Personalidade: Darcy Penteado

O registro deste post foi sugestão do poeta Paulo Azevedo Chaves, numa troca de e-mails sobre textos e biografia.

Procurei na Internet informações sobre a vida do Darcy Penteado e achei poucos links contendo biografia detalhada, mas o que me interessava eu não localizei quase nada. Eu quis registrar aqui a importância da sua trajetória como ativista que o distingue como precursor dos movimentos homossexuais.

Darcy Penteado nasceu em São Roque, interior de São Paulo em 1926. Foi desenhista, cenógrafo e autor teatral. Um dos primeiros militantes dos movimentos LGBT brasileiro.

Sempre se distinguiu por seus desenhos elegantes a bico de pena, trabalhou em publicidade e como figurinista. Ilustrou revistas de moda e em seguida foi trabalhar em teatro. Na década de 1950, participou do TBC – Teatro Brasileiro de Comédia.

Participou de inúmeras exposições, ilustrou livros e foi uma figura presente na cena cultural da cidade de São Paulo entre a década de 1950 e década de 1980. Foi reconhecido em Nova York como um dos dez melhores retratistas do mundo.

Em 1973 participou da XII Bienal com um audiovisual que propunha uma tese em termos estéticos contra a violência e a intolerância. Nesse ano foi produzido um filme documentário de curta metragem intitulado: Via Crucis segundo Darcy Penteado.

Em 1976 publicou o seu primeiro livro de contos A Meta e a partir desse mesmo ano iniciou o ativismo na luta contra a discriminação aos homossexuais. Participou ativamente, durante os anos de repressão da ditadura militar, do jornal O Lampião, publicação pioneira para os gays brasileiros.

Por anos Darcy carregou sozinho a bandeira dos homossexuais no Brasil. Foi dele, ainda no início da década de 1980, a primeira tentativa de arrecadação de fundos em benefício da pesquisa sobre a AIDS no Brasil, através de um leilão. Apesar de desiludido com os resultados, participou de diversas campanhas de conscientização da doença. Gravou uma chamada para a televisão, de alerta ao público.

Faleceu em dezembro de 1987, aos 61 anos vitimado pela AIDS.

Atualmente, suas obras podem ser vistas no museu mantido pelo Centro Cultural Brasital, no munícipio de São Roque, em São Paulo.

Outro dia passeando na calçada da entrada principal do Edifício Copan, centro de São Paulo, eu descobri que existe ali uma praça com o nome de Darcy Penteado. Uma justa homenagem a este pioneiro no combate à intolerância –  A Praça saiu do armário.

Finalizo este artigo com uma frase do Darcy escrita numa de suas obras de 1985

“Subsistir apenas, não basta. É preciso dignificar a vida.”

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Créditos: a segunda imagem do post é de Sergio Valle Duarte

Fonte de PesquisaMemorial da Fama

Documento em PDF: Enciclopédia Itaú Cultural de Artes Visuais

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Sobre Regis

57 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 16/03/2012, em Personalidade e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 6 Comentários.

  1. Sílvia Mello

    Boa Noite! Sou autora de dois pequenos livros de arte=educação sobre Darcy Penteado, publicados pela editora Noovha America, em 2004 e trabalhei na organização de seu acervo, deixado em testamento para a prefeitura da cidade onde ele nasceu, São Roque – SP. Se precisar de informações, pode de entrar em contato. Também criei recentemente uma página no FB com o título de um dos livros Contando a Arte de DarcyPenteado.
    https://www.facebook.com/contandoaartededarcypenteado

    • Silvia,

      Fico feliz de poder colaborar com o registro virtual das memórias de Darcy Penteado e mais feliz ainda, ao saber que você trabalhou na organização do seu acervo. Muito obrigado por seus comentários e com certeza indicarei a página no facebook para os visitantes do blog.

      Abraços
      Regis

  2. Paulo Azevedo Chaves

    O REI SOL E EU- Em 1956 eu tinha 20 anos e fazia o 3º ano clássico no colégio Rio Branco, na capital paulistana. Morava então numa pensão no bairro Paraíso.Tinha um fusquinha e meu namorado me convidou para irmos num domingo visitar Darcy Penteado, prestigiadíssimo no meio social e cultural paulistano, uma espécie de “Rei Sol”, como ficou conhecido Luis XIV na história da realeza francesa. Ao chegarmos à sua mansão, o encontramos cercado de admiradores e amigos, a todos fascinando por sua verve, inteligência e cultura. Ficamos ambos fascinados por ele. E meu namorado mais ainda, pois, ao nos despedirmos de Darcy, ele me disse na saída que não iria comigo, porque o anfitrião o convidara para ficar com ele naquela noite.Eu entendi perfeitamente pois em seu lugar teria feito o mesmo — como resistir ao fascínio daquele “Rei Sol” paulistano? Triste e decepcionado, voltei sozinho para casa e nunca mais encontrei aquele rapaz que me “chifrara” com o poderoso e belo Darcy Penteado…

  3. Paulo Azevedo Chaves

    Na vida cultural paulistana, Darcy Penteado foi um pioneiro na defesa da homossexualidade como pessoa prestigiada e mesmo venerada no meio artístico-cultural dos anos 50,60 e 70, e também como escritor, pintor, cenógrafo e desenhista.Sua casa era uma espécie de Meca para todos os gays da época e também para os não-gays fascinados por sua beleza, requinte, inteligência — uma personalidade fascinante que marcou época e despertou paixões.Muito corajoso, ele se expôs com franqueza em sua obra múltipla, mesmo sob a ditadura militar e sua repressão impiedosa às expressões homossexuais em todos os campos de atividade humana. “O verdadeiro artista vive e transmite as próprias experiências na arte que cria” — disse ele numa entrevista. Ele fez isso em tudo criou com enorme sinceridade e talento.Escrevendo sobre seu livro mais famoso, Meta, disse o crítico Paulo Hecker Filho,em 1976: “Um livro como este, que fala tudo aberta e desafiantemente, possui a dignidade bem mais culturalmente verdadeira de resistir aos bárbaros preconceitos”. Darcy é um símbolo, um mito do movimento gay paulistano e brasileiro em seus primórdios e como tal deve ser cultuado e venerado através do tempo. “Requiescat in Pace”, grande Darcy Penteado. Brilharás sempre qual estrela d’alva, anunciando o amanhecer, no universo cultural gay de tua São Paulo querida e do nosso Brasil.

    • Caro Paulo,

      Obrigado por sua contribuição e com tantas informações importantes que apenas quem conviveu com Darcy poderia escrever

      abraços

      Regis

  1. Pingback: Arte homoerótica através de imagens | Grisalhos

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