O gay idoso no Brasil

Caro leitor, prepare a cadeira porque hoje o artigo é longo

Até 2025, o Brasil será o sexto país do mundo com o maior número de pessoas idosas. Pelo menos segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Essa informação serve de alerta ao governo brasileiro para a necessidade de se criar políticas sociais que preparem a sociedade para essa realidade.

Conforme senso do IBGE de 2010, mais de 20 milhões de pessoas no Brasil tem mais de 60 anos. Estima-se que são mais de um milhão e meio de gays idosos, entre homens, lésbicas e bissexuais.

As necessidades dos gays idosos são semelhantes às necessidades de qualquer idoso heterossexual, homem ou mulher, além de outras necessidades decorrentes da sua sexualidade.

A maioria dos serviços de apoio e as pessoas que trabalham nos cuidados da saúde, habitação ou trabalhos sociais não entendem quando se trata das necessidades e aspirações dos gays idosos, lésbicas e bissexuais.

Na velhice os gays querem as mesmas coisas que os idosos heterossexuais. Isto inclui permanecer em suas próprias casas o maior tempo possível e ser tratado com respeito e dignidade quando necessitam de cuidados ou dos serviços de saúde.

Eu não sou estudioso das questões sociais, mas dá para entender que mais da metade dos gays idosos que vivem nas grandes cidades brasileiras sentem que na velhice a sua orientação sexual tem ou terá um efeito negativo.

Os gays são muito mais propensos do que os heterossexuais a encarar a perspectiva de viver sozinho, com ajuda de alguns poucos amigos ou familiares e, portanto, são mais dependentes dos serviços públicos ou serviços particulares de apoio ao idoso.

O Brasil é um país continente e o gay idoso está inserido em três grandes cenários:

  1. As capitais dos estados e grandes cidades – acima de 1 milhão de habitantes
  2. As cidades médias – entre 150 mil e 1 milhão de habitantes
  3. As cidades pequenas do interior dos estados – até 150 mil habitantes

Nesses cenários há também os regionalismos e as culturas locais que influenciam na forma como o gay idoso expressa suas preocupações sobre o futuro por ter que esconder a sua orientação sexual quando há a necessidade de cuidados sociais ou quanto tem que se mudar para uma casa de repouso que é projetada para os heterossexuais e sobre a falta de oportunidade de conviver com outros gays idosos.

Como no Brasil não existem pesquisas sobre o tema, eu elaborei uma lista de situações para mostrar a nossa realidade em relação aos heterossexuais.

  • Os gays idosos e os homens bissexuais tem mais probabilidade de estar solteiros na velhice do que os heterossexuais;
  • Mais de 50% dos gays idosos, lésbicas e bissexuais vivem sozinhos se comparados aos idosos heterossexuais;
  • Gays, lésbicas e bissexuais idosos tem menos probabilidade de ter filhos ou de conviver com familiares biológicos;
  • Os gays também são mais dependentes de bebidas alcoólicas e drogas se comparados ao universo heterossexual;
  • Lésbicas e mulheres bissexuais são mais propensas do que as mulheres heterossexuais de serem diagnosticadas com quadro de ansiedade e depressão;
  • Os gays idosos têm muita desconfiança e medo quando necessitam utilizar os serviços públicos de saúde ou de apoio social;

Essas situações são apenas alguns poucos exemplos dentro do universo de situações vivenciadas diariamente por todos os gays idosos no país.

As condições atuais são melhores do que as vivenciadas por gays idosos entre a segunda metade do século XX e o início do século XXI, mas ainda estamos muito longe do ideal.  O Brasil está atrasado nas questões das leis e direitos civis da população LGBT.

O problema é real e cada um enfrenta a sua realidade de formas diferentes. A grande maioria do cidadão LGBT, em qualquer cidade do Brasil vive sem o apoio de parentes ou amigos. A minoria privilegiada que preparou a velhice com respaldo financeiro, paga por serviços particulares, mas isso não os privilegia, porque os profissionais das áreas sociais e da saúde não estão preparados para entender nossas necessidades especiais. Essas necessidades especiais não seriam necessárias se houvesse uma cultura favorável à diversidade sexual dos cidadãos brasileiros.

Falam tanto que na velhice a volta ao armário é compulsória para proteger a integridade física e moral dos gays. Falam em asilos privados direcionados à população LGBT, como um confinamento em guetos.

O segmento da iniciativa privada no país consolida produtos e serviços e explora o grande potencial de consumo dos gays, mas não existe nenhuma iniciativa para retribuir o consumo versus compensação de serviços específicos para os gays na velhice. A iniciativa privada não dá aos gays jovens, maduros ou idosos a contrapartida que o segmento GLS contribui nas arrecadações desse Mundo Mix.

