Mais sobre relações estáveis entre gays

Uma vez eu li os resultados de uma pesquisa feita por uma ONG do Rio de Janeiro sobre o comportamento dos homossexuais acima de 60 anos. A pesquisa indicou quase 80% dos gays idosos que declararam viver relações estáveis. Talvez seja esse o motivo de você procurar e quase sempre não encontrar gays idosos disponíveis para relacionamento.

As relações estáveis possuem algumas características bem definidas. Desde a convivência diária onde se cria um vinculo social, também, bem definido até convivências eventuais que perduram por longos anos. Há que se considerar também a homofobia internalizada em cada um de nós porque isso vai direcionar alguns aspectos dessas relações.

Há aqueles que se declaram a favor das relações abertas porque ninguém é dono de ninguém, mas na raiz dessa opção está a incessante busca por um parceiro. As relações abertas pressupõem a liberdade individual de cada uma das partes.

Existem casais que após longos anos de relacionamento acabam partindo para relações abertas devido à acomodação ou à falta de interesse sexual. Daí, um dos parceiros, ou ambos, saem na busca de novos parceiros  e companheiros para sexo.

Enquanto uma das partes não se apresenta com outro parceiro, tudo bem, mas quando aparece um novo pretendente, a situação se complica e aí aquilo que era consenso se transforma numa guerra pessoal, com perdas para ambas as partes, inclusive, com o fim de amizades de longas décadas.

Sentimentos como posse, ciúmes, propriedade de direito à amizade afloram instantaneamente. Talvez isso seja uma defesa natural ou porque os gays são mais passionais do que racionais.

Um dos motivos para “pular a cerca” é não dar conhecimento ao parceiro sobre as relações sexuais fora do relacionamento. Mentir ou omitir é um verbo corrente nas relações. Vale o provérbio popular: “O que os olhos não veem o coração não sente“.

Nas relações estáveis entre os gays, além do sexo, do afeto ou da amizade cria-se um mundo particular e incluir neste mundo uma terceira pessoa é inadmissível. É o que eu chamo de concorrente porque concorre para ocupar o lugar do parceiro, substitui-lo em todas as situações, inclusive, sociais. Para a maioria dos gays é fácil se adaptar a essas situações, mas na velhice é mais difícil.

Essas situações são dolorosas e para minimizar os sofrimentos é melhor romper definitivamente a relação. O tempo se encarrega de cicatrizar todas as feridas.

Toda relação pressupõe um início, um meio e um fim.

Um amigo me falou: Eu posso perder o meu caso para outro homem, mas jamais vou permitir perder a amizade e cortar os vínculos afetivos. Será que isso é possível? Quando uma relação termina, inicia-se um novo ciclo. Aos poucos o ex-companheiro vai se afastando naturalmente. Aqui o tempo também se encarrega de fazer a sua parte.

A partir do momento que outro homem entra na sua vida, ele vai tomando conta de tudo: do sexo ao coração, do cotidiano ao convívio social e até familiar. Muitos preferem iniciar um novo ciclo de amizades, com a exclusão do ex-companheiro para evitar conflitos.

Os gays idosos se apegam aos parceiros e se tornam dependentes deles. Eu posso estar errado, mas a dependência é decorrente do isolamento social, insegurança emocional e solidão presente na velhice dos gays.

Eu conheço alguns gays idosos em relações estáveis que fazem “contratos de convivência” para não perder o parceiro. Alguns chegam ao extremo de transferir aos companheiros parte ou a totalidade dos seus bens patrimoniais como uma forma de compensação. Sim, isso existe e é cada vez mais frequente.

Um casal de São Paulo e que estão juntos há 28 anos é um bom exemplo: O mais velho tem 79 anos e o mais novo 53 anos. O mais velho transferiu todos os seus bens para o parceiro, com a condição de ser cuidado até a morte. O mais velho tem diabetes e outros problemas de saúde e o contrato das obrigações está registrado em cartório. Já as concessões da relação aberta para sexo foram negociadas verbalmente.

