Arquivo mensal: fevereiro 2013

O olhar gay

olhar_gayAh, como era bom o tempo quando eu saia para caçar homens nos guetos, nos bares e boates gay. Recordo-me dos flertes e olhares furtivos que culminavam em conversas e acertos para o sexo casual, alguns, não tão casuais.

O olhar gay não é diferente de outros olhares, mas tem algo de especial – Um amigo diz que os gays se encontram pelo olhar.

Outro dia eu li, De quem é o olhar, poema de Fernando Pessoa.

Um estudo divulgado no ano passado do Pesquisador Ritch Salvin-Williams, um psicólogo do desenvolvimento da Universidade de Cornell, em Nova York pressupõe sobre a dilatação da pupila ser uma maneira precisa de descobrir a orientação sexual de uma pessoa.

Não quero falar sobre isso, mas sobre o olhar gay como instrumento de observação, paquera e aproximação entre os gays.

O comportamento visual é a forma mais sutil da linguagem física. Através dos olhos temos as primeiras sensações do tesão, ao observar um ser humano que nos desperta o desejo sexual.

No meu ponto de vista, o olhar gay é mais um código entre tantos outros, talvez o mais importante entre os gays. Tem muito gay tímido usando os olhos como forma de compensar a timidez verbal.

Dizem que os gays são voyer por natureza, aliás, o brasileiro é voyer – Quem não gosta de observar e se deliciar com as coisas prazerosas que a visão nos dá?

A primeira vez que eu percebi alguns olhares masculinos olhando fixamente nos meus olhos, foi há muitos anos, talvez, quarenta ou mais. Aqueles homens com seus olhares fulminantes me olhavam com desejo sexual. Algum tempo depois tomei a consciência da minha homossexualidade, justamente por me perceber observado e desejado por homens, embora eu já admitisse ser diferente dos outros.

A partir do momento que passei a frequentar a cena gay de São Paulo, logo descobri o olhar entre gays denunciando uma intenção, um propósito, uma confirmação e até mesmo um desejo. Também, os meus olhos erraram em muitas oportunidades, porque o código do olhar também existe entre heterossexuais e enfrentei situações constrangedoras.

No meio de tantos flertes e olhares, eu conheci homens de todos os tipos, idades e classes sociais. Homens másculos e mesmo casados aceitaram fazer sexo comigo. Se me perguntarem se eu identifico um homem gay ou bissexual  somente pelo olhar não consigo objetivar uma resposta precisa, mas de uma forma geral todos nós, nos conhecemos pelo olhar.

olhar_gay1A descoberta do olhar gay me fez brincar com isso durante muito tempo. Investi-me a procurar quem fosse gay no meio que me rodeava e depressa identifiquei vários que mais tarde vim a confirmar as minhas suspeitas. Na minha juventude e no bairro que eu morava, o meu olhar era 100% certeiro.

Eu tive um companheiro chamado Ricardo e ele sempre dizia: Os seus olhos são, o Farol da Barra, alusão ao farol de Salvador na Bahia, porque eu não parava um segundo e olhava para todos os lados.

Também, eu já pensei no olhar gay como uma intuição, um sexto sentido, mas não posso afirmar com certeza.

Deve ser algo que todos os gays trazem no seu intimo devido à repressão da sexualidade, uma forma quase telepática de se comunicar entre si pelo olhar, porque quando dois gays se encontram e se sentem atraídos, trocam uma série de olhares que resultam numa batalha visual. Ao mesmo tempo em que querem se olhar mutuamente, sentem-se desconfortáveis por olhar direto nos olhos, dando início a um constante vai-e-vem.

No último sábado eu fiquei na capital para fazer algumas coisas e caminhando na rua observei o olhar de um gay madurão acompanhado do seu amigo ou seria companheiro? Ele me comeu de cima em baixo com olhos de cobiça – dizem até que a traição também está no olhar.

A maioria dos conflitos entre casais gays envolve o famoso ‘Por que você olhou para ele?’ ou ‘Você não olha para mim quando estou falando com você!

A questão não é como se olha, mas como a mensagem, positiva ou negativa, é transmitida ao homem observado. A visão é algo fixo e não se transforma. O que define quais sinais serão transmitidos é para onde e por quanto tempo se olha.

O famoso “olhos nos olhos” demonstra excitação por algo ou alguém e chega até a elevar os batimentos cardíacos. Você já sentiu isso?

