Arquivo mensal: abril 2013

Os autômatos e a sociedade homossexual

automatos_homossexuaisPara entender este post é necessário saber o que é um Autômato – Aquele que não age nem pensa por conta própria. Mero repetidor de ações.

Num mundo em constante evolução tecnológica os automatismos entraram de tal forma nos nossos hábitos que muitas vezes não percebemos como nos facilitam a vida; estão presentes nas escadas rolantes, nas portas automáticas, nos caixas eletrônicos, nos elevadores, nos semáforos, no controle da iluminação, nos edifícios inteligentes, nas linhas de montagem das fábricas e, de uma maneira geral, nos computadores, smartphones e celulares.

O ser humano está cada vez mais dependente da automação e consequentemente o comportamento humano também se automatiza. É quase imperceptível, mas a mudança comportamental ocorre principalmente nas relações humanas.

No caso dos homossexuais não é diferente. Toda semana eu recebo e-mail com desabafos, inconformismos e reclamações sobre a dificuldade de encontrar um parceiro para uma relação sexual, senão, pelo menos para uma relação de amizade. Esses gays reclamam que marcam encontro via Internet e na hora H, ficam na mão.

O que pouca gente enxerga é que no século XXI, os seres humanos estão sendo condicionados em caixas, assim as relações humanas deixam de existir e prevalece o individualismo.

Os gays estão reduzindo-se a uma identidade conceitual em relação à sexualidade, portanto, não a vivenciam plenamente.

Outro dia eu li um artigo sobre o comportamento sexual entre os jovens americanos. Eles estão abdicando do sexo porque não se identificam com os padrões existentes: heterossexual, bissexual ou homossexual. Na melhor fase da vida quando poderiam experimentar o sexo na sua plenitude e definir-se num papel de gênero, os jovens estão se apaixonando por seu smartphone, computador ou outros autômatos e sentem prazer tocando ou masturbando-se com o seu celular enfiado no rabo ou na vagina. Caro leitor, isso é coisa de louco!

Os gays brasileiros através das redes sociais seguem uma onda universal da sublimação do sexo e não estão seguindo seus próprios instintos ou agindo por conta própria. Como eu escrevi no início do texto: são meros repetidores de ações. As redes sociais são boas se usadas com moderação e inteligência, mas não como condicionador de comportamentos que envolvam as relações humanas e a sexualidade.

Observe o que fazem as ONGs em defesa dos direitos dos gays. Elas estão apenas repetindo ações de outras ONGs. Quanto aos políticos nem se fala. Os poucos que nos representam e estão no poder repetem ações já indicadas no passado e lembram Gabeira ou Clodovil.

No presente temos liberdade, mas liberdade limitada, pois aqueles que a tem, não a usam plenamente. Os guetos homossexuais praticamente não existem mais. Se você entra num banheiro público para dar uma “olhada”, é vigiado por câmeras. As boates e bares também estão sob a mira das câmaras e sistemas de segurança. Na semana passada eu fiquei chocado ao ver na TV uma matéria sobre os cidadãos paulistanos. Eles são filmados ou fotografados pelo menos umas cinquenta vezes por dia.

Ainda sobre os guetos: muitos leitores reclamam que não se sentem confortáveis em frequentar uma boate ou bar gay. Isso ocorre porque estão condicionados em caixas individuais e quando precisam enfrentar a realidade, eles ficam acuados.

A Parada Gay é um exemplo de autômato. Um grande evento pasteurizado. A maioria dos participantes vai às paradas porque outros conhecidos dizem que é legal. Eles não agem por conta própria e vão porque a maioria vai estar lá.

A automação condiciona o individuo dentro de casa, isola, protege, mas tira o melhor, a liberdade. Aí quando o cidadão gay vai para a rua não sabe o que fazer, nem como abordar alguém num flerte ou numa paquera. Hoje os encontros são marcados por via eletrônica, redes sociais, Bluetooth ou via APP dos Smartphones e Tablets. Tudo isso condiciona os gays com repetições de padrões estabelecidos por software.

Eu já vi casais gays conversando e quando toca o telefone a primeira reação do atendente é se afastar do outro. Alguns nem pedem licença e abrem o flip do smartphone e largam o companheiro a ver navios.