Eu acompanho trabalhos acadêmicos que tem como foco o idoso homossexual, mas eu não vejo nada de concreto que me permita ter uma perspectiva positiva ou otimista para a velhice dos gays para os próximos vinte ou trinta anos.

O estado é omisso nas questões LGBT, portanto, o que podemos esperar para o futuro? Enquanto os evangélicos e radicais atacam todas as propostas de direitos civis dos gays em prol da tradicional família, o tempo passa…

Há um êxodo rural dos gays que migram para os grandes centros urbanos fugindo da homofobia e isso se transforma noutro problema que são os gays de rua, moradores de cortiços e grandes bolsões de pobreza, com pouca ou sem nenhuma qualificação profissional. Isso tudo direciona para a marginalidade e o mercado das drogas e do sexo e cria um submundo de cidadãos com baixa remuneração e os mantêm até a velhice numa faixa de baixa renda e dependentes de uma aposentaria oficial inadequada, se comparada às melhores do mundo. Sim, porque o Brasil já é a sexta economia do mundo.

Hoje existem ONGs por todo o país que defendem os direitos dos gays e é possível contar nos dedos as poucas que dedicam espaço para tratar das questões dos gays idosos. A essa minoria os meus parabéns! Isso não é crítica à militância, mas a constatação de que existem outras prioridades de direitos.

Os gays idosos de todas as classes sociais são invisíveis, inclusive, dentro das comunidades LGBT e isso é um indicador que o processo de mudança será mais lento pela não aceitação da velhice como um processo natural e você pode até morrer antes mesmo de ter acesso ao convívio pacífico entre os gays mais jovens e melhores serviços sociais e de saúde.

Os gays idosos mais carentes estão no extrato social que incluem travestis, gays moradores de rua ou de albergues públicos, dependentes de drogas e desempregados. Esses são os excluídos dos excluídos e não pense você porque pertence à classe média ou da classe A que pode se dar ao luxo de pensar que a sua velhice está garantida, porque na hora da necessidade você tem o recurso financeiro para pagar o melhor serviço particular de saúde e social, mas a sua situação é igual à de todos os demais níveis abaixo do seu, porque o que nos iguala é a nossa homossexualidade.

Atualmente os gays idosos sofrem um novo tipo de preconceito. É a homofobia nos asilos. O assunto é pouquíssimo comentado no Brasil, aliás, no mundo inteiro. Na velhice o seu dinheiro pode não garantir um lugar num asilo, porque há asilos, por exemplo, que nem aceitam homossexuais.

Um tipo de ocorrência muito frequente é a homofobia de médicos, plantonistas e enfermeiros e enfermeiras dos hospitais públicos e particulares. Os gays, principalmente os idosos que carecem de cuidados especiais são maltratados nas filas de espera dos plantões, no atendimento emergencial e em exames de rotinas.

Outro fator preocupante é o aumento dos índices de violência. Com mais visibilidade na sociedade os gays são vitimas de homicídios e latrocínios, principalmente nos grandes centros urbanos do país. A violência contra o gay idoso é ainda mais acentuada, face à sua vulnerabilidade física. Não vou entrar nos detalhes da ineficiência dos nossos serviços de segurança pública.

Nas capitais brasileiras estão surgindo as igrejas inclusivas, mas se você fizer uma visita não vai encontrar nenhum gay idoso por lá. Essas igrejas fazem parte de um movimento que visa dar ao gay a possibilidade de externar a sua fé e criar vínculos de amizades. Não se sabe o que acontecerá quando esses gays envelhecerem.

Outro dia um amigo me falou: Se você quer ganhar dinheiro no Mundo Mix comece a pensar em algum serviço privado de amparo ao gay idoso que vive na metrópole e que tem condições financeiras de pagar por serviços qualificados.

Isso ficou na minha cabeça por um mês e após pensar bastante sobre o assunto eu dei a ele os créditos por essa visão tão óbvia. O futuro dos gays idosos no Brasil está nas mãos da iniciativa privada e não do estado porque não existe no Brasil nenhuma política de proteção ao gay idoso e não há perspectivas de que tão cedo tenhamos uma luz no fim do túnel para as questões dos gays, lésbicas, bissexuais e transexuais.

Notas:

  • Caro leitor, esse texto é uma coleção de ideias que fui juntando durante o último inverno brasileiro.
  • Fique à vontade para comentar, copiar, criticar e se quiser compartilhe o texto na sua rede social, blog ou twitter.
  • Eu não sou nenhum sociólogo ou jornalista. Eu sou apenas um cidadão comum, homossexual de cinquenta e três anos e que compartilha ideias comuns aos gays maduros e idosos.

Abraços, Regis

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Sobre Regis

58 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 27/09/2012, em Opinião, Sociedade e marcado como . Adicione o link aos favoritos. 6 Comentários.

  1. A meu ver a situação dos idosos gays para os idosos héteros, não é muito diferente neste país.

    A grande problemática é que o gay acha que vai ficar jovem a vida inteira, que a vida resume-se em uma eterna festa e não pensam no amanhã. Muitas vezes envelhecem e não possuem sequer uma casa própria para morar. Ai a coisa realmente complica, pois recebem uma aposentadoria minguada, pois não investiram em formação alguma, os parentes rejeitam (pois são velhos e duros), e se tem que contar com a caridade dos raros amigos.

    Outra questão agravante é a faltam opções de lazer e entretenimento voltados exclusivamente para o gay idoso, que devido a essa deficiência se tornam alvos fáceis de oportunistas. Atualmente a chamada melhor idade, conta com muitas iniciativas neste sentido (grupos, passeios, esportes, turismo social, viagens e hospedagens a preços módicos, oficinas, etc, etc, etc), mas para o idoso gay não existe praticamente nada. Obviamente nada impede que um gay também participe, mas ele gostaria de estar junto a pessoas iguais a ele.

    E acho que o apóio aos gays idosos deve partir dos próprios gays, não esperem pelo estado, nós mesmos devemos fazer acontecer. Pois o gay jovem de hoje, será o gay idoso de amanhã.

    Como fazer ?

    Primeiramente levantando, analisando, valorizando e divulgando o que já existe voltado para o idoso gay. Exemplos: grupos diversos, casas de espetáculos, bares, peças de teatro, saunas, clubes, atendimento médico, atendimento jurídico, agência de emprego, serviço voluntário, asilos, etc.

    Segundo, criar associações voltadas para o gay idoso, com a finalidade de se criar espaços, serviços e apóio. Como bem foi dito no texto acima, muitos gays idosos vivem sós, e as vezes querem alguém simplesmente para conversar. Um disque idoso gay ou a criação de um grupo para encontros esporádicos seria a solução.

  2. Queira parabenizar pela ideia e conhecer vc pra conversar.!

  3. Regis, primeiramente parabéns pelo artigo, uma visão de mundo enriquecedora, para pensar e entender a sociedade que vivemos. Como você concluiu, que não é Sociólogo ou Jornalista. É apenas um cidadão comum. Para mim você é, mais que um Cientista Social, Antropólogo ou Jornalista, etc. em fim, você é um gênio filosófico da sociedade moderna, do mundo gay como um todo. Desculpa pelo o que eu achei de você!
    Vamos ao artigo!
    No Brasil, atualmente vivemos, uma política publica fragmentada em todas as partes. “Sempre foi”! Depois das idéias, da globalização, mais fragmentada as políticas públicas se tornaram nos países dito Emergentes (Brasil). As idéias, de viver o mundo globalizado, criaram uma sociedade, competitiva e individualista. Quando falamos na sociedade LGBT, a situação é cada vez, mais chocante, por um grupo diferente, povos do mesmo povo, que vive na mesma sociedade, com direitos diferentes.
    A estimativa, que até 2025, o Brasil será o sexto país do mundo com o maior número de pessoas idosas. Comparando o senso do IBGE de 2010, numa população de 190.755.799 de habitantes, mais de 20 milhões de pessoas tem mais de 60 anos. Estimando mais de um milhões e meio de gays idosos, entre homens, lésbicas e bissexuais. Servem de alerta para o governo, porém, o crescimento vegetativo do Brasil é alto, isto não é situação para o governo preocupar, em projetos de Política Pública para população idosa. Compare a pirâmide etária do Brasil, com os países desenvolvidos. Possa ser que até 2025, o Brasil não seja o sexto pais do mundo com o maior numero de idosos. No Brasil, existe a política de incentivo, o aumento da população, podemos passar despercebidos, exemplo do incentivo o aumento população é: auxílio maternidade para desempregado, renda mínima, etc. o povo é inocente e continua a se reproduzir para obter esses benefícios do governo, sem consciência, do futuro dos seus filhos, o futuro do nosso país. Assim, o governo está contribuindo, com exclusão, criando uma nação marginalizada. O governo não pode ser assistencialista, deve trabalhar por uma nação melhor, atendendo a população, com os serviços publico de qualidade.
    O Brasil tem um excedente número de jovens, para sustentar a força do trabalho no país. O governo não vai investir em política publica para atender a população idosa, em nenhum aspecto social […] vivemos na era dos tempos modernos. Maior a população, maior a pobreza e maior acumulação para o detentor do capital. Será privilegiado, quem poder pagar pelo o serviço privado, oferecido na sociedade.
    Na sociedade os idosos de ambos os sexos, é um estereotipo. E no meio LGBT, como ficam os idosos que pertencem aos grupos excluídos? Podemos ser iguais, por sermos, homossexuais, lésbicas e bissexuais; e tem a mesmas possibilidades.
    (…) estar solteiros na velhice do que os heterossexuais; tem menos probabilidade de ter filhos ou de conviver com familiares biológicos; também são mais dependentes de bebidas alcoólicas e drogas se comparados ao universo heterossexual; são mais propensas do que as mulheres heterossexuais de serem diagnosticadas com quadro de ansiedade e depressão; têm muita desconfiança e medo quando necessitam utilizar os serviços públicos de saúde ou de apoio social (O gay idoso no Brasil).
    A estabilidade financeira faz uma imensa diferença na sociedade. Neste mundo cheio de empreendedorismo, vai ter empreendedorismo, para atender, as calasses bastardas, de ambos os sexos, o que já começa a existir no meio LGBT: hotel, bar, restaurante, asilo de luxo, cruzeiro marítimo, etc. para os héteros, existe asilo de luxo, “embora, alguns não aceitam gays”, com foi citado no artigo (O gay idoso no Brasil).
    No mudo moderno, isso não vai continuar. O que vai continuar é a exclusão de classes, sofrendo a precariedade dos serviços públicos. Na sociedade, já há um exclusão social, o que podemos ter na sociedade é um divisão na política. Havendo uma privada e outra pública, ainda assim a pública trabalhando para atender a privada, com já esta sendo.
    O aumento da criminalidade, não é nada mais, de que má planejação das Políticas Públicas. Cada vez essa situação vai proliferar no Brasil. Atualmente o Brasil incentiva o aumento da população e consumo. E o governo não faz nenhum investimento, para que essa população chega à maturidade com qualidade de vida. A população deve é lutar para quê, essa Política Pública que estamos vivendo atualmente não continue. A marginalidade é a mesma, pode ser diferente dessa época que vivemos os inchaços urbanos de uma população fruto do êxodo rural dos últimos 50 anos; apenas uma segunda geração da população já existente, nos centro urbanos.
    (O gay idoso no Brasil).
    (…) Há um êxodo rural dos gays que migram para os grandes centros urbanos fugindo da homofobia e isso se transforma noutro problema que são os gays de rua, moradores de cortiços e grandes bolsões de pobreza, com pouca ou sem nenhuma qualificação profissional. Isso tudo direciona para a marginalidade e o mercado das drogas e do sexo e cria um submundo de cidadãos com baixa remuneração e os mantêm até a velhice numa faixa de baixa renda e dependentes de uma aposentaria oficial inadequada, se comparada às melhores do mundo. Sim, porque o Brasil já é a sexta economia do mundo.
    A homofobia contribui para essa situação, mas, a procura de melhores condições de vida contribui ainda mais, obtendo uma população urbana marginalizada de ambos os sexos. Se tornado os centos urbanos, composto por grupos sociais excluídos; e uma sociedade com um maior índice da criminalidade, pela decadência da classe media emergente que não, pode ter educação e saúde de qualidade e emprego garantido. Em alguma meio, inclusão, e idéias utópicas.
    O Brasil é sexta economia mundial, mas, o desenvolvimento social deixa a desejar em todos os aspectos, humano e social.
    – Com está citado no artigo. Se você quer ganhar dinheiro no Mundo Mix comece a pensar em algum serviço privado de amparo ao gay idoso que vive na metrópole e que tem condições financeiras de pagar por serviços qualificados – uma boa dica para os empreendedores. É essa política que vamos viver futuramente, pena que nem todos vão participar dessa política.
    Regis desculpa esse meu exagero, isto não é um comentário, é o que penso da sociedade. Só fiz isto, porque você falou que podia fica a vontade.
    Abraços, bom fim de semana!

  4. Este post para mim é um tratado sobre velhice-gay, tudo escrito é mais pura realidade.
    a conclusão que eu tiro: estamos todos no mesmo barco, independente da situação
    financeira.Então a solução para isso é viver a cada dia como se fosse o último, viver
    vida simples, e ser sempre resiliente. Fazer do limão uma limonada melhor ainda: uma
    caipirinha tim-tim voltei….
    Obs: estive ausente e vivi meses inesquecíveis por conta de uma paixão, agradeço a
    vida pela oportunidade , mais uma estória para contar rsrsrs……………

  1. Pingback: O comportamento social dos gays idosos | Grisalhos

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