O admirável mundo novo dos gays

O fenômeno da globalização fragmenta o sujeito, trazendo consigo uma disseminação bastante rápida de maneiras de ser.

Não importa se você é barbie, mona, bofe, bear ou coroa, também  não importa se você é ativo, passivo, versátil ou bissexual.

Tudo está pulverizado em instâncias imperceptíveis, alocando, deslocando e recolocando sujeitos em “escaninhos” identitários, o que na cultura tradicional seria impensável.

Nós estamos vivendo num mundo de rapidez de informações multilaterais, descentralizando o sujeito, logo sou brasileiro, sou homossexual, aliás, o que sou primeiro?

Fragmentados nos tornamos seres invisíveis neste mundo. O gay é um sujeito e como tal está dentro do escaninho de identidade, logo, ele é apenas mais um pulverizado e imperceptível. Então o que sou primeiro? Brasileiro, homossexual, homem maduro, ativo ou passivo?

Por estarmos fragmentados o isolamento é maior e no mundo globalizado ficamos reféns da integração política, econômica, social e cultural que são os pilares que sustentam os conceitos da globalização desde o final do século XX.

Há que se considerar as tecnologias que proporcionam rapidez da informação. Os países não têm mais fronteiras e o mundo é uma aldeia global.

Preste atenção ao seu redor e você perceberá as tecnologias ao seu alcance, mas essas mesmas tecnologias, te aproximam e te afastam das pessoas.

No mundo virtual você tem dezenas de amigos, nos Orkut e Facebook da vida, mas no mundo real você está dentro de uma gaveta isolado e sozinho. Se já era difícil socializar com outros gays, na globalização ficou quase impossível porque você é absorvido por tudo e nem se dá conta como as coisas acontecem rápido demais.

A globalização te obriga a viver em “gavetas”, não confundir com “armário” e assim somos consumidos como seres humanos pensantes, livres e independentes. Os gays ainda pensam que a cada dia estão mais livres, com direitos e sob a proteção de leis contra a discriminação!

 Admirável Mundo Novo, a obra de ficção de Aldous Huxley publicada em 1932 narra um hipotético futuro onde as pessoas são pré-condicionadas biologicamente e condicionadas psicologicamente a viverem em harmonia com as leis e regras sociais, dentro de uma sociedade organizada por castas. A sociedade desse “futuro” criado por Huxley não possui a ética religiosa e valores morais que ainda regem a sociedade atual. Qualquer dúvida e insegurança dos cidadãos era dissipada com o consumo da droga, sem efeitos colaterais chamada “soma”. As crianças têm educação sexual desde os mais tenros anos da vida. O conceito de família também não existe.

Mera ficção?

 Créditos:

– A imagem que ilustra este poste é de autoria do artista israelense Raphael Perez – The Kiss – 2005.

–  Texto de Admirável Mundo Novo extraído do Wikipedia.

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Sobre Regis

58 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 15/02/2012, em Sociedade e marcado como . Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. Parabéns,pelo nível desta reportagem.Altíssimo nível. vamos divulgar este artigo. marcelo

  2. O admirável mundo novo está na concepção de cada um, no que cada um consegue ser.
    Hoje as pessoas sao condicionadas pelas regras morais, e acredito que nao só gays, mas todos os grupos de identidades e generos estao conseguindo aos poucos se livrar desse pensamento mediocre que massacra a raça humana. o pensamento mediocre de que somos iguais. Nao somos iguais, somos diferentes, e o que precisamos é que aprender a aceitar e conviver com as diferenças, onde cada um deve ser detentor e conhecedor de sua identidade, e quando o individuo nao consegue se reconhecer, terapia nele.
    Sou eu, tenho minha identidade, e sou gay, homossexual, minha preferencia sao ursos maduros, e isso é só questao de preferencia.
    Quanto ao que sou primeiro, sou eu mesmo, com influencias do ambiente, interferencias externas, experiencias, sou mais um rapaz latinoameticano, brasileiro, paulista, cidadao, trabalhador, cumpridor dos meus deveres e obrigaçoes, gosto de internet, me relaciono assim e nao me sinto preso a uma rede mundial de comunicaçao onde muitos dizem estar causando uma exclusão social. Se encararmos como mais uma ferramenta útil em nossas vidas, teremos as vantagens que ela oferece.
    Estou casado e encontrei meu parceiro na internet, nos amamos, nos vemos muitas vezes pela internet, e nos encontramos varias vezs que sentimos saudades ou que conseguimos, como disse uso a internet a meu favor, e ela é apenas mais uma ferramenta que uso como contructo do meu ADMIRÁVEL MUNDO NOVO.
    bjos

    • Os seus comentários são pertinentes, mas faço um comentário simples: Somos diferentes, mas para a sociedade do século XXI somos todos iguais. A homossexualidade está se tornando um padrão normal e isso nos iguala aos demais.
      abraços

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