Novas subculturas homossexuais

Subculturas_gayNa cultura gay atual dos grandes centros urbanos, observo um sistema complexo de relações pessoais afetivas, eróticas, e sexuais. A descrição da cultura gay no Brasil apoia-se em categorias variadas e suas diversas nomeações: bichas, viados, pederastas, homossexuais, homoeróticos, bissexuais, barbies, ursos, michês, drag queens, caricatas, transformistas, travestis, transexuais e lésbicas.

Com o advento da Internet, na última década nós importamos dos Estados Unidos o conceito queer.

Nesse universo existe uma multiplicidade de variantes de identidades, gêneros, sexualidades, movimentos e comunidades que a diversidade sexual inscreve em diferentes polaridades e distribuídas por categorias.

Circulando por cidades do interior de São Paulo, eu descobri por acaso, pelo menos três categorias para gays “pseudo-machões-fortes” trabalhadores e  residentes nas cidades do interior.

A primeira vez que eu ouvi o termo macho axe, foi na cidade de Bauru e eu pensei que era por causa da marca do desodorante, que, aliás, os comerciais exploram a imagem do homem másculo, mas depois eu ouvi novamente na cidade de Brotas, a terra do cantor Daniel e então descobri o significado.

O Macho Axe é uma alusão aos trabalhadores das fazendas e lavouras. Os gays recorrem à estética dos trabalhadores rurais ao seu nível estético, mas também pela razão da sua homossexualidade ou bissexualidade. Por ser uma classe operária, e por seu isolamento da sociedade urbana e, consequentemente, da cultura gay dos grandes centros despertou uma fantasia de segredo e libertação, com uma definição bucólica e rural – Macho = homem másculo e Axe do inglês = o machado que lembra o lenhador.

O interessante nessa subcultura é o americanismo da palavra axe – Eu perguntei a um gay da cidade de Avaré e ele me disse que ouviu o termo pela primeira vez na festa do Peão de Boiadeiro em Barretos/SP, 2010. Nessa festa a frequência de turistas estrangeiros e americanos é constante.

Na cidade de Paraibuna no Vale do Paraíba eu ouvi outro termo interessante: macho gay. Talvez essa categoria seja uma ruptura com a cultura gay principal que não aceita muito bem homens que não se enquadram no estereótipo padrão dos gays dos grandes centros. Também, traz o americanismo nas suas origens. A palavra gay foi incorporada ao nosso cotidiano e trouxe muitas variantes e composições com sonoridades próprias. É mais fácil falar macho gay do que macho homossexual.

Os homossexuais residentes nas áreas rurais nunca se identificaram com o estilo de vida urbano estereotipado, e foram à procura de uma alternativa que mais se assemelhe à imagem do homem trabalhador, másculo e sem trejeitos efeminados.

gaypiraA mais recente descoberta foi o gaypira. Eu ouvi a palavra na cidade de Piracicaba, eu acreditava que se referia ao gay da cidade, porque ela é conhecida como Pira. Na verdade o termo foi copiado das festas juninas organizadas por grupos homossexuais.

GAYPIRA surgiu como um grupo folclórico de dança caipira, formado por homossexuais e lésbicas, em 1981. Na época se chamava “OLHA AS BICHAS”. Com o fim do grupo em 1991 teve inicio o Arraia gaypira, que durou nove anos.

Em 1998 a festa foi paralisada e ficou no esquecimento por nove anos – Em 2007 o gaypira voltou como GAYPIRA – O RETORNO. A festa do gaypira foi copiada por travestis e drag queens, espalhando-se por várias cidades da região sudeste do Brasil na época das festas juninas.

Você já ouviu falar das fanchonas?

Eu me lembro de que nos anos 1970 a palavra fazia parte do dicionário corrente dos guetos homossexuais paulistanos – Fanchona significa mulher de aspecto e maneiras viris, cujo substantivo másculo é fanchono.

Bolacha é a lésbica, sem tom pejorativo. Outros termos menos amigáveis: dyke (daique, pronúncia em inglês), sapa, sapata, fufa e fanchona (ofensivo) – Folha de São Paulo de 07/01/2011

Leia também:

 O homem gay do interior

Gays maduros na subcultura leather

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Sobre Regis

57 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 15/03/2013, em Curiosidade, Sociedade e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 4 Comentários.

  1. Não tenho nehum preconceito contra os gays eu adoro eles porque são muitos engraçados

  2. Uma verdadeira aula sobre as várias denominações do gayismo nas metropoles e cidades do interior. Aprendi muito hoje com o blog. Além de ser divertido, GRISALHOS também é instrutivo e didático

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