O meu amor homossexual por São Paulo

lgbt_umbrellaA cidade de São Paulo completará amanhã 459 anos e escrever ou falar sobre a cidade é uma temeridade. É um teste de múltiplas escolhas. Do que escrever? Há uma infinidade de possibilidades. A diversidade sexual dos seus habitantes? Os locais gays do passado ou do presente? Não, isso eu já escrevi noutro post – Sampa gay.

Alguém disse que São Paulo tem o charme de Paris, a cultura de Londres, a mistura de Nova York, o tamanho de Tóquio. Pode até ser, mas São Paulo é São Paulo, com sua própria identidade que é a soma de tudo isso: é grande, moderna, dinâmica, charmosa, culta e gay.

Eu amo São Paulo pelos contrastes entre o belo e o feio, o bom e o ruim. Enquanto proliferam construções de apartamentos para o público “entendido”, em regiões nobres da cidade, as favelas acolhem gays desempregados ou dependentes de álcool e drogas.

Eu amo a São Paulo dos extremos. De um lado, a maior parada gay do mundo, do outro, homossexuais moradores de rua, representando a luta pela sobrevivência de uma minoria excluída.

Amo seu visual caótico, com prédios de todos os tipos, tamanhos e cores; o vermelho, verde e amarelo dos semáforos nas esquinas; suas mil faces, brancas, amarelas, negras; sua diversidade multicolorida e roupas ainda mais.

Amo a mistura de sons da cidade: buzinas, carros barulhentos e sirenes. Os barulhos da noite, as baladas e boates para todas as tribos de gays ávidos por som alto. A esfregação de corpos masculinos nas praças tendo ao fundo os pregadores das mais diversas religiões e crenças, vozerio confuso. Oportunidades de sexo casual nas greves ou a paquera nas estações do Metrô abafada pelos sons metálicos dos vagões sobre os trilhos. Tudo isso dá vida à cidade.

Amo os cheiros de São Paulo: Gays com cheiros de gasolina, de vapores das saunas, de comidas em cada canto, de pastéis de feira. Dos perfumes baratos da Rua 25 de Março idolatrados pelos travestis, cheiro de gente; cheiro das frutas do mercado municipal apalpadas por casais gays nas manhãs de sábado misturados por aromas de laranja, caju, maracujá, goiaba. É um cheiro único! Cheiro de pão fresco nas madrugadas, cheiro de café em cada esquina que desperta os notívagos e gays após uma noite intensa de ferveção nas boates.

1285848328-gay-pride-parade-sao-paulo-brazil-part-2_350152Amo as coisas estranhas da cidade. Um fim de tarde de domingo no Largo do Arouche com seus tipos exóticos, típicos dos filmes de Fellini. Um passeio dominical no Parque do Ibirapuera com as bibas desfilando seus cachorrinhos cor-de-rosa. As Drag Queen, damas da noite paulistana com seus vestidos longos de plumas e paetês; modelitos cafonas. Um olhar rápido no retrovisor do carro e o sexo homossexual acontecendo ao vivo e a cores, logo ali debaixo do viaduto.

Amo os sotaques dos gays de São Paulo, que tem uma linguagem própria, amálgama gerado no caldeirão de raças que aqui chegam para viver livremente a sua diversidade sexual. Gays do norte, nordeste, centro oeste e do interior.

Amo a sofisticação da cidade, que tem uma Avenida Berrini que concentra dinheiro, modernidade e um grande número de executivos gays. Os Shoppings da zona sul que recebem os gays de alta renda e que concentra o luxo, uma Avenida Paulista que é o cartão de visitas da cidade.

Amo a São Paulo multicultural e multirracial e sua aceitação incondicional e sem preconceito dos que chegam a ela.

A cidade não dorme, não para. Tudo acontece rápido e os cidadãos gays desconhecem o que existe a seu favor: O Plano Municipal de Promoção da cidadania LGBT e Enfrentamento da Homofobia. O Centro de Combate e Denúncia de agressões homofóbicas, os serviços Socioassistenciais. Da lei que proíbe discriminação nos elevadores, das ações beneficentes em prol das travestis soropositivas, das conferencias municipais de gays e lésbicas.

A cidade de São Paulo é politizada. Desde 2002 possui cinco decretos, uma instrução normativa, uma portaria e duas leis municipais em prol dos homossexuais. O primeiro casamento civil entre gays no Brasil aconteceu em São Paulo.

A cidade também acolhe mais de cinquenta associações LGBT nos diversos segmentos: Saúde, turismo, cultura, lazer, esportes e religião.

Enfim, amo tudo de São Paulo. E por amor aceito suas qualidades e seus defeitos, suas vantagens e desvantagens. Por tudo isso eu desejo um Feliz aniversário à cidade do meu coração.

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Sobre Regis

58 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 24/01/2013, em Cultura, Opinião, Sociedade e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 5 Comentários.

  1. Nossa meu amigo…que texto emocionante… isso é um verdadeira declaração de amor
    incondicional por uma grande cidade como São Paulo.vlw.

  2. Parabéns, excelente post.
    Só São Paulo, com essa diversidade toda e sua identidade própria. São Paulo é São Paulo; para alguns, parece com as cidades, as quais foram citadas no post, mas não podemos comparar mesmo essas cidades, com São Paulo.
    Podemos observar toda, essas realidades, em São Paulo, por que o Brasil é um país de diversidades cultural, social e econômica; e toda essa diversidade se localizar em um lugar privilegiado que é São Paulo “em partes”: Barrios nobres, as favelas, moradores de ruas, o comercio… Cada um desses, em seus lugares formando a cidade maravilhosa de São Paulo.
    Quando comparamos, São Paulo com outras cidades do mundo. Às diversidades dos seus habitantes, pode ate ser semelhante, pela a questão de todas as grades cidade terem imigrantes de toda partes do mundo e de outras regiões dos mesmos. Ao mesmo tempo, a realidade que enxergamos em São Paulo, em outras grandes cidades fora do Brasil, algumas dessas realidades, pode ficar longe de nossas visões, pela a questão de não localizar em partes, igual São Paulo.

    “São Paulo, terra todos, lugar das diferenças, povos de todos as pastes do Brasil e do mundo. Cada um seus lugares, que forma um único lugar, sem comparar com qualquer lugar do Brasil e do mundo… Só São Paulo é São Paulo – 459 anos”. (Wesley Santos)

  1. Pingback: São Paulo – A Metrópole gay de 460 anos | Grisalhos

  2. Pingback: ( E.V.S. )

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