Homossexualidade no Brasil colonial

brasil_colonial_gay2Os homossexuais existem no Brasil desde a descoberta de tribos indígenas nativas, mas foram os nossos colonizadores portugueses que disseminaram algumas praticas no território brasileiro.

O sexo aflorava nas colônias. O que era proibido em Portugal era quase uma regra no Brasil. As índias, e depois os escravos, serviam para alimentar a sede de libertinagem que assolava a colônia. Neste cenário tinha a bigamia, o adultério, a homossexualidade e pasmem, até a zoofilia.

Os primeiros agentes das práticas homossexuais foram os jesuítas, posteriormente os degredados e padres de várias ordens e por fim os comerciantes portugueses. Há extensa documentação sobre práticas homossexuais do período colonial, justamente devido aos processos instaurados para puni-las.

Os Cadernos do crime Nefando, do Arquivo Nacional da Torre do Tombo em Portugal registravam em especial os casos de sodomia. E explica que o mais temido não era derramar o sêmen no chamado “vaso proibido”, ou no português bem claro, o cu, mas a preferencia sexual deveria ser erradicada já que promovia a destruição do casamento, pregava o livre prazer e impedia a procriação.

Também, não havia claro, um lugar específico para o sexo. O local com mais privacidade era o mato – Deve ser uma delícia transar no mato!

Há registros de que as igrejas eram palco de práticas sexuais. De fato, os padres acobertavam amantes, testemunhavam namoros proibidos e mais, eram contumazes em galantear mulheres casadas, moças incautas e homens jovens e bonitos.

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Fatos históricos:

Selecionei alguns fatos para complementar o tema.

Um caso conhecido dos historiadores é o do pernambucano Baltazar de Lomba que gostava de transar com índios. Foi flagrado por um rapaz que, intrigado com gemidos de homens, pôs-se a ouvir pela abertura da porta.

1547 – O primeiro gay degredado pelo Tribunal da Santa Inquisição portuguesa para o Brasil foi Estevão Redondo, um jovem criado de Lisboa;

1593 – Marcos Tavares de 18 anos foi o primeiro gay do Brasil a ser açoitado publicamente, pelas principais ruas de Salvador e depois degredado para a capitania de Sergipe; Viado aqui não. Que vá para outro lugar.

1630 – O padre Amador Amado Antunes, natural do Porto e morador na Bahia era falado na cidade. Quando saia o povo dizia: Lá vai o sodomita. Hoje seria: Lá vai a bichona.

1855 – Junqueira Freire, poeta e o mais famoso beneditino do Mosteiro de São Sebastião, na Bahia, é autor de um poema homoerótico intitulado “A um moçoilo”, onde confessa seus amores por um rapaz.

Mas o caso mais interessante ocorreu em 1591. O sacerdote inquisidor Heitor Furtado de Mendonça, concedeu 30 dias de perdão e graça para todos os moradores das redondezas de Salvador que confessassem os seus pecados. O primeiro pecador que apareceu para se confessar foi o vigário, Frutuoso Álvares, de 65 anos de idade.

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O religioso confessou os seus pecados sexuais cometidos naquela cidade aonde chegara há 15 anos, com alguns detalhes interessantes:

Ele confessou cometer sodomia com pouco mais de quarenta pessoas, mais ou menos, abraçando, beijando, comendo e sendo enrabado. Um deles foi Cristóvão de Aguiar, jovem de dezoito anos, filho de Pero d’Aguiar, morador na sua freguesia. A relação foi consumada com toques no corpo de ambos, com as mãos em ambas as regiões pubianas e com masturbação.

E assim também pegou e masturbou o cacete avantajado de Antônio, moço de dezessete anos, criado ou sobrinho de um mercador.

A lista de amantes parecia interminável. Um latino chamado Medina, de dezoito anos, morador da ilha de Maré e feitor do mestre de capela. Gerônimo, jovem irmão do cônego Manuel Viegas. E assim com outros muitos moços e sem nem saber os nomes e dormindo com alguns e tendo sexo com penetração anal, sendo ele o agente ativo e passivo.

O vigário gostava de ser penetrado de bruços, lançava-se de barriga para baixo e pondo em cima de si os moços e fazendo o mesmo com os jovens quando queria penetrá-los.

Depois de declarar tantas fornicações, se declarou cristão velho, oriundo da cidade de Braga e que lá também praticou atos de sodomia com Francisco Dias, pelo qual foi degredado para as galés e sem cumprir o degredo foi para Cabo Verde onde também foi acusado de práticas homossexuais com dois jovens.

