Arquivo mensal: julho 2013

Os gays e o medo da velhice

jovem-velho_gayEncerro o mês de julho com mais um post sobre a velhice. Na verdade não existe velhice gay, existe a velhice comum a todos os mortais, mas para os homossexuais idosos a velhice é mais difícil por causa dos fatores inerentes à sexualidade.

Um leitor de Brasília/DF, diz que já não dorme tranquilo há algum tempo, pois vez ou outra, um pensamento terrível não lhe sai da cabeça:

O que vai acontecer comigo quando eu chegar ao status de idoso?

A cultura gay, em sua maior parte é centrada na juventude, certo? O jovem é belo, desejável, mas o que acontece quando chegar à velhice?

Espere: gays realmente não envelhecem? Sim, eles envelhecem.

Se você tiver a sorte e for capaz de planejar seus dias futuros, então o quê vai acontecer? Morar sozinho? É o que acontece com a maioria dos gays que eu conheço. Ir para um asilo? Possivelmente, mas, em seguida, você corre o risco de ter que voltar para o armário, porque você estará cercado diariamente por uma geração de pessoas que não tem preparo para trabalhar com homossexuais, principalmente, os idosos.

Apesar do que você ouve na imprensa, o casamento gay não vai resolver todos os seus problemas. Talvez, vai ajudar um pouco, mas não é solução para tudo.
Durante décadas, de acordo com estudos e relatórios publicados, muitos idosos LGBT entraram numa espécie de isolamento perigoso, porque a maioria não tem filhos ou família. Normalmente, o que se vê são parceiros ou amigos que podem auxiliá-lo na velhice.

Não se esqueça de que você será cada vez mais discriminado, abandonado e excluído.

Portanto, meu caro leitor, trate de guardar dinheiro e consolidar seu patrimônio, além de cuidar bem da “cabeça”, para não ter que enfrentar uma velhice indigna.

No mais, é curtir a vida enquanto a velhice não vem, mas curti-la com sabedoria. E quando a velhice chegar seja um aventureiro (no bom sentido) e deixe-se levar pelas emoções que a vida vai lhe proporcionar.

Eu, particularmente, sou adepto da ideologia da velhice bem sucedida, com responsabilidade individual de cada um, porque é a única maneira de combater a segregação, a discriminação e a exclusão social.

Um colega diz que eu levo jeito para fazer trabalho social para as comunidades LGBT de idosos – pensando nisso hoje eu criei uma página no Facebook – Aposentados LGBT. Vamos ver se conseguirei dar conta do recado e fazer atualizações regulares.

Leia outros artigos relacionados ao tema:

Sublimação sexual e emocional dos gays

ht_John_FolbyA falta de apetite sexual é popularmente chamada de falta de tesão.

Não ter vontade de fazer sexo, divide opiniões. Pode ser um problema de saúde, ou uma opção de cada um.

A falta de libido pode ocorrer por motivos como depressão, uso contínuo de antidepressivos, estresse ou baixa autoestima. A falta de apetite sexual pode surgir de diversos fatores e em todas as idades, principalmente no processo de envelhecimento.

Para os gays na melhor idade, a falta de apetite sexual pode ter origem nas frustrações com parceiros ao longo da vida, bem como, devido ao consumo excessivo de álcool e fumo. Os casos mais comuns tem origem nas disfunções sexuais, na obesidade e na depressão.

Você já ouviu falar sobre sublimação emocional?

Pois é, ela existe e é a ausência do desejo de apaixonar-se, gostar ou de amar. Isso é mais comum no meio gay do que imaginamos. Muitos gays bloqueiam suas emoções e não deixam aflorar os sentimentos ou não se permitem amar e ser amados.

Eu conheço gays que sublimam os sentimentos e isso não é um problema para eles – Amor e Sexo numa relação são muito raros. O sexo sem amor é o que mais tem por aí, também, amor sem sexo, chamado de amor platônico é comum na adolescência ou em situações onde não há reciprocidade de sentimentos ou a falta de interesse sexual de uma das partes.

Conheço um gay idoso que há sete anos ama um homem casado, mas nunca fez sexo com ele. Isso é doença, falta de amor próprio e autoestima. Um exemplo de amor platônico na fase adulta da vida.

Existem gays que convivem bem com a falta de amores em suas vidas, pois nem sempre se encontra o parceiro onde os sentimentos são recíprocos – Amar e ser amado é ainda mais raro – Um amigo diz que é como ganhar na loteria.

Os gays que perdem seus parceiros, por morte ou por fim de caso, tem dificuldades de relacionar-se afetivamente. Quando a situação é fim de caso, busca-se manter a amizade para não ficar sozinho e isolado.

Ninguém substitui ninguém nas relações e grande parcela dos gays não consegue se adaptar a novos parceiros, sublimando assim seus sentimentos.

Na adolescência eu conheci um gay maduro que se recusava a manter relações afetivas por conta de traumas vividos com um parceiro. Para ele o sexo era essencial e suas emoções ficaram trancadas no armário. Por ironia do destino ele envelheceu, adoeceu e morreu só (foi encontrado morto alguns dias depois) – Ninguém pensa que morrerá sozinho e abandonado, talvez pelo medo do sofrimento e a falta de amparo.

Os gays buscam parceiros, primeiro para o sexo e depois quem sabe uma relação mais completa, com envolvimento emocional. Quem não gosta de amar? Nem sempre isso é possível e o universo gay está repleto de histórias sem final feliz.

Outro dia eu li um artigo interessante de um sociólogo americano sobre os gays que na velhice vivem sozinhos, sem parceiros, sem sexo e sem amor.

“Na velhice os gays precisam encontrar amigos e abrir o coração. É preciso gostar de seus parceiros com amizade incondicional, não para uma relação emocional e sexual de casal, mas para se apoiar e sentir-se parte de uma família que há muito ficou pra trás”.

Na velhice, principalmente dos gays, o apoio de amigos que amam como amigo é mais importante do que qualquer outro tipo de sentimento.

Ter um parceiro para viver uma relação estável é um projeto ambicioso que não aceita meias verdades. Durante a vida entramos de cabeça num ou  vários projetos e todos findam.  Na velhice é preciso construir um projeto de relacionamento baseado na amizade porque são os verdadeiros amigos que farão a diferença no final.

Amigos não são amantes, portanto não causam frustrações e traumas comuns nas relações afetivas e sexuais, exceto algumas rusgas comuns entre amigos, mas nada que os separe definitivamente.

É importante saber identificar e escolher os verdadeiros amigos, porque no mundo gay até os amigos muitas vezes comportam-se como amantes.

Crédito da Imagem:

John Francis de 65 anos que adotou o seu companheiro de 73 anos como seu filho, para ter proteção financeira na velhice quando um deles morrer – leia a matéria AQUI

Leia também:

@@ A sublimação do sexo entre iguais

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