Já o olhar fixo e incessante é normalmente sinal de raiva ou ódio. Já aquele que desvia os olhos enquanto fala pode, na maioria das vezes, ser considerado um mentiroso. Geralmente, quando estamos mentindo, não conseguimos olhar nos olhos do parceiro ou amigo. O mentiroso que mente olhando nos olhos é aquele que eu chamo de maquiavélico e o mundo gay está cheio deles.

Quanto ao olhar gay

Quantas coisas cabem num olhar!

É tão expressivo, é como falar.

Tipos de olhar

  • Olhar varredura – é aquele que percorre todo o ambiente
  • Olhar dardo – é aquele que para quando encontra algo interessante
  • Olhar fixação – é aquele que permanece mais de três segundos voltado para a mesma direção
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Sexo gay na casa paroquial

sexo_gay_paroquialHistórias envolvendo padres costumam gerar polêmicas e protestos.  Também, existe aquela turma que gosta e até se masturba imaginando as cenas picantes. Pois bem, trago mais um relato de um gay sessentão que viveu a história a seguir:

Elizeu, isso mesmo com “z”, era um rapaz de dezessete anos, residente na zona norte de São Paulo e trabalhava na região do Braz. Corria o verão de 1966, quando ele conheceu o padre Arquimedes. Foram algumas semanas de passeios e conversas no bairro e o rapaz ainda inexperiente deixou-se seduzir pelo vigário da paróquia local.

Após um final de expediente do trabalho, Elizeu cabulou aula no colégio noturno e foi ao encontro do padre. Após todas as dicas para não levantar suspeitas, ele entrou pela porta lateral da igreja que dava acesso à casa paroquial.

Nas dependências da igreja o jovem sentiu-se um estranho no ninho sexual do padre, um sexagenário fogoso e obeso.

Padre Arquimedes não era nenhum novato e teve muitos amantes – o primeiro deles um colega do Seminário Menor no interior paulista, depois outros dois no Seminário Maior em São Paulo e foi na Universidade Gregoriana em Roma onde conheceu o grande amor da sua vida.

O coração do Elizeu batia forte, as supra-renais liberaram tanta adrenalina que o rapaz quase desmaiou. Após respirar fundo e mais calmo ele foi conduzido por Arquimedes, para o andar superior da casa.

O pároco abriu a porta do quarto e Elizeu sentiu o coração querendo sair pela boca. Sua primeira reação foi agarrar aquele homem e apertá-lo contra o seu corpo, mas o experiente senhor deixou o jovem à vontade oferecendo-lhe a beirada da cama como repouso.

Calmo e pausado Arquimedes foi tirando a camisa e o colarinho clerical. Elizeu atento e curioso perguntou o que era aquilo e o que significava. Atencioso e paciente Arquimedes explicou que o colarinho clerical simboliza a servidão, pois o colarinho estava ao redor do pescoço dos escravos no mundo antigo. O colarinho clerical simbolizava o compromisso pastoral com o anuncio do evangelho.

Padre Arquimedes perguntou ao Elizeu se ele gostaria de experimentar o colarinho e ele consentiu, mas o padre impôs uma condição: Pediu ao Elizeu para tirar toda a roupa.

Tímido, o rapaz tirou as roupas e com as mãos cobrindo o sexo ficou estático ao lado da cama. O padre boquiaberto entrou em estado de êxtase observando o corpo esbelto, bonito e bem torneado do jovem Elizeu. Aproximou-se do rapaz e com um gesto dócil colocou o colarinho ao redor do pescoço do seu amante nu.

Após fitar fixamente os olhos do Elizeu, padre Arquimedes tascou um beijou e enfiou a língua boca adentro. Os minutos subsequentes foram preenchidos com gemidos, urros, unhas riscando a pele, mãos suadas agarrando o membro rijo, um do outro, quando finalmente se deitaram na cama para o ato sexual. Elizeu gozou ali mesmo estático e completamente alucinado; o padre não deixou por menos e fez Elizeu chupá-lo durante os minutos seguintes até o gozo final.

Extenuados e cansados permaneceram deitados e imóveis, um ao lado do outro, por longo tempo. A partir daquele momento a intimidade de ambos estava revelada e durante quase um ano foram amantes, ambos fazendo o papel de ativo/passivo em várias ocasiões e sempre na casa paroquial.

No ano seguinte a família do Elizeu mudou-se para o interior de São Paulo e ele teve que ir junto. Cinco anos depois, em 1972 ele voltou à cidade e foi ao bairro à procura do padre, mas infelizmente Arquimedes havia sido transferido para a região sul do Brasil. Foram três anos de buscas, mas sem sucesso.

Elizeu tem hoje sessenta anos e nas suas memórias ficaram aqueles que foram os melhores momentos da sua vida.

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