Juvenal, o coroa gay

Por sugestão de um leitor do blog desde setembro do ano passado eu publico regularmente histórias que eu chamei de “contos da cidade”. Você poderá encontrar outras histórias na categoria com esse nome.

O relato a seguir chegou ao meu e-mail em novembro de 2011

Juvenal viveu uma vida plena. Formou-se na faculdade de letras em 1965 e foi dar aulas na Universidade de São Paulo.

Durante duas décadas ele frequentou o campus da USP – Universidade de São Paulo. Em 1985, numa das suas idas e vindas ele conheceu Gustavo, um jovem de 26 anos, estudante de sociologia, esbelto, alto e cheio de vida.

O relacionamento durou exatos 15 anos, até que por uma fatalidade, Gustavo faleceu num acidente automobilístico.

Em 2000, Juvenal já estava aposentado e ficou desolado. Sozinho e sem amigos entrou em depressão. A vida já não tinha a beleza e os encantos de outrora e assim, se passaram dez anos de muitas provações, problemas psicológicos, falta de motivação e completamente dependente de medicamentos, além do excesso de peso decorrente da vida sedentária.

Juvenal não era de frequentar os espaços gays, não saia de casa e raríssimas vezes viajava da capital de São Paulo para visitar o único irmão casado na cidade de Juiz de Fora em Minas Gerais.

Numa manhã de janeiro de 2011, ele vinha de uma consulta médica quando se deparou com um rapaz parado na estação Vila Mariana do Metrô. Trocaram olhares, puxou conversa e juntos seguiram viagem. Dentro do trem conversaram e se conheceram melhor.

Há um ano Juvenal viu a sua vida tomar novos rumos. O rapaz humilde lhe ensinou coisas que a velhice havia apagado da sua mente e da sua vida. Depois de longos anos de ostracismo ele finalmente encontrou aquela luz no fim do túnel.

Hoje ele tem um amigo que lhe dá toda atenção e que se preocupa com cada detalhe da sua vida. O rapaz é estudante de direito e já planeja sair da casa dos pais para viver com o companheiro num modesto apartamento no bairro da Liberdade em São Paulo.

Se a relação vai ou não dar certo, isso é outra história.

Situações como essa não são comuns, principalmente, no meio gay. Juvenal é um no meio da multidão. Um gay felizardo e sortudo, porque sabemos que quando se envelhece as chances de relacionamento são reduzidas devido aos fatores do envelhecimento do corpo e do hedonismo do mundo gay, onde a beleza física, a condição financeira e social são fatores preponderantes nas relações entre parceiros.

Ah, Juvenal tem hoje 71 anos.

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Sobre Regis

58 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 14/02/2012, em Contos da cidade e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 10 Comentários.

  1. Se esse garoto não der certo com esse Juvenal, aqui estou a seu dispor, ok

  2. eu sou jovem tenho 23 anos e atualmente estou com um companheiro de 73 (aparenta bem menos ) eu não consigo entender por que a maioria de vcs naõ aceitam que um jovem possa amar um homem maduro talvez seja o preço o mundo capitalista em que vivemos onde na maioria das vezes as pessoas só querem se dar bem. Digo isso por esperiençia propria quando conheci meu companheiro ele ficou cheio de grilos na cabeça e demorou anos para ele poder aceitar esta situação. Só digo pra vcs que é possivel sim ser feliz, mesmo com essa diferença toda de idade é so acreditamos no AMOR

  3. renato bastos

    Acho que tudo depende da base da pessoa. Sendo gay ou não. Veja esse caso: Juvenal encontrou outro rapaz, talvez um pouco mais velho que o anterior (a redação não dá a idade) mas fala que o rapaz é de modos simples, o que pode denotar um caráter mais altruísta ao que pode ser também um rapaz não “infectado” pelo meio gay que só vêem o belo e com uma visão diferente na relação humana o que é contrário a um gay interesseiro.

  4. Juvenal só tem parabenizar pelo o seu premio, encontrado na estação do metro; com esta citada no posto: um jovem humilde, só toma o cuidado de estelionato. Já que vocês simpatizaram com os olhares, começaram a conversar ate se tornaram amigos já é um bom caminho andado, desejam toda a felicidade a vocês, e seja um bom casal; que no decorrer do tempo eu quero ver postado no blog dos grisalhos suas experiências, de uma nova vida.

  5. Até entendo o lado do juