes sociais e percebo os gays maduros e idosos passando uma imagem de que eles estão bem, saudáveis, lindos e casados. Típico dos gays da classe média branca, normativa e moradores das capitais brasileiras do sul e sudeste.

Os gays idosos da classe média vivem bem, porque se ele está sozinho e tem dinheiro, ele pode buscar e bancar um parceiro para saciar os seus desejos – Muitos ainda não perderam a referência do gueto e a sauna é ponto de encontros e busca.

O gay idoso da classe média é conservador e faz amizades na sua faixa de nível social. Esse gay idoso tem acesso à Internet e às redes sociais, mantêm amizades virtuais, participa de bate papo nas salas de Chat e no mundo real leva uma vida boa e sem muitos problemas.

Os doentes são tratados adequadamente porque possuem planos de saúde e os sadios tem boa alimentação, frequentam academias, fazem caminhadas matinais e se dão ao luxo de frequentar psicanalistas.

Existe outra parcela de gays idosos, também, da classe média que mantêm relação estável com parceiros para que esses cuidem deles na velhice. Eu conheço pelo menos alguns casos. Nessas relações não existe sexo e a relação é aberta para permitir ao mais jovem poder usufruir a sua sexualidade com outros parceiros.

Outra situação comum são os idosos que financiam a família para não ficar isolados, pois não frequentam points. Isso é bem difuso, mas existe. Preferem a convivência familiar para fugir da solidão e optam por sublimar o sexo, mas estão sempre dando uma escapada para caçar parceiros.

Os gays das classes A e B criam um circulo fechado onde poucos têm acesso e não sabemos claramente como é o cotidiano dessas pessoas. Eu já identifiquei vários deles em espetáculos teatrais, shows internacionais ou passeando nas ruas de Nova York, Londres ou Paris. É o que eu chamo de “papi Money”, porque estão sempre acompanhados de jovens bonitos e sarados e obviamente financiados pelo papai.

Existem os gays (bissexuais?) idosos casados, com filhos e netos. Esses mantêm relações externas à família com homens solteiros e sem nenhum compromisso que não seja o sexo. Essas relações podem durar um mês ou vários anos e não os encontramos pelas ruas, pois buscam seus parceiros em cinemas e saunas.

Enfim, os gays idosos se comportam de acordo com o seu padrão social e econômico. Quem sou eu para criticar esses modelos comportamentais? Portanto, a invisibilidade é até natural porque cada um busca a sua realidade e condiciona-se ao melhor cenário para viver a sexualidade e a sua vida social de acordo com os seus anseios. As fobias sociais também contribuem para a invisibilidade –  leia post.

Veja a segunda imagem deste post e observe que na pesquisa IBOPE realizada em abril/2013, mais de 63% dos gays vivem sozinhos. Esse percentual aumenta na velhice, ou não?

É utópico falar em ONG para defender causas dos gays idosos porque somos predominantemente de direita. O terceiro milênio é tido como a era da solidariedade e não vejo gays sendo solidários, salvo raras exceções. A solidariedade entre gays era maior quando se vivia dentro dos guetos, entre as décadas de 1960 até 1990.

Um amigo tem uma frase interessante: Gays idosos se comportam de acordo com a maré – Enquanto alguns surfam as ondas e curtem as melhores praias, outros enfiam a cabeça na areia para não morrer de insolação.

Como diz o nosso leitor, poeta, escritor e colaborador dos Grisalhos, Paulo Azevedo Chaves: O gay idoso que tem algum dinheiro para viver dignamente não sofre tanto na velhice. Não é mesmo Paulo?

Leia também:

Sobre Regis

57 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 04/07/2013, em Comportamento e marcado como . Adicione o link aos favoritos. 11 Comentários.

  1. Este post, reflete a realidade dos gays idosos – em parte, porque o mundo gay se classifica por grupos de classes sociais econômica, como ricos, pobres, gays com nível de alta escolaridade, nível superior que, inclui médicos, advogados, políticos, celebridades. Todos os níveis que se possam imaginar, por isso este post gera discussão e mais do que isso, conflitos de ideias e opiniões. Esta é minha opinião. Dico, funcionário publico aposentado, 60 anos de idade.
    Agradeço a Deus pela minha cidadania que me permite ter acesso ao blog do nível do BLOG DOS GRISALHOS, abraço.

  2. Só sei que a maioria dos gays, sejam eles idosos ou não, sejam casados ou não, são nefastos. Fazem sexo aleatoriamente. Vivem em guetos físicos ou virtuais procurando sempre carne nova. Sexo sem compromisso quem faz são putas. Oras bolas, agem como tal, e se sentem ofendidos quando comparados. Muitos com transtornos globais que até poeminhas, ditados e provérbios escrevem em páginas para tentar amenizar sua condição suja. Só otário para acreditar mesmo. Não estão nem aí com o outro lado. Se a pessoa é sensível, com caráter, etc. O gay é visto como uma pessoa totalmente sem valores morais por causa destes lixos que vivem socados em guetos sujos procurando vítimas para seus desejos. Só isso! Não vão pensando que estes se tornam amigos, pois é pura mentira. Amigo para sexo, não é a mesma coisa que o amigo feito naturalmente, no bairro, na faculdade…É isso aí!

    • Brasilerim

      Infelizmente mais uma verdade, existe um grande numero desse tipo de gay.
      Esses como foram citados, de fato, não estão nem ai para o amor, tampouco para o respeito e a amizade.
      Queimam a moral e a imagem dos demais.

  3. Brasilerim

    Realmente , voce conseguil captar em detalhes a realidade gay , infelizmente é exatamente assim. Devido ao egoismo , preconceitos e fobias , muitos acabam sozinhos ou violados por se envolver com pessoas que “parece ser o par ideal”

  4. gostei da pagina

  5. Olá Régis, acompanho teu blog há muito tempo. Agora gostaria de te convidar para conhecer o que estou iniciando: erotikhom.blogspot.com.br
    Agradeço se colocar um link. Parabéns e um abraço

  6. Acho bastante estranha as críticas que vocês, do “Grisalhos” sempre fazem. Assim como o post anterior, que mostra vários equívocos nas suas análises. Vocês me parecem ótimos para enxergar uma situação e problemas, não apontam nenhuma solução.
    Lembro-me bem quando eu, depois de anos de luta, consegui um trio para gays idosos na Parada de Sampa, 2010. Na segunda sequinte, vocês fizeram todo um post, e nem de longe, nem foto alguma, citaram esse trio… estranho, né?
    No último post, vocês acusam e somente acusam gays jovens que foram lutar na praça Roosevelt, de preconceitos contra gays velhos, de só e somente glorificarem malhados e jovens e machos e acusam também de preconceitos contra afeminados. Em primeiro lugar, mesmo que isso realmente ocorra, tem dois fatos aí:Um, gays e LGBT’s estão inseridos dentro de um contexto social desde que nascem. Não foram os gays jovens que inventaram a ditadura da estética e o mito da juventude eterna, que, sim, traz muito sofrimento, mas existe desde que o mundo é mundo.
    Questionar isso como um todo e como mazelas de nossa sociedade, tudo bem, mas culpar os gays jovens por isso é um pouco demais. Afinal, eles estavam lá lutando. E os gays idosos? Estavam onde? Só reclamando, acusando e esperando atitudes paternalistas desses mesmos gays jovens para a solução dos problemas dos gays idosos?
    Se querem mudança em algo, vão para as ruas! E tem idosos gays fazendo coisas em prol dos envelhecentes LGBT’s, sim!!!
    Luiz Mott e o GGB – Grupo Gay da Bahia, que fazem e continuam fazendo palestras, criando grupos de discussão, participando e levantando bandeiras. Tem o Osmar Rezende, que em Belo Horizonte e junto com sua ONG Libertos, fez recentemente, todo um evento em Minas Gerais chamado “3ª Idade LGBT”, com palestrantes famosos e geriatras do Brasil todo. Vocês noticiaram aqui? Ou nem se informaram? Tem a Míriam Martinho, decana do Movimento Homossexual Brasileiro, que promove reuniões e discussões em Direitos com lésbicas idosas, tem Yone Ludgreen no Rio de Janeiro.
    E tem jovens gays – esses mesmos que vocês acusam de “condenarem idosos gays à invisibilidade” fazendo belos trabalhos de mestrado e pós, Tcc’s, sobre o Envelhecimento LGBT, já fui várias vezes procurado por estudantes da PUC, USP e Mackenzie… ou seja, esses mesmos gays jovens estavam lá na Praça Roosevelt.
    Tem o Christian Paiva, jovem e conceituado professor da Universidade Federal do Ceará, gay, com excelentes trabalhos sobre e tem a Anna Cruz de Araújo, jovem, da Universidade Federal do Pará. Basta uma busca no Google. E vários outros e outras… são jovens e estão jogando luz em cima do envelhecimento LGBT.
    Se querem visibilidade, se mostrem! Não fiquem cobrando, cobrar é fácil. João Silvério Trevisan, por exemplo, faz. Tem belos projetos sobre envelhecimento gay. Já foram conversar com ele? Em vez de reclamar ou só falar que tem gay idoso assim ou assado, sem propor solução e sem ir às ruas com as bandeiras do envelhecimento LGBT não adianta nada!
    Penso que este blog está muito mais focado no fetiche por gays idosos, sexualmente falando, que outra coisa. Tudo bem, ótimo, mas depois não venham com cobranças.
    Enfim, cada um/uma escolhe: Ou luta junto, ou transfere a culpa se nada muda.
    Ricardo Rocha Aguieiras

    • Ricardo
      Os seus comentários são coerentes e pertinentes, pois trazem a visão do militante diário dos movimentos LGBT. Isso contribui para que o blog dos grisalhos não tenha foco específico no fetiche por gays idosos.
      Nesses quatro anos e meio de existência colecionamos uma vasta e abrangente documentação sobre o universo dos gays e em especial dos gays maduros e idosos.

      O espaço é democrático e quando você puder colaborar com temas e textos tenha a certeza que estaremos abertos a recebê-los e publicá-los.
      abs
      Regis

  7. Sinto que isso tudo poderia mudar, pra melhor. Mas cada um é que conhece bem o cárcere que criou pra si mesmo. Enquanto isso…. aguardemos melhores marés…

  1. Pingback: O blog dos Grisalhos completou cinco anos | Grisalhos

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