Natal gay – Encontro festivo com familiares

mundo_gay_natal3Mesmo nos dias de hoje onde a diversidade sexual é algo explicito na sociedade, nota-se uma parcela de preconceito sexual, principalmente quando o assunto é a homossexualidade dos filhos. Neste sentido é importante ressaltar que a família é um dos principais vilões quando se trata de preconceito. O autoritarismo dos pais e a imposição de valores preestabelecidos e sacramentados pela tradição se colocam a serviço da repressão sexual.

Esse é o principal motivo para os gays saírem de casa e conquistar sua independência da família. Até então o Natal é compartilhado junto aos familiares e a cada ano o gay sente-se estranho naquele ambiente festivo, porque é nessa época que sempre ocorrem questionamentos sobre amigas, namoradas e namoros.

Mas aos poucos os gays vão criando outros vínculos sociais e passam a viver mais fora de casa do que dentro dela. Os gays emancipados fazem sua Ceia de Natal na companhia de outros gays, colegas, conhecidos, amigos ou amantes e alguns poucos ainda saem para visitar a família, trocar presentes e compartilhar a ceia familiar,

mundo_gay_natal6

Também, no decorrer dos anos o distanciamento da família é um processo natural, por morte de avós, pais, perda do contato com irmãos, sobrinhos e tios.
Eu me recordo do meu último Natal em família. Foi em 1985 e também o último com a presença da minha mãe que faleceu um mês depois.

Naquele ano eu sabia que não haveria mais festas natalinas em família e que eu estava deixando pra trás uma das melhores fases da minha vida. Eu não me arrependo de nada em relação à minha família e a ruptura ocorreu normalmente e em circunstâncias normais.

Quase trinta anos se passaram e eu desperto para um espirito natalino diferente. As minhas memórias, alegrias, mágoas e rancores ficaram no passado. Hoje a minha família é formada de poucos amigos gays ou apenas o meu companheiro. É interessante essa forma de substituir os familiares por pessoas iguais a nós.

O melhor presente de Natal é ter pessoas para compartilhar uma noite especial e é mais importante doar alguns momentos de atenção a algum gay também sozinho ou doente que merece um pouco de carinho – Esse é o espirito natalino!

Nesta época do ano eu sempre lembro o Natal de 1976, o relato está no post Um conto gay de Natal. A vida é uma Roda Viva e hoje eu faço exatamente como aquele travesti fez comigo – A minha ceia ocorre em casa ou num restaurante qualquer. Não precisa ter luxo, bebidas importadas ou guloseimas vindas do Líbano, Turquia ou Dinamarca, basta ter alguém para compartilhar a noite de Natal.

Natal é isso, tempo de reflexões sobre a vida, a família e sobre pessoas iguais a nós na sexualidade. É tempo de pensar nos menos favorecidos, nos gays idosos, sozinhos, doentes ou abandonados à própria sorte por todos os cantos do Brasil.

E você caro leitor, como costuma ser o seu Natal?

Anúncios

Sobre Regis

57 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 14/12/2012, em Comportamento. Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. Esse espirito natalino, papai noel, enfeites , presentes as pessoas fikam mais amansadas
    sim, mais isso é pura EMOÇÃO, e isso não muda as pessoas é só um refrigério para uma
    semana natalina.Depois volta tudo ao normal.
    O ke se faz mais importante é estar ao lado de pessoas ke te façam feliz, com ou sem fa-
    mília é escolha de cada um. Há uma glamourização no natal.
    muitos são os gastos e canseira depois da meia noite ja repararam?
    A maior sofisticação está na simplicidade. Menos é mais sempre…..

  2. È genial, este post, reflete muito bem a vida do gay em época do natal. Não tenho opinião sobre o natal para um gay, embora eu me defina gay, mas, me imagino vivendo uma situação assim e procurava ser feliz do meu jeito. As vezes, agente vive o natal em familia e nem sempre esta feliz. Abraço do Dico

  3. paulo azevedo chaves

    É verdade: a família em muitos casos hostiliza, rejeita o filho gay, ou então, o que é igualmente danoso à sua formação e autoestima, procura “cura-lo”, fazer com que se transforme em heterossexual e viva a vida padrão que desejam para ele.Felizmente, nunca fui hostilizado por pais e irmãos.Mas sentindo um ambiente veladamente hostil no seio da família parti, antes mesmo de completar 20 anos, para outras cidades do Brasil e da Europa onde pude viver minha vida com liberdade para fazer, em termos de sexualidade, o que bem me aprouvesse. Quanto ao Natal, para mim ele é apenas mais alguns dias de folga do trabalho para curtir o relax a domicílio e prosseguir organizando o livro digital que lançarei no próximo ano com o título provisório de CAMINHANDO FORA DA TRILHA ou então CONTRAPROSA, já que todo os textos são escritos em prosa.e se posicionam contra o lugar comum e a trilha habitualmente percorrida pelas pessoas em suas existências.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: