Arquivo mensal: abril 2012

Filme: Um garoto na multidão

Um garoto na multidão é filme de Gerard Blain que conta a história de Paul um rapaz abandonado pelo pai e deslocado pela Segunda Guerra Mundial. Ele é um jovem à procura de amor e atenção que não encontra em casa. Em busca de calor humano, ele descobre que pode despertar a sensualidade de alguns homens, mas sempre de forma discreta.

O filme fez parte da seleção oficial do Festival de Cannes de 1975 e será lançado em DVD no Brasil dia 07 de maio pela CultClassic’s – vale a penas conferir.

A seguir os primeiros treze minutos do filme disponível no Youtube.

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Gays envelhecentes: corpo e sexualidade

A sugestão da palavra envelhecente veio de um conhecido residente no sul do Brasil. Ele define a velhice, não como uma coisa ruim, mas como uma coisa boa de ser vivida em sua plenitude. Envelhecente  é um homem maduro caminhando para a velhice.

Os sociólogos e antropólogos que me desculpem, mas aos cinquenta e três anos de idade eu afirmo que a sociabilidade dos gays na melhor idade se tornou mais visível nos últimos anos, além de trazer muitos benefícios às comunidades homossexuais e classes de gays em geral, exceto às classes sociais menos favorecidas (vou falar sobre isso noutro artigo).

Eu posso estar errado, mas tenho a impressão de que a velhice dos gays não é aquele monstro que sempre pintaram. Os gays da atualidade, principalmente, dos grandes centros urbanos vivem uma velhice não vitimizada, ativa, orgulhosa e muito sexualizada e isso não contrasta em nada com a imagem convencional da crise do envelhecimento do corpo, da depressão, do isolamento social, das doenças e da solidão.

Os gays maduros e idosos que sempre referencio são homens sem afetação, mais discretos e viris que tem saúde, disposição física, apresentação pessoal e dinheiro suficiente para frequentar espaços de sociabilidade homossexual, encontrar amigos, beber, se divertir e também tentar a sorte na paquera.

Outro dia o Paulo Azevedo me lembrou dos “entendidos”. Eu defino os entendidos como um tipo de personagem público dos anos 60 e 70, homens que valorizavam a aparência masculina e procuravam desvincular suas vivências de homossexualidade das convenções de afetação, afeminação e papel exclusivamente “passivo” no ato sexual – Paulo se eu estiver errado pode corrigir.

Os entendidos se transformaram nos coroas da atualidade e isso é muito bom a começar pelas   concepções e práticas relacionadas a um envelhecimento positivo, que enfatiza as vantagens e enriquecimentos que a maturidade traz.

Outro dia um vizinho de setenta e oito anos me disse estar num “affair” com outro homem de cinquenta anos – Isso desmistifica o mito da “velhice assexuada”.

Hoje o processo de envelhecimento é ambivalente, pois envolve tanto perdas inevitáveis como novos campos de possibilidades. Também, envelhecer é um processo inevitável, com decorrentes limitações físicas, algumas manejáveis, outras não.

Os gays envelhecentes se sentem mais jovens do que as pessoas que os observam no cotidiano e tem a mesma faixa de idade. Esses gays são das modernas “culturas gays”, com novos discursos e imagens mais positivas do envelhecimento.

A sexualidade para os gays maduros é algo mais morno, porque a maturidade traz tranquilidade, inclusive no desejo sexual, mas não deixa de ser procurada e desejada.

Outro ponto importante é o grande senso de observação do próprio corpo e o impacto que o corpo tem nas questões sociais, tanto com amigos quanto em encontros de parceiros para o sexo.

Os sinais de envelhecimento corporal são observados e investigados com cuidado. Todos os gays se assumem como vaidosos, ainda que com sinais próprios da idade. Rugas, queda de cabelos, bolsas nos olhos, flacidez nos membros, gordura, barriga, nádegas murchas, dificuldades de manter ereção são todos motivos de lamento e preocupação, mas não de conformismo.

O cuidado com a saúde é outro ponto forte. Consultam médicos regularmente e adotam, de modo geral, as prescrições médicas com vistas a lidar com a saúde. São adeptos de dietas, com diminuição ou eliminação do consumo de café, açúcar, cigarro, álcool, refrigerante e gorduras, além de praticarem caminhadas regulares para queimar calorias, mesmo não sendo adeptos fervorosos de práticas esportivas.

A frase a seguir pode parecer agressiva, imprópria ou obscena, mas traduz em duas linhas o que pensa um gay envelhecente de sessenta anos.

 Enquanto eu gozar de boa saúde quero dar tudo o que tenho, inclusive, o rabo e o caralho.

Quando as doenças chegarem eu estarei satisfeito para não precisar tomar banho de assento e gozar com o dedo enfiado no cu.

Leia também:

@@ Porque os gays maduros são assim?

@@@  Velhice gay o ciclo da solidão

@@@@ Gays maduros: O poder cósmico da solidão

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