Dali foi preso e enviado para Lisboa onde foi sentenciado e condenado em degredo para sempre em terras brasileiras. E estando em Salvador, foi acusado pelo mesmo pecado que cometeu com Diogo Martins, homem casado com a padeira Pinheira, moradora naquela cidade – Foi inocentado por não haver provas.

Passaram ainda pelas mãos do vigário: Antônio Álvares, Manuel Álvares, seu irmão, os quais eram mestres de açúcar, e outros tantos anônimos, e destes casos foi condenado e pagou pelos crimes cometidos.

Ao final da confissão, o Senhor visitador apenas o admoestou, pois ele era sacerdote e pastor de almas, e era tão velho, e tinha passado por tantos atos em ofensa de Deus Nosso Senhor, e ainda, tinha declarado que não cometia o pecado da sodomia há mais de um mês, assim finalizou a confissão e o vigário disse que não mais praticaria atos homossexuais e assinou a confissão.

Ou seja, o tal vigário era homossexual e promiscuo, além de pedófilo e foi transferido para o Brasil porque queriam se livrar dele. A Igreja fez vista grossa, perdoando-o e aconselhando-o a interromper as práticas homossexuais. O vigário era safado e gostava de garotos e jovens, a maioria filhos de comerciantes locais ou trabalhadores braçais. Morreu dando o rabo para um estranho qualquer e entrou para a história como o mais devasso dos homossexuais daqueles tempos.

1856 Preocupado com os escândalos de casos homossexuais entre os comerciantes portugueses do Rio de Janeiro, o cônsul de Portugal promoveu a importação da primeira leva de prostitutas dos Açores, logo sucedidas pelas polacas, francesas e austríacas. Apesar do vertiginoso desenvolvimento da prostituição feminina, segundo historiadores, a prostituição masculina não diminuiu, de modo que as autoridades sanitárias exigiram publicamente a ação da polícia, para conter a pegação homossexual nos parques públicos, cafés, restaurantes, bilhares, teatros e casas de banhos do Rio de Janeiro.

Caro leitor, se você tem interesse em saber mais sobre a homossexualidade desse período do Brasil poderá ler os livros:

  1. Devassos no Paraíso
  2. A coisa obscura: mulher, sodomia e inquisição no Brasil colonial.

Há também vasto material acadêmico sobre o tema, bem como, relatos tristes com finais trágicos até histórias hilariantes da homossexualidade no Brasil colonial.

Referências: extraídas de textos acadêmicos e leituras do livro A coisa Obscura: mulher, sodomia e inquisição no Brasil colonial de Luiz Mott.

Leia também:

Homoerotismo na Grécia antiga

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Sobre Regis

58 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 23/04/2013, em História e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 5 Comentários.

  1. “Lá vai o sodomita”…essa foi ÓOOTEEEEEMA!

  2. Excelente post…, Incrível a herança homossexual no Brasil. Fiquei curioso sobre o tema. Gostaria de saber se as referencias bibliografias indicada é fácil de encontra nas bibliotecas públicas de São Paulo?

  3. Um texto didático sobre a homossexualidade no Brasil , a partir do período Colonial. Muito esclarecedor e interessante.

  4. Parabéns pelo post, de muita valia. Sou graduado em história e fiquei muito contente de ver um tema de cunho histórico sobre a homossexualidade no Brasil. Apesar da história, não só ela, como as humanas em geral – já que é um capital intelectual, diferentemente das áreas de exatas e tecnológicas – ter pouco valor, ela é extremamente importante para entender alguns processos passados que nos influenciam até nos dias hoje. O papel da história, que deveria ser aprender com os erros do passado e tentando melhorar e aprimorar um presente mais digno, é totalmente invertido na nossa educação, contanto a história, em grande parte, dos grandes homens, dos vitoriosos; teoria positivista arraigada em todas as lacunas do invisível em nossa sociedade, dominando com suas “verdades absolutas”.
    Um exemplo disso, é associar a homossexualidade com a pedofilia, zoofilia etc. Como se somente os gays fossem praticantes de tais situações.
    As primeiras informações sobre a homossexualidade se encontram no período da Grécia Antiga, onde muitos jovens eram iniciados por homens mais velhos de elevado conhecimento.
    Assim, podemos compreender que a homossexualidade sempre esteve presente desde que o homem é homem, mas como o ser humano, a meu ver, tem a necessidade de pegar um para chacotear como forma de se comparar – no escopo de: eu estou bem, e o outro mal – para poder se sentir bem, ele acaba focando no outro uma forma de agressão, seja física, verbal, social, existencial, estas, não deixam de refletir uma forma de continuidade do pensamento, propagando o preconceito, como vemos tão arraigado em nossa sociedade.

    Muito bom o post.

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