Os gays idosos saem do armário

idosos_gays_armarioA maturidade dos homossexuais não mais garante o estilo de vida pacato de outras décadas e nem o confinamento no armário, fato revelador de uma nova organização do sentido da experiência no curso da vida. Apesar do processo de envelhecimento ser pouco estudado na perspectiva dos homens gays idosos, não parece evidenciar uma aposentadoria sexual e social.

O estilo de vida mudou e com ele uma gama de possibilidades de relacionamentos sociais e sexuais. Os gays idosos estão se produzindo, com roupas, perfumes da moda, calça jeans, tênis. Isso como um estilo próprio dos senhores idosos do século XXI. Muitos fazem caminhadas diárias, frequentam academias e reservam alguns dias para socializar e porque não, paquerar.

Ontem, da janela do meu apartamento observei os gays idosos chegando ao ABC Bailão para mais um baile, quase exclusivo nas quintas-feiras para essa faixa etária. A visão geral mostra homens cuidando da pele, dos cabelos e principalmente da cabeça. Por ser um local conhecido da cena gay paulistana eles não se inibem e entram no recinto sem nenhum constrangimento ou medo de mostrar a cara.

Ao analisar esses senhores eu percebo a sexualidade ainda presente porque muitos chegam sozinhos e saem acompanhados, outros chegam acompanhados de parceiros e amigos.

Portanto, quando se fala em homossexualidade na velhice, a visão de todo um processo melancólico e solitário da “bicha velha”, que se envolve sexualmente a partir de trocas de favores ou dinheiro pode ser uma realidade contestável porque hoje o bofe trabalha e ajuda pagar contas. Os idosos saem acompanhados de amigos onde compartilham despesas e a relação sexual pode ou não se consumar no fim de noite, porque isso já não é tão importante quanto a possibilidade de sair para se distrair e se divertir.

Também, os estereótipos da velhice gay como demérito e que o ideal do “ser gay” é um ser jovem, bonito e gostoso perde lugar para um tipo de idoso mais focado em construir um padrão normativo baseado no convívio social, independente de beleza e juventude. O gay idoso está assumindo as rugas e a idade como fator normal dentro do processo de envelhecimento e essa postura é devido às mudanças culturais e sociais das últimas décadas.

Ainda existe o duplo preconceito, velhice e homossexualidade, mas temos que considerar outros fatores propulsores de novas posturas em relação à velhice. Para esses senhores “sair do armário” não significa nada, porque esses idosos são gays de postura masculinizada e poucos são afetados e isso denota um comportamento normal. Eles não andam por ai dizendo “eu sou gay”, simplesmente se misturam na multidão das cidades e vivem a plenitude da velhice homossexual sem medos. Isso também deixa indícios que os fantasmas do passado estão ficando no passado.

Eu gosto de observar o comportamento dos gays e esse post surgiu ontem quando vi o senhor Geraldo, 62 anos, um homem sério e enrustido,  açougueiro, conhecido no bairro onde moro esperando o momento de entrar para uma noite de diversão.

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Sobre Regis

57 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 07/12/2012, em Comportamento, Diversão e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 4 Comentários.

  1. Muito oportuno o post, não só porque sou apaixonado por homem maduro, mas porque ainda vejo um certo pre-conceito sobre os gays mais maduros…e hoje com as bibas novinhas loucas….sem nem mesmo saber o que de fato se passa com elas…se jogam como loucas nas noites e nos mitchês….e não sabem mesmo de longe como é viver um amor entre homens…com respeito…honestidade, reciprocidade, amizade….liberdade.
    QUERO APROVEITAR para dizer ao editor do post que se me hospedar…com certeza serei grato e será muito gratificado…porque amo o ABC Bailão…ou pelo menos me dá uma dicas de lugar bom e perto pra ficar hospedado…Abraço a todos…os maduros eu os amo demais…abraço de urso. Cleiton

  2. A vida após os 65-70 anos tem oferecido mais conforto e oportunidades a todos. Com os gays não seria diferente. Se para boa parte da população essa idade costuma oferecer oportunidades de fazer algo que nunca puderam antes, muito mais, imagino, para a maioria dos gays que chegaram com saúde a essa idade. Imagina o que era ser gay, mesmo em São Paulo, há 40 anos! Então, viver no armário era quase uma questão de sobrevivência.

    Ah, e é sempre bom lembrar, a atual geração, que está entre 20 e 30, chegará também aos 70… E não voltará aos armários, no que seria uma involução absurda. Portanto, essas cenas serão cada vez mais comuns. Uma natural integração de todos à vida como ela pode ser. Em paz, para todos.

  3. Meu projeto de vida vem bem de encontro com este texto.`´E exatamente isso ke penso.
    Quero ainda conhecer o tão afamado bailão por pura curiosidade,conhecer pessoas e o ke
    ficar pelo meio do caminho fikou é daki pra frente…

  4. paulo azevedo chaves

    Na terceira idade os gays estão mais seguros em relaçao à própria sexualidade. Também já têm uma situação definida na vida, não dependem mais de empregadores caretas, de pais e mães que querem casa-los com moças ricas e prendadas. Libertaram-se dos grilhões, em suma. Aos 74 anos, estou plenamente seguro de minha sexualidade e escrevo cada vez mais contos e poemas abertamente gays, com imagens fortes e a linguagem franca das alcovas.

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