Uma louca paixão homossexual

Se você se apaixonasse por um gringo de meia idade e ele lhe convidasse para morar com ele no estrangeiro, você deixaria tudo para trás e aceitaria o convite?

A propósito do caso entre Verlaine e Rimbaud, ambos poetas na França do final do século XIX. Paul Verlaine era um homem maduro, muito católico, bem casado com Mathilde Mauté. Quando conheceu o jovem Rimbaud, apaixonou-se e deixou tudo para trás – inclusive a reputação – para segui-lo em viagem para a Bélgica e outros países.

Essa história foi retratada no filme Eclipse de Uma Paixão, com Leonardo Di Caprio, aliás, fenomenal no papel de Rimbaud. A paixão avassaladora e louca une os dois numa corda bamba que vai da genialidade à violência e autodestruição.

Caro leitor, pense na relação inversa: um homem jovem ou maduro que se apaixona por um estrangeiro mais velho e se propõe a segui-lo para viver com ele fora do país.

Você teria coragem de assumir este risco? Você deixaria tudo para trás para ir viver com outra pessoa no estrangeiro motivado por uma paixão irresistível? Olhe bem, interesse financeiro aqui não vale.  A motivação deve ser amor mesmo.

Uma história de Paixão

Em 1975, numa lua em gêmeos, após uma noite mal dormida em dias, e o encontro com o meu amante antes do meio dia marcou o início de uma louca paixão.

Este bloqueiro que lhes escreve conheceu um gringo de 50 anos de idade, recém-chegado na cidade de São Paulo vindo de Nova York onde morou durante dez anos. Ele passou por aqui em viagem de férias para depois retornar à América e seguir sua vida, mas o inesperado aconteceu – Uma louca paixão.

As paixões são maravilhosas, mas também perigosas – Eu perdi além da família, a virgindade, o amor próprio, o dinheiro, a educação escolar e enveredei por caminhos lúgubres de álcool e  drogas, assim como Verlaine e Rimbaud com Absinto, haxixe e ópio.

Meu amante gringo alugou um apartamento na cidade  para ficar comigo. O sexo rolava duas ou três vezes ao dia e as noites eram regadas a álcool, maconha e drogas sintéticas – Estávamos sempre bêbados ou drogados.

Nos meses subsequentes o amor homossexual aflorou ao ponto de ficarmos trancados no apartamento durante semanas e numa outra ocasião ficamos dez dias num quarto de hotel na cidade de Santos vivendo de sexo e bebidas alcoólicas.

Eu não enxergava nada que não fosse o meu amante e ele era mais louco do que eu.  Meu amante largou tudo. Um bom trabalho em Manhattan,  o convívio com amigos e familiares, os trabalhos sociais e voluntários e um futuro brilhante.

Após um ano ele tomou coragem para me dizer que o dinheiro tinha terminado e não tinha mais como ficar comigo. O pouco que sobrou ele reservou para sair do Brasil e ir de ônibus para Buenos Aires na Argentina onde poderia conseguir trabalho temporário para fazer dinheiro e retornar para a América. Ele queria me levar, mas eu tinha apenas 16 anos e ele sabia que ali seria o fim.

Numa noite fria de chuva fina o fogo da paixão abrandou. Na rodoviária de São Paulo e da janela do ônibus um aceno, uma lágrima, o adeus.

Eu voltei para a casa dos meus pais e durante um ano trocamos correspondências regulares. Mas como tudo na vida acaba inclusive as paixões, nossos contatos ficaram escassos, até o silêncio total.

As relações humanas tanto quanto as homossexuais estão repletas de histórias semelhantes à minha, aliás, eu não tive apenas essa louca paixão. Quatro anos depois aconteceu novamente, com outro gringo, mas ai é outra história que contarei noutro post.

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Sobre Regis

57 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 05/10/2012, em Contos da cidade, Relacionamento, Sexualidade e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 11 Comentários.

  1. Getulio Silva

    Eu fui apaixonado por um cara de são Paulo que fazia planos de irmos pra America, ai fui descobrindo que tudo era mentira, pois ele era do armário e nunca assumiria uma relação comigo… Depois que terminamos ele me perseguiu por anos e anos, simplesmente para não perder por machismo, penso eu!
    Hoje vivo feliz da vida com meu amor verdadeiro…

  2. Gostei muito proveitosa parabéns

  3. roberto almeida

    Isso tudo que foi dito a cima é uma questão de criação! pessoas sérias e de bom carater não atuam deste jeito! Se a pessoa topa conviver com o outro, ele tb passe a trabalhar ou ajudar o parceiro se for empresario e a noite se encontram e vivem a paixão do sexo e o amor, do espirito! Pode até mandar dinheiro para a familia no caso se for casado!!! ajudando a mulher e os filhos! Isso faz parte das pessoas boas de coração… E aí vem um convivio de 100 anos, um respeitando o outro! Como homens e como bom amantes! inclusive um lavando a cueca do outro e se preocupando com a gripe do outro ou qualquer doença que surja! Este é o bom viver de duas pessoas que passaram a se gostar!!! se um não tem tesão o outro o alimenta com o seu tesão ou procura ajudar para que o outro tenha! viemos ao mundo para a amar a Deus e ao proximo como a si mesmo. bjs para todos

  4. Eu já fiquei com vários gringos. Alguns foram paixão avassaladora e recebi convites para ir para Europa, Argentina e NYC. Nunca fui por ter certeza de que não duraria mais do que três mesês lá fora. Como estudava se tornou complicado e sempre fui pé no chão, mesmo assim quase que fui uma vez. Isso aconteceu também dentro do Brasil, pessoas que me chamaram para mudar de estado. Hoje moro fora do Brasil, tenho um affer Francês, ele já falou de ir comigo para o Brasil, eu jamais pediria para alguem me acompanhar ( por que minha profissão exige mudanças continuas de país). Já vivi paixões avassaladoras regadas a drogas, alcool e muito sexo. Pena que sempre vieram as mudanças por minha parte de cidade, de país. Acho legal e louca esse tipo de história na vida de muitos.
    Hoje, eu não deixaria meu bom êxito profissional, mas amanhã não sei.
    Saudações desde outro lado do ocêano.

  5. Um excelente post! Um bom exemplo na comunidade gay (essas experiências já vividas por alguém). Talvez essa situação seja comum: a “louca paixão homossexual”, por que os “gays”, naturalmente são aventureiros, passando bons e péssimos momentos na vida. A paixão é uma armadilha que armam para ser caído e, ou seja, o feitiço virou contra o feiticeiro. Imaginam, quantas pessoas têm uma historia de uma (louca paixão homossexual), para ser contada. Não que todas sejam ruins, nesse meio há também, excelentes histórias exercitantes.

  6. Quando eu tinha uns 22 anos conheci um suiço, mais velho que eu a principio foi só uma paquera mas com o tempo cartas começaram a escrever e telefonemas, fui num final de ano e fiquei 3 meses em zurique na parte alemã, conheci tanta coisa bonita, aprendi muito amei muito, voltei….. depois de um ano e meio voltei de novo e minha familia nunca soube…
    olha a loucura…… voltei para o brasil para terminar meus estudos e terminei..ficou comigo aqui no brasil e fui morar no recife. O amor passa o tempo e o tempo passou o amor…..
    Vivi o que tinha que viver com esta pessoa.a partir daí eu percebi que navegar é preciso, viver não é preciso ( no sentido de premeditar se vai dar certo ou não.neste sentido …mas….fui feliz sim…..

  7. Eu deixei tudo, inclusive o + importante: família, para viver com outro homem na Europa.

    Só que EU sou o gringo, na época com 51 anos, ele com 25. Eu era louco por ele e sentia um desejo e prazer indescritíveis. Depois de um mês tive certeza do óbvio, que no fundo eu sempre soube: ele apenas tinha me usado para chegar lá e subir na vida.
    Ele se transformou. O antes amoroso, agora fazia tudo para me irritar. Pior: me hostilizava e humilhava. Ligava para a mulher na minha frente e dizia que ia ficar lá, trabalhar, juntar dinheiro e mandar a passagem para que ela fosse se juntar a ele.
    Fui embora levando tudo que havia lhe dado, até toalha. Depois soube que ele tinha dormido na rua, e depois clandestinamente num apartamento em reforma.
    O que aconteceu depois? A mulher pediu divórcio. Ele ainda me liga de um país atrasado da América do Sul onde vive. Eu o escuto e converso normalmente, ele mesmo me ensinou a ser falso. Mas para mim ele é apenas um nada.

    • ivan,espero sinceramente que hoje vc esteja muito bem amando e sendo amado por alguem digno!um abração e td de bom pra vc!

  8. sem comentários, essa falta de respeito consigo próprio.

    • Ismael, a vida é uma coleção de situações que lá na frente servirão de aprendizado. Talvez, a paixão nos faça desrespeitar qualquer regra ou condição. Você largaria tudo para viver uma paixão por um gringo e ir viver no seu país de origem?. Esse é o tema do artigo.
      abraços

  1. Pingback: Turismo sexual e homossexual « Grisalhos

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