Não existe uma fórmula para combater a solidão, mas o aprendizado de cada cidadão gay traz experiências únicas – O que vale pra mim não vale pra você.

Dizem que a solidão é um estado de espírito, mas preparar o espírito é fácil, porque o difícil é aceitar isso no dia-a-dia, pois envolve aprendizado e aceitação das limitações físicas, bem como, amor próprio.

Quando ocorre uma ruptura, os envolvidos sempre perdem, mas um perde mais do que o outro e esse é o mais frágil, o mais dependente, o mais emocional.

Enfim, falar das relações estáveis entre gays não é fácil, mas é possível passar uma mensagem e mostrar que essas situações existem no mundo real.

Veja ai embaixo os posts que estão relacionados com este artigo:

  1. Relação estável entre gays, até quando acreditar?
  2. A difícil arte das relações estáveis entre gays
  3. Porque os gays maduros são assim?
  4. Liberdade e ciúmes dos gays maduros
  5. Gays maduros lidando com separações
  6. Gays maduros descomplicando as relações
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Sobre Regis

57 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 26/09/2012, em Comportamento, Relacionamento e marcado como . Adicione o link aos favoritos. 9 Comentários.

  1. olá regis tudo bem?
    Gostaria que quando fosse possível um post sobre. Eu estou apaixonado pelo amor( sensação) e
    não pela pessoa que eu julgo amar, pode ser?
    Obs: saudades de todos estive ausente, nunca pensei ke algo tão especial pudesse
    acontecer na minha vida,uma paixão….era pegar ou largar….pegay…rsrs
    ai ke loucura, Eike batista Ai ke tudo…ITS ALL

  2. Já vi vários post neste blog sobre relações-gays e é difíciil chegar a alguma conclusão
    lógica. sempre bati nesta tecla: relacionamento dá certo para quem sabe o valor da so-
    lidão….ou melhor solitude.. Não estou negando o quanto é bom amar e ser amado ou
    ter um companheiro na vida. Mas viver em estado de suspensão com as endorfinas a
    flor da pele…emoções..paixões.Muitos dos gays se apaixonam pelo amor e não pela
    pessoa amada é a idealização de um príncipe que irá nos fazer feliz para sempre, ISTO
    É INFANTIL, ILUSÓRIO E UM DESPERDÍCIO DE VIDA..
    Então vamos conhecer ao menos os processos jurídicos, as diferenças entre uma relação
    estável e de um casamento, aprendi coisas interessantes neste blog EU SAPA , leiam please.

  3. Reblogged this on Eu Sapae comentado:
    Muito bom o texto a sapa recomenda….

  4. paulo azevedo chaves

    Sou um cínico: relação estável entre 2 gays idosos é busca de companheirismo, segurança. Relação estável entre um gay idoso e um jovem é chifre na certa.

    • Olá Paulo, a relação estável entre um gay idoso e um jovem é chifre na certa. Por qual parte? Por que eu tenho 22 anos e meu parceiro 64, nossa relação estável já vai completar cinco anos, eu nuca traio o meu parceiro. Às vezes eu penso em algumas aventuras, mas, não compensa trocar o certo pelo o duvidoso. Se ele me trai, ainda não chegou o ponto de eu descobrir. Com o ditado, “o que os olhos não vêem o coração não sente”! Eu acho que a traição depende de cada indivíduo, independente da idade. Se for para eu viver um relacionamento estável fechado, aonde rola a traição em ambas; eu prefiro um relacionamento liberal. A questão e o seguinte: confia em seu parceiro e da confiança a ele ou vive um relacionamento liberal, porque a desconfiança é um dos motivos da má convivência, independente do relacionamento idoso com jovem, jovem com jovem e idoso com idoso.

  1. Pingback: Será o fim das relações estáveis? | Grisalhos

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  4. Pingback: O amor homossexual « Grisalhos

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