Arquivo mensal: novembro 2012

A Promiscuidade anárquica e libertária dos gays

Basement_saunaAmanhã é o dia Mundial de Combate a AIDS. Estima-se  aproximadamente 600 mil pessoas infectadas no Brasil e desse número mais de 66% é de homens e entre eles mais de 40%, é de homossexuais.  As maiores taxas de incidência estão na faixa etária de 30 a 49 anos. Nos últimos dois anos houve aumento nas faixas etárias entre 20 e 30 e acima de 65 anos.

Na semana passada eu fiquei indignado ao ouvir um infectologista dizer numa palestra que vários representantes dos direitos dos homossexuais defendem a promiscuidade como “marca registrada”, para a orientação homossexual pois ela faz parte do cotidiano dos gays e isso não mudará o cenário atual da AIDS em relação aos gays como grupo de risco.

Em 2010, eu escrevi sobre a promiscuidade sexual dos gays maduros e idosos, mas é sempre bom informar com mais detalhes sobre o sexo casual, as vantagens e os riscos –  Sexo, prazer, AIDS, Sífilis, Toxoplasmose, Hepatite, HPV e tantas outras doenças sexualmente transmissíveis!

Duas perguntas merecem os meus comentários, porque durante este ano recebi muitas mensagens sobre o tema: Promiscuidade e AIDS.

  1. Os gays são tão promíscuos mesmo? Eu acredito que não, a sociedade generaliza tudo “de ruim” relacionado aos gays – Quem já fez ou faz pegação sabe que os locais não são adequados, são impróprios, insalubres e imundos, mas fazer o que? Um puteiro não é diferente de nenhum gueto gay, aliás, puteiro também é gueto.
  2. Os gays soropositivos são frequentadores de locais de pegação? Eu também acredito que não, mas tem uma corrente defendendo essa afirmação. Os frequentadores habituais desses locais, talvez nem saibam que estão contaminados – Ao identificar ser portador do HIV, o gay fica traumatizado, se afasta do mundo gay e leva muito tempo para se adaptar à nova vida. AIDS matava nas décadas de 1980/1990, hoje tem tratamento e há  expectativa de vida de muitos anos.

A promiscuidade

  • Está vinculada ao individuo promiscuo, ou seja, aquele que vive perigosamente. Os gays de condições sociais diversas buscam o sexo por prazer em ambientes propícios ao sexo casual.
  • É definida como parte do comportamento sexual humano, portanto gays e heterossexuais estão no mesmo balaio.
  • Ela é anárquica e  libertária – por experiência própria.

No primeiro semestre deste ano, eu conversei com o meu infectologista e ele me pediu para escrever o que eu entendia ser um gay promiscuo e como são os locais de sexo casual e como o ambiente influencia a promiscuidade. A primeira coisa que eu falei na conversa foi: O ambiente não influencia a promiscuidade, o ambiente é consequência dela.

A seguir o meu relato encaminhado ao médico via e-mail:

Dr. Carlos, o gay promíscuo é aquele que não está nem ai para as consequências dos seus atos sexuais e busca o sexo regularmente por longos períodos em locais de pegação, ou seja, nos guetos. A promiscuidade iguala todos os seres humanos, pulverizando as classes sociais e não importando se o sujeito é analfabeto ou culto, pobre ou endinheirado. Os protagonistas do cenário promiscuo sabem dos riscos, mas parece que existe um chave “liga-desliga”, porque os riscos inibem o prazer sexual dos gays.  Nos anos 1980, vários amigos meus morreram em decorrência da AIDS e quase a totalidade se contaminou nos guetos.

Eu fiz pegação por mais de uma década. Era uma sensação louca e delirante – o coração pulsava, a saliva secava, a mente antecipava os acontecimentos junto a outro corpo nu, um cacete ardente, as mãos suadas, as pernas trêmulas – A promiscuidade foi libertária num período anárquico da minha vida. Eu sai de casa e segui meus rumos, sem traumas e com a certeza de que eu estava livre. Hoje vivo muito bem e sem arrependimentos, vivo feliz e sem remorsos. Tudo o que fiz nos guetos com dezenas, talvez uma centena de homossexuais, valeu a pena!