Outra situação envolve os gays maduros e idosos. Hoje quem tem cinquenta anos ou mais está entrando na onda da automação, das redes, da comunicação online e está esquecendo-se das interações pessoais. A vida reprimida de outrora de rebelde e transgressor não existe mais. Os maduros e idosos estão quietinhos no seu canto e não querem mais saber de transgredir ou se rebelar. Talvez por isso, não são encontrados por outros gays que gostam dos mais velhos. Quem aderiu à automação está IN, quem não aderiu está OUT.

Eu não sou expert em sociologia, mas estou atento às mudanças que a automação provoca no comportamento das pessoas e principalmente nos gays – É o Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley.

Muitas vezes me questiono sobre os autômatos na minha vida. Eu mesmo me isolei do mundo gay, mas por opção e não por condicionamento ou automação. Tenho poucos amigos e muitos conhecidos e essa é a lógica das relações humanas.

Os gays estão inseridos nos diversos estratos sociais autômatos e tem uma relação infindável de contatos e quase nenhum real, de carne e osso. Enfim, eles podem estar no caminho certo, mas as transformações já são percebidas.

Quanto ao futuro, talvez os gays troquem o bom sexo com parceiros humanos por robôs que poderão ser escolhidos de acordo com as preferências de cada um e adquiridos em lojas especializadas ou nos Sexshop futuristas.

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Homossexualidade no Brasil colonial

brasil_colonial_gay2Os homossexuais existem no Brasil desde a descoberta de tribos indígenas nativas, mas foram os nossos colonizadores portugueses que disseminaram algumas praticas no território brasileiro.

O sexo aflorava nas colônias. O que era proibido em Portugal era quase uma regra no Brasil. As índias, e depois os escravos, serviam para alimentar a sede de libertinagem que assolava a colônia. Neste cenário tinha a bigamia, o adultério, a homossexualidade e pasmem, até a zoofilia.

Os primeiros agentes das práticas homossexuais foram os jesuítas, posteriormente os degredados e padres de várias ordens e por fim os comerciantes portugueses. Há extensa documentação sobre práticas homossexuais do período colonial, justamente devido aos processos instaurados para puni-las.

Os Cadernos do crime Nefando, do Arquivo Nacional da Torre do Tombo em Portugal registravam em especial os casos de sodomia. E explica que o mais temido não era derramar o sêmen no chamado “vaso proibido”, ou no português bem claro, o cu, mas a preferencia sexual deveria ser erradicada já que promovia a destruição do casamento, pregava o livre prazer e impedia a procriação.

Também, não havia claro, um lugar específico para o sexo. O local com mais privacidade era o mato – Deve ser uma delícia transar no mato!

Há registros de que as igrejas eram palco de práticas sexuais. De fato, os padres acobertavam amantes, testemunhavam namoros proibidos e mais, eram contumazes em galantear mulheres casadas, moças incautas e homens jovens e bonitos.

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Fatos históricos:

Selecionei alguns fatos para complementar o tema.

Um caso conhecido dos historiadores é o do pernambucano Baltazar de Lomba que gostava de transar com índios. Foi flagrado por um rapaz que, intrigado com gemidos de homens, pôs-se a ouvir pela abertura da porta.

1547 – O primeiro gay degredado pelo Tribunal da Santa Inquisição portuguesa para o Brasil foi Estevão Redondo, um jovem criado de Lisboa;

1593 – Marcos Tavares de 18 anos foi o primeiro gay do Brasil a ser açoitado publicamente, pelas principais ruas de Salvador e depois degredado para a capitania de Sergipe; Viado aqui não. Que vá para outro lugar.

1630 – O padre Amador Amado Antunes, natural do Porto e morador na Bahia era falado na cidade. Quando saia o povo dizia: Lá vai o sodomita. Hoje seria: Lá vai a bichona.

1855 – Junqueira Freire, poeta e o mais famoso beneditino do Mosteiro de São Sebastião, na Bahia, é autor de um poema homoerótico intitulado “A um moçoilo”, onde confessa seus amores por um rapaz.

Mas o caso mais interessante ocorreu em 1591. O sacerdote inquisidor Heitor Furtado de Mendonça, concedeu 30 dias de perdão e graça para todos os moradores das redondezas de Salvador que confessassem os seus pecados. O primeiro pecador que apareceu para se confessar foi o vigário, Frutuoso Álvares, de 65 anos de idade.

