Os autômatos e a sociedade homossexual

automatos_homossexuaisPara entender este post é necessário saber o que é um Autômato – Aquele que não age nem pensa por conta própria. Mero repetidor de ações.

Num mundo em constante evolução tecnológica os automatismos entraram de tal forma nos nossos hábitos que muitas vezes não percebemos como nos facilitam a vida; estão presentes nas escadas rolantes, nas portas automáticas, nos caixas eletrônicos, nos elevadores, nos semáforos, no controle da iluminação, nos edifícios inteligentes, nas linhas de montagem das fábricas e, de uma maneira geral, nos computadores, smartphones e celulares.

O ser humano está cada vez mais dependente da automação e consequentemente o comportamento humano também se automatiza. É quase imperceptível, mas a mudança comportamental ocorre principalmente nas relações humanas.

No caso dos homossexuais não é diferente. Toda semana eu recebo e-mail com desabafos, inconformismos e reclamações sobre a dificuldade de encontrar um parceiro para uma relação sexual, senão, pelo menos para uma relação de amizade. Esses gays reclamam que marcam encontro via Internet e na hora H, ficam na mão.

O que pouca gente enxerga é que no século XXI, os seres humanos estão sendo condicionados em caixas, assim as relações humanas deixam de existir e prevalece o individualismo.

Os gays estão reduzindo-se a uma identidade conceitual em relação à sexualidade, portanto, não a vivenciam plenamente.

Outro dia eu li um artigo sobre o comportamento sexual entre os jovens americanos. Eles estão abdicando do sexo porque não se identificam com os padrões existentes: heterossexual, bissexual ou homossexual. Na melhor fase da vida quando poderiam experimentar o sexo na sua plenitude e definir-se num papel de gênero, os jovens estão se apaixonando por seu smartphone, computador ou outros autômatos e sentem prazer tocando ou masturbando-se com o seu celular enfiado no rabo ou na vagina. Caro leitor, isso é coisa de louco!

Os gays brasileiros através das redes sociais seguem uma onda universal da sublimação do sexo e não estão seguindo seus próprios instintos ou agindo por conta própria. Como eu escrevi no início do texto: são meros repetidores de ações. As redes sociais são boas se usadas com moderação e inteligência, mas não como condicionador de comportamentos que envolvam as relações humanas e a sexualidade.

Observe o que fazem as ONGs em defesa dos direitos dos gays. Elas estão apenas repetindo ações de outras ONGs. Quanto aos políticos nem se fala. Os poucos que nos representam e estão no poder repetem ações já indicadas no passado e lembram Gabeira ou Clodovil.

No presente temos liberdade, mas liberdade limitada, pois aqueles que a tem, não a usam plenamente. Os guetos homossexuais praticamente não existem mais. Se você entra num banheiro público para dar uma “olhada”, é vigiado por câmeras. As boates e bares também estão sob a mira das câmaras e sistemas de segurança. Na semana passada eu fiquei chocado ao ver na TV uma matéria sobre os cidadãos paulistanos. Eles são filmados ou fotografados pelo menos umas cinquenta vezes por dia.

Ainda sobre os guetos: muitos leitores reclamam que não se sentem confortáveis em frequentar uma boate ou bar gay. Isso ocorre porque estão condicionados em caixas individuais e quando precisam enfrentar a realidade, eles ficam acuados.

A Parada Gay é um exemplo de autômato. Um grande evento pasteurizado. A maioria dos participantes vai às paradas porque outros conhecidos dizem que é legal. Eles não agem por conta própria e vão porque a maioria vai estar lá.

A automação condiciona o individuo dentro de casa, isola, protege, mas tira o melhor, a liberdade. Aí quando o cidadão gay vai para a rua não sabe o que fazer, nem como abordar alguém num flerte ou numa paquera. Hoje os encontros são marcados por via eletrônica, redes sociais, Bluetooth ou via APP dos Smartphones e Tablets. Tudo isso condiciona os gays com repetições de padrões estabelecidos por software.

Eu já vi casais gays conversando e quando toca o telefone a primeira reação do atendente é se afastar do outro. Alguns nem pedem licença e abrem o flip do smartphone e largam o companheiro a ver navios.

Outra situação envolve os gays maduros e idosos. Hoje quem tem cinquenta anos ou mais está entrando na onda da automação, das redes, da comunicação online e está esquecendo-se das interações pessoais. A vida reprimida de outrora de rebelde e transgressor não existe mais. Os maduros e idosos estão quietinhos no seu canto e não querem mais saber de transgredir ou se rebelar. Talvez por isso, não são encontrados por outros gays que gostam dos mais velhos. Quem aderiu à automação está IN, quem não aderiu está OUT.

Eu não sou expert em sociologia, mas estou atento às mudanças que a automação provoca no comportamento das pessoas e principalmente nos gays – É o Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley.

Muitas vezes me questiono sobre os autômatos na minha vida. Eu mesmo me isolei do mundo gay, mas por opção e não por condicionamento ou automação. Tenho poucos amigos e muitos conhecidos e essa é a lógica das relações humanas.

Os gays estão inseridos nos diversos estratos sociais autômatos e tem uma relação infindável de contatos e quase nenhum real, de carne e osso. Enfim, eles podem estar no caminho certo, mas as transformações já são percebidas.

Quanto ao futuro, talvez os gays troquem o bom sexo com parceiros humanos por robôs que poderão ser escolhidos de acordo com as preferências de cada um e adquiridos em lojas especializadas ou nos Sexshop futuristas.

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A sexualidade virtual dos gays maduros

Sobre Regis

57 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 30/04/2013, em Comportamento, Internet e marcado como . Adicione o link aos favoritos. 4 Comentários.

  1. Ótimo post para refletir. Percebo sim que as paquera não existem mais. Vc entra no metrô e lá esta todo mundo brincando com seu celular. Ninguém mais se olha. ninguém mais se paquera, pois sabe que pode encontrar seu fictício par, facilmente, nas redes sociais (). Penso que eu não esteja preparado para esse novo mundo, ou melhor, nova forma de se relacionar.

  2. concordo com vc Wesley é apura verdade.

  3. Pois é, gostei do post, “uma pura realidade”. Não damos conta como a sociedade se transforma e nem o que queremos na nossa vida. Para muitos, esse modelo de sociedade autômato, como foi citada no post, é a conquista da liberdade, da integração. Como aqui mesmo nesse blog entre outros, a muito eu relato desse modelo de sociedade autômato: integração, liberdade de expressão, etc. Isso mesmo que estou fazendo aqui agora. Essa é a sociedade moderna neoliberal e democrática é assim que as pessoas querem, não temos com fugir desse modelo, porque reclamar das poucas conquistas. Antes não era assim, e seria ruim, porque agora é assim e continua ruim? Somos vigiados; se isolamos, por conta dos veiculo de comunicações; perdemos o contato, físico, enfim. Será um mundo Matriz? Cobramos a segurança; não vivemos sem os meios tecnológicos: Internet, smartphones , etc. Queremos assim, por que o reclama mais uma vez. Podemos associar esse comportamento com o “Fato Social” do E. Durkheim. Estamos criando um vazio em nossa vida de acordo a transformação da sociedade, por não estar preparado. E nunca, vamos estar preparados, podemos aprender a comportar-se como a transformação da sociedade.

  1. Pingback: Por que jogadores de futebol gays não saem do armário? | SCOMBROS

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