A seguir os principais locais de pegação e o que se faz nesses ambientes:

  1. Cinema de pegação – Cinemas nos centros antigos das cidades que passam filmes pornográficos e com 100% de frequência masculina. Gays e Bissexuais são os protagonistas. Lá a ordem é chupar pau, gozar na boca, esporrar na cara, lamber saco e cu sujo e tudo isso com diversos parceiros; Tem aqueles que vão apenas para olhar, mas a maioria quer mesmo é “fuder”.
  2. Banheiros públicos – pegar no pau de um estranho e sem nenhuma higiene, chupar pau com urina, dar o rabo sem preservativo, bater punheta dentro da cabine com cheiro de merda, sentar no vaso sanitário sujo para fazer um boquete. É sexo selvagem!
  3. Saunas – Apesar de passar a ideia de higiene e limpeza nas saunas tem o darkroom que é o nome dado ao quarto escuro onde não se vê o rosto de ninguém e todos estão lá com a única finalidade de meter, chupar ou dar o rabo. O sexo grupal ocorre de todas as formas imagináveis. Ali ninguém está nem ai para os riscos de contaminação e nem dá para saber se existe exposição ao sangue das pessoas, além de um cheiro horrível de porra no ar – Nas saunas ocorreram o maior número de contaminação dos gays entre 1980 e 2000.
  4. Boates – Um local de diversão e socialização – Muita bebida, drogas e sexo fácil. A fila do banheiro dura a noite inteira pois a maioria fica esperando a oportunidade para olhar um cacete duro. Às vezes dentro do banheiro até rola sexo oral. Os corredores escuros também estão repletos de gays beijando, lambendo, mordendo e apalpando o cacete do parceiro. Não dá pra fazer sexo anal dentro da boate, mas dali para um hotel de viração é um pulo – Tenho notícias de vários gays infectados que frequentam boates regularmente.
  5. Bares – Um local de socialização e aprendizado para os gays mais jovens, mas a frequência de maduros e idosos também é constante. No início da noite todos estão tímidos, mas com o passar do tempo os caras ficam embriagados e ai a fila do banheiro não tem fim. No mictório os paus urinam pouco e gozam muito e fica sempre no ambiente o cheiro forte e ácido de urina misturado com porra.

Nos locais de pegação tem a máxima do “fim de noite” ou “fim de feira”. – É quando não há mais a possibilidade de escolher o parceiro de acordo com suas preferências, então pega-se qualquer um e leva-se para casa ou para o hotel ou motel. Imagine um açougue: Você entra escolhe a carne que está exposta, o açougueiro prepara, embala, você paga e vai embora. Se você demorar muito para escolher as melhores carnes acabam e você vai ficar com a carne de segunda, com sebo, gordura.etc.

Outro fator interessante sobre os locais é que parece coisa do “subconsciente coletivo”, porque em todos esses locais os banheiros são os ambientes preferidos dos gays, exceto na sauna que tem ambientes melhores e o preferido é o Darkroom. Também, não pense que a higiene é das melhores, pois as aparências enganam.

Outros locais de pegação são os muros em avenidas e ruas de grande movimentação noturna das cidades e nos cais de portos do Brasil, onde travestis e garotos de programa não fazem nada diferente das prostitutas.

A promiscuidade faz parte da natureza humana e os gays não mudarão os seus hábitos. O gueto esta institucionalizado e vai levar muito tempo para  alguma mudança. Então aos gays promíscuos de plantão: USEM PRESERVATIVO.

Em suma, não há dúvida de que esses cenários abriram as portas, para um repensar das práticas sexuais e das concepções da sexualidade homossexual. O amor livre dá direito ao desejo e prazer sem repressão e ao alcance de qualquer individuo gay. As consequências correm por conta e risco dos seus protagonistas.

Curiosidade: 

O filme documentário chamado Tearoom feito em 2000 por Willian E. Jones, falecido em 2007 é polêmico. O filme surgiu a partir de imagens de arquivo de uma câmera de vigilância instalada pela polícia de Ohio nos Estados Unidos, num banheiro público masculino no ano de 1962 e que gerou polemica e indignação entre a comunidade gay americana. Durante três semanas, policiais escondidos numa cabine testemunharam o sexo clandestino de inúmeros homens, produzindo provas que os condenaram à prisão. Alguns desses homens teriam se suicidado após a condenação.

O vídeo a seguir tem 9 minutos e faz parte do documentário. As cenas de sexo são reais e filmadas em 1962, portanto há mais de 50 anos

Leia também:

  1. Gays maduros e os banheiros públicos
  2. Gays maduros e a pegação em cinemas
  3. Gays maduros e a pegação em parques
  4. As saunas gays
  5. Bares gays
  6. Bares e boates gays
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O amor homossexual

As relações entre dois parceiros têm muitas variantes. O post de hoje é sobre a relação com AMOR e onde os gays maduros ou idosos entram nessa história.