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O religioso confessou os seus pecados sexuais cometidos naquela cidade aonde chegara há 15 anos, com alguns detalhes interessantes:

Ele confessou cometer sodomia com pouco mais de quarenta pessoas, mais ou menos, abraçando, beijando, comendo e sendo enrabado. Um deles foi Cristóvão de Aguiar, jovem de dezoito anos, filho de Pero d’Aguiar, morador na sua freguesia. A relação foi consumada com toques no corpo de ambos, com as mãos em ambas as regiões pubianas e com masturbação.

E assim também pegou e masturbou o cacete avantajado de Antônio, moço de dezessete anos, criado ou sobrinho de um mercador.

A lista de amantes parecia interminável. Um latino chamado Medina, de dezoito anos, morador da ilha de Maré e feitor do mestre de capela. Gerônimo, jovem irmão do cônego Manuel Viegas. E assim com outros muitos moços e sem nem saber os nomes e dormindo com alguns e tendo sexo com penetração anal, sendo ele o agente ativo e passivo.

O vigário gostava de ser penetrado de bruços, lançava-se de barriga para baixo e pondo em cima de si os moços e fazendo o mesmo com os jovens quando queria penetrá-los.

Depois de declarar tantas fornicações, se declarou cristão velho, oriundo da cidade de Braga e que lá também praticou atos de sodomia com Francisco Dias, pelo qual foi degredado para as galés e sem cumprir o degredo foi para Cabo Verde onde também foi acusado de práticas homossexuais com dois jovens.

Dali foi preso e enviado para Lisboa onde foi sentenciado e condenado em degredo para sempre em terras brasileiras. E estando em Salvador, foi acusado pelo mesmo pecado que cometeu com Diogo Martins, homem casado com a padeira Pinheira, moradora naquela cidade – Foi inocentado por não haver provas.

Passaram ainda pelas mãos do vigário: Antônio Álvares, Manuel Álvares, seu irmão, os quais eram mestres de açúcar, e outros tantos anônimos, e destes casos foi condenado e pagou pelos crimes cometidos.

Ao final da confissão, o Senhor visitador apenas o admoestou, pois ele era sacerdote e pastor de almas, e era tão velho, e tinha passado por tantos atos em ofensa de Deus Nosso Senhor, e ainda, tinha declarado que não cometia o pecado da sodomia há mais de um mês, assim finalizou a confissão e o vigário disse que não mais praticaria atos homossexuais e assinou a confissão.

Ou seja, o tal vigário era homossexual e promiscuo, além de pedófilo e foi transferido para o Brasil porque queriam se livrar dele. A Igreja fez vista grossa, perdoando-o e aconselhando-o a interromper as práticas homossexuais. O vigário era safado e gostava de garotos e jovens, a maioria filhos de comerciantes locais ou trabalhadores braçais. Morreu dando o rabo para um estranho qualquer e entrou para a história como o mais devasso dos homossexuais daqueles tempos.

1856 Preocupado com os escândalos de casos homossexuais entre os comerciantes portugueses do Rio de Janeiro, o cônsul de Portugal promoveu a importação da primeira leva de prostitutas dos Açores, logo sucedidas pelas polacas, francesas e austríacas. Apesar do vertiginoso desenvolvimento da prostituição feminina, segundo historiadores, a prostituição masculina não diminuiu, de modo que as autoridades sanitárias exigiram publicamente a ação da polícia, para conter a pegação homossexual nos parques públicos, cafés, restaurantes, bilhares, teatros e casas de banhos do Rio de Janeiro.

Caro leitor, se você tem interesse em saber mais sobre a homossexualidade desse período do Brasil poderá ler os livros:

  1. Devassos no Paraíso
  2. A coisa obscura: mulher, sodomia e inquisição no Brasil colonial.

Há também vasto material acadêmico sobre o tema, bem como, relatos tristes com finais trágicos até histórias hilariantes da homossexualidade no Brasil colonial.

Referências: extraídas de textos acadêmicos e leituras do livro A coisa Obscura: mulher, sodomia e inquisição no Brasil colonial de Luiz Mott.

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