50 anos de cinema gay

Os especialistas em cinema informam que neste ano o cinema gay completa setenta anos.

Eu sou um cinéfilo de carteirinha e desde a minha juventude procurava os  filmes temáticos para entender a minha homossexualidade, pois naquela época não se falava sobre sexo nas escolas, muito menos entre os familiares ou amigos mais íntimos.

Realmente os primeiros filmes com abordagem indireta sobre a homossexualidade ocorreram nos anos 1940-1950: Festim diabólico, juventude transviada, De repente no último verão, além de alguns clássicos como Ben-Hur e Spartacus. Até ali os romances ou as paixões eram disfarçadas.

A partir de 1960 surgem os primeiros filmes a tocar no tabu do universo lésbico: Infâmia e Apenas uma mulher –>> Aqui eu começo a contar como cinema gay. Assista ao filme Apenas uma mulher e você entenderá porque.

Nos anos 1970, surgem os personagens gays em filmes como: Pink Narcissus, Louca Paixão e Sem controle, além do clássico Satyricon de Felini e os filmes  do cineasta gay Lucchino Visconti.

Em 1971, o filme Os Rapazes da Banda, recém-lançado em DVD no Brasil pela Livraria Cultura, retrata um grupo de amigos gays que resolve comprar um michê para dar de presente a um gay idoso que está fazendo aniversário – Naquele ano  começava o cinema gay em sua plenitude, o universo, os hábitos e personagens que todos nós conhecemos e nos identificamos, as situações vividas por todos os gays de todos os sexos, idades e raças.

De lá para cá o cinema gay saiu do underground e tornou-se adulto com temas polêmicos, humanos e cômicos: O Segredo de Brokeback Mountain, Filadélfia, Milk, Priscila a Rainha do Deserto e a Trilogia da Gaiola das Loucas. Entre as décadas de 1990 e 2000, tem uma infinidade de outros filmes importantes da França, Alemanha, Canadá, Israel, Portugal, Indonésia e japão.

No Brasil o tema ainda é tabu e poucas produtoras se arriscam neste universo. Destaques para A Rainha Diaba de 1973, os Imorais e Anjos da Noite de 1979, Madame Satã de 2002, Do começo ao fim de 2008 e Como Esquecer de 2010 com Ana Paula Arósio. Os meus dois favoritos são:  Amarelo Manga de 2003, filmado no Recife com Matheus Nachtergaele e Dzi Croquetes de 2009.

Hoje o mundo produz mais de cem filmes por ano, sendo a América do norte o maior produtor, seguido por Europa e Ásia. Eu destaco os vários filmes de Pedro Almodóvar – O meu favorito é Má Educação de 2004.

Ontem eu assisti em DVD ao polêmico filme Paixão Selvagem de 1976, censurado no Brasil da ditadura militar por apresentar nu frontal e cenas de sodomia. Ficou conhecido pela cancão “Je T’aime Moi non plus”, interpretada por Jane Birkin e a protagonista do filme.

Há outros guardados com muito carinho nas prateleiras lá de casa: Shortbus, Confissões de uma máscara de Yukio Mishima, Transamérica, Café da manhã em Plutão, Domingo Maldito, Ninguém é perfeito (flawless) com Robert De Niro, o argentino A Outra História de Amor de 1986 e outros tantos que somam mais de cem.

Em 2011 a revista americana OUT publicou uma lista dos 50 filmes gays indicados por diretores e atores, confira a lista e o trailer de cada um, AQUI.

Que os bons ventos do cinema continuem desbravando e mostrando ao mundo a nossa sexualidade, sem rótulos ou clichês, diferentemente da televisão, principalmente, a brasileira, retrograda e conservadora, observada e manipulada pela igreja católica e as evangélicas.

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Sobre Regis

58 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 03/04/2012, em Cinema e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 6 Comentários.

  1. Por falar em cinema alguém ja assistio o filme “Verão em L.A.” que está em cartaz no shopping Frei Caneca aqui em São Paulo, se assistiram vcs acham que vale o ingresso?

    Ah Parabens pelo Blog acompanho sempre as postagens deste.

  2. Esses dias assisti a um filme produzido no ano de 1969 “soninha toda pura” conhecem ?
    achei bem avançadinho pra aquela época.

  3. Paulo Azevedo Chaves

    .Na lista do post faltou Gata em Teto de Zinco com um trio de feras: Paul Newman ,Elizabeth Taylor e Burl Ives. Recentemente, assisti no SKY Alexandre e Julio Cesar, mas, infelizmente,eles jogam para debaixo do tapete a homossexualidade desses dois personagens históricos. Seria ótimo a realização de um festival de filmes gays com patrocínio de GRISALHOS. Aqui fica a sugestão.

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