Outro dia um colega de 50 anos de idade me disse que não está nem ai se encontrar ou não um parceiro para um relacionamento, porque sexo ele encontra e compra facilmente. No futuro com certeza esse cara estará, invariavelmente, sozinho.

Eu vejo isso toda vez que passeio pela Rua Vieira de Carvalho em São Paulo. Os gays idosos estão sozinhos e vivem falando da vida alheia. Gostam de falar dos outros e adoram jogar pragas sobre os casais que estão juntos há muito tempo. – será inveja? Porque estão sozinhos? Bem, estão sozinhos porque a velhice dos gays é assim mesmo, salvo raras exceções.

Também, ouço com frequência os gays reclamando que os mais velhos não querem nada sério a não ser sexo, outros não entendem as evasivas dos mais velhos para dispensar o parceiro após uma relação sexual.

Os próprios gays não acreditam no amor entre dois homens e, por isto, talvez desistido de protagonizá-lo. Trata-se de uma descrença resultante, certamente, da observação de situações alheias e, possivelmente, de decepções pessoais, cujo efeito é o da desesperança em relação a novos amores – o envelhecimento e a beleza física são outros motivos para não acreditar ou apostar numa relação afetiva.

A maior parte dos homossexuais acha-se na impossibilidade de amar, ao mesmo tempo em que,  manifestando-se a sexualidade ao longo da vida e correspondendo a uma necessidade permanente, muitos gays exercem-na como expressão única da sua condição homossexual, o que lhes gerou  uma promiscuidade célebre, caracterizada pela pluralidade de parceiros, pela ausência de afetividade entre eles e pela busca exclusiva do prazer: não podendo amar, restava-lhes o transar.

As gerações passadas, e dentre as atuais, os gays que estão na faixa dos quarenta anos ou mais, foram condicionados, a reprimir a sua natureza, quero dizer, a frustrar a sua sexualidade e a privar-se de amar.

Esta última particularidade resultou em que muitos homens não experimentaram o amor, não aprenderam a estabelecer compromissos afetivos sérios, não idealizaram uma vida a dois, não adquiriram o valor da fidelidade, não puderam estabelecer uma comunhão com quem amassem: da maioria dos integrantes destas gerações não se pode esperar relacionamentos duradouros: em relação a eles, a descrença na felicidade a dois é total.
Eu, particularmente, penso que é possível amar outro homem, como uma expressão da natureza emocional de cada um. Amor e sexo podem existir simultaneamente. Um não exclui o outro e no meio gay isso parece não ser verdade.

Outro dia um leitor me escreveu perguntando por que os gays buscam relações semelhantes aos heterossexuais. Eu respondi que não há diferença entre o amor heterossexual e o homossexual, em ambos, há atração, encantamento, carinho e anseio por compartilhar cada qual da vida do outro; em ambos, encontram-se os mesmos problemas: ciúme, traição, insegurança, desencanto, separações; em ambos, as mesmas virtudes: fidelidade, companheirismo, adaptação mútua, seriedade, realização afetiva e felicidade.

Eu nunca parei para refletir sobre a relação de afetividade entre os jovens. Frequentemente, encontro casais de mãos dadas ou abraçados nas ruas. Isso demonstra que o amor entre iguais já existe entre os jovens e existirá, crescentemente, sobretudo entre eles e em proporção menor entre os mais velhos, o que vem provocando uma alteração bem-vinda e acelerada na psicologia dos jovens gays, face ao anseio de muitos deles pela afetividade e ao esforço pela sua realização. A felicidade de dois homens entre si corresponde a um objetivo cada vez mais alcançável e merecedor da tentativa dos interessados nele.

Infelizmente, os gays que gostam de homens maduros e idosos ainda sofrerão a falta de afetividade porque isso é um processo de mudança que não acontece da noite para o dia. Mas há uma luz no fim do túnel, porque os gays idosos estão buscando nos parceiros maduros e idosos a afetividade perdida há muito tempo ou nunca vivenciada.

Aos mais velhos cabe uma reflexão sobre sexualidade, afetividade e “não aceitação” da homossexualidade. Vivemos tempos que se fala em casamento gay e união estável, muitos até acreditam que dois homens podem dar certo, enquanto família.

E você caro leitor, como vê o amor homossexual?

Leia também:

  1. Relação estável entre gays – até quando acreditar
  2. Mais sobre relações estáveis
  3. A difícil arte das relações estáveis entre gays
  4. Gays maduros – a difícil arte dos encontros
  5. A mudança de preferências sexuais entre os gays
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