Natal gay – Doação livre a amorosa

mundo_gay_natal2Doar espontaneamente e com amor são atitudes raras no mundo gay. Atrás de cada atitude de doação existem interesses, financeiros, materiais ou sexuais. Mas eu vejo os gays como seres humanos prontos para doar, apesar de individualistas, frágeis, solitários e carentes.

As carências são oriundas da falta de amor e compreensão de familiares e pessoas acerca da orientação sexual. Não dá para exigir amor e compreensão, porque a doação deve ser livre e amorosa.

Os gays de todas as classes sociais sofrem discriminação de todas as naturezas. Essa gama de acontecimentos deixa marcas profundas. Uma parcela de indivíduos gays prefere não tocar no assunto, porque é doloroso lembrar-se dos traumas vividos durante a vida. As humilhações são como cruzes fixadas num painel imaginário e acompanha cada indivíduo na sua jornada até o fim da vida.

Cada um tem uma história e sempre são histórias tristes e doloridas e isso conflita com doação e amor. Doar tem vários significados e amar é algo muito além do jardim das adversidades do mundo gay.

No decorrer da nossa existência aprendemos que tudo o que acontece conosco é consequência de nossos atos e atitudes. Minha mãe sempre dizia: colhemos o que plantamos – Eu aprendi às duras penas o valor do amor e a partir dai a doação passou a ser um ato espontâneo.

Muitos leitores me perguntam como eu consigo manter o pique depois de quatro anos e dedicar tanto tempo ao blog dos Grisalhos. Eu respondo que eu faço isso como uma doação e com uma parcela de amor. Eu gosto de escrever, então porque não tratar de temas inerentes à homossexualidade masculina na maturidade e terceira idade?

Você pode doar dinheiro, alimento, roupas, mas a doação mais importante não tem valor material. A doação mais significante é poder ajudar algum semelhante em algo que não estamos acostumados a dar, carinho, afeto e amor. Não precisa ser homossexual para receber a sua ajuda, pode ser uma criança, uma família carente ou pessoas doentes.

O espírito natalino existe dentro de cada um a fim de proporcionar um natal mais alegre e justo ao seu semelhante.

sunday on pot with george

Um homem fraterno e amoroso

Alcides vivia sozinho, sem família, parentes, sem ninguém. Toda semana ele colocava a melhor roupa e ia para os locais de frequência de gays idosos nas imediações da Praça da República. Um dia eu encontrei o Alcides na rua e perguntei onde ele estava morando. A resposta foi rápida: Moro numa pensão lá pelas bandas da Praça da Sé em São Paulo. Alcides era aposentado e tinha boa saúde, mas com idade avançada os gays não se interessavam por ele, pois ele não tinha nada a oferecer. Nem dinheiro, boa comida, roupas, viagens, etc..

No ano seguinte encontrei novamente com ele na véspera de Natal e pra minha surpresa ele estava acompanhado de um gay maduro. Ele me apresentou o seu companheiro e disse que estava vivendo um período de muita doação.

Aquele foi o último encontro. O Alcides faleceu dois anos depois. Ficou na minha memória as lembranças do homem dócil e gentil, de fala mansa e pausada. Alguém que viveu a maior parte da vida sem ninguém e mesmo assim, não perdeu o que ele tinha de melhor, a fraternidade e o amor pelas pessoas.

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Sobre Regis

58 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 18/12/2012, em Comportamento e marcado como . Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. A pauta em questao é a doação livre e amorosa. Pois bem,para doar algo a alguém antes
    de tudo vc tem que achar satisfação dentro de vc e traçar um circulo ao redor de vc mesmo
    e sempre que cruzar estarei dando e não tomando nada de ninguém seja em qualquer
    aréa: afetiva, financeira…Nada de vantagens, a lei do gerson(lembram?) não existe na
    doação.Demorei anos para perceber que a fonte da felicidade está escondida no lugar
    mais seguro do mundo: dentro de nós mesmos e é a partir daí o start para repartir(doar).
    Como acontece com um perfume, eu sei que não posso derrubá-lo sobre as pessoas
    sem que algumas gotas caiam sobre mim mesmo. È uma mão dupla a doação.
    Existem n formas de doação: apenas de corpo presente e só ouvir alguém e de repente
    ela te diz: nossa, vc resolveu meu problema.Doar pode ser seu silêncio em horas tempes-
    tivas na vida de alguém só a presença já está valendo.
    Doar tb é deixar a pesssoa amada livre do seu controle ou sua vontade.
    Doar é a arte de se dar
    ….uma chance para vc
    . …uma chance para o outro
    …..uma chance para o mundo(pois ele acaba hj).
    dingobéu….dimgobéu……

  2. paulo azevedo chaves

    Antigamente, o Natal era uma festa espiritual em que o ponto alto era a Missa do Galo. Hoje é uma festa material, de troca troca de presentes, um pretexto para as pessoas se reunirem e se fartarem de comida e bebida em torno de uma mesa.Neste ano um feriado prolongado em que se vai à praia, ao restaurante, ao cinema. Ou seja, perdeu a ingenuidade, o encanto, e virou uma festa do consumo. Eu não entro nessa.Adoro estar sozinho e vou aproveitar para ver bons filmes, escutar boa música e avançar um pouco no livro de ensaios e contos que estou escrevendo. Felicidade para mim é manter distância da multidão vil e barulhenta, sem deixar de ajudar algumas pessoas pobres com pequenas quantias em dinheiro..

    • Parabéns Paulo… Uma visão de mundo extraordinária. “Eu acho”! O importante, também, é as pessoas sentirem-se felizes com as manifestações da sociedade, independente das transformações, no decorrer do tempo.

      Abraços!!!

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