Gays têm mais problemas na velhice

gay_loveA maioria dos gays não quer nem ouvir falar em doenças, também, não gostam de pensar no envelhecimento, aliás, poucos pensam nisso e quando se dão conta já passaram dos cinquenta anos.

Outro dia, um novo leitor do blog me perguntou por e-mail porque eu dou tanta ênfase nas questões do envelhecimento. A resposta foi simples: Porque ninguém fala sobre isso.

No ano passado o dr. Steven P. Wallace, diretor do Centro de Investigação de Saúde da Universidade da Califórnia – UCLA, divulgou os resultados de uma pesquisa indicando que os homossexuais têm muito menos vezes parceiros, amigos ou filhos adultos que os ajudem ou tomem conta deles na velhice.

Entre os gays e bissexuais com idade entre 50 e 70 anos verificou-se mais casos de hipertensão, diabetes e deficiência física do que entre os heterossexuais, além de haver 45% mais incidência de problemas psicológicos – Imagine os resultados dessa pesquisa no Brasil?

A cultura gay privilegia a juventude e as comunidades ou ONGs LGBT não pensam nos seus velhos, ou será que eu estou errado?

Em torno da velhice, tanto hetero como homossexual, criaram-se alguns mitos:

  1. O Brasil é um país de jovens;
  2. A memória diminui com a idade;
  3. Velho não aprende nada de novo;
  4. Velho não tem interesse e nem capacidade sexual;
  5. Velho só deve conviver com velho;
  6. Uma imagem do velho é sempre negativa;
  7. O velho está mais perto da morte;
  8. Velho não tem futuro;
  9. Velho volta a ser criança;
  10. Velho é tudo igual, só muda o endereço.

Com tanta coisa negativa a velhice torna-se um fardo quando deveria ser a melhor fase da vida. Os gays idosos têm sobrevida enquanto são desejados por outros gays para o sexo, mas com idade acima dos setenta ou oitenta anos, esperar o que?

Frases de gays idosos:

  • Velhice gay é solidão;
  • Sou invisível, logo não existo;
  • Estou vulnerável, portanto, não saio mais à noite;
  • Meu bem, eu virei purpurina.

Talvez seja por esses motivos que os gays idosos simplesmente somem da Cena Gay e vão viver confinados e sozinhos. Os números da pesquisa americana são estarrecedores: Mais de 70% dos gays e 50% das lésbicas acima de setenta anos moram sozinhos. Será que por aqui esses números são iguais ou maiores?

Enquanto isso no Japão as autoridades buscam soluções para evitar que gays idosos morram sozinhos.

Leia também:

Velhice gay: O ciclo da solidão

O envelhecimento da população LGBT

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Sobre Regis

57 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 12/03/2013, em Saúde e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 12 Comentários.

  1. Concordo plenamente com esse artigo, ok? Mas sou um gay muito diferente, mesmo sendo jovem, aceito a velhice como um privilégio , e principalmente por amar os idosos gays, quero envelhecer e às vezes gostaria de que fosse rápido , acho lindo gay idoso. Já fui casado com um idoso de 62 anos, nossa, uma maravilha de pessoa, mesmo! Quando vejo um idoso sinto o meu corpo vibrar: queria todos pra mim é cuidar de todos.

  2. “Talvez seja por esses motivos que os gays idosos simplesmente somem da Cena Gay e vão viver confinados e sozinhos.” eu não entendi. porém, apesar de eu odiar fazer comparações entre grupos, mesmo estes convivendo lado a lado, os heterossexuais também enfrentam dilemas parecidos. é como se o mundo fosse voltado para os jovens. entretanto, assim como foi mostrado no texto, alguns países possuem planos para evitar situações de problemas no processo saúde/doença dos idosos, seja entre idosos gays ou héteros. a única ressalva que faço é sobre a questão da união afetiva duradoura entre dois homens gays. são poucas as relações homoafetivas que duram mais de dez anos. acredito que isso tenha a ver com a falta de estímulo para as relações estáveis entre os gays. tudo que vem da mídia de consumo para esse público (ou quase tudo) se baseia em sexo e putaria. também acredito que o instinto humano masculino atrapalhe um pouco essa durabilidade nas relações. o homem é mais sexo e caça, enquanto a mulher é mais família e filhos. ambas as diferenças de gênero se completam. e uma família é muito importante (filhos) para manter o casal unido, apesar de não ser requisito principal. como só agora que o conceito de família mudou, e incluiu os gays no conceito, pode ser que no futuro esse quadro de solidão seja diferente.

  3. Muito bom este post.

  4. A questão é encarar a realidade desde jovem. Quem vive na ilusão e correndo atrás de pinto talvez chegue à velhice desiludido, e aí entram as doenças.
    Tenho 61 anos, minha pressão é normal e não tenho diabetes. Prefiro morar ao lado da Mata Atlântica do que na poluição da grande cidade, tenho uma alimentação saudável, faço caminhadas, ao invés de ir de carro pra todo lugar. Se aparecer outro homem da minha faixa etária, ótimo. Senão, vou vivendo a melhor vida que posso. A vida vai acabar? Vai. Mas não vou ficar deprimido por causa disso.
    Sejam felizes, é simples e de graça.

    • Ivan seu otimismo é contagiante. Como eu gostaria de ter pelo menos parte desta relação sua com a vida. Inveja,é o que sinto. Tenho 66 .anos e sua maneira decidida de ser me impressiona..Sei que vc tb prefere homens maduros. Este é o nó da questão já que a maioria preferem garotos para se relacionarem. Padeço deste mesmo mal.Mas vamos lá. Quem sabe uma hora a gente acerta o alvo.? obrigado. /Um beijão

  5. Meio que tontice isso aí e não importa se é gay ou não tudo vai findando,
    até mesmo animais e plantas. A pimenta por exemplo dá várias cargas até
    que seca não é perpétua.

  6. paulo azevedo chaves

    Uma postagem muito melancólica. A verdade é que ninguém quer saber de velhos: eles são discriminados na vida, na própria família, nos locais de encontro e pegação.Os próprios idosos discriminam os outros idosos.O nome do blog deveria, aliás, ser GRISALHOS, MADUROS E ADOLESCENTES – um blog sobre a vida gay em todas as faixas etárias.

  7. Se o gay nao tiver cabeça vai se passar. Nós nao somos mais jovens. Eu só gosto de coroas que ja vem prontos entre 50 a 70 anos. Ficar com jovem é furada ou nao?

  1. Pingback: Gays têm mais problemas na velhice | " F I N I T U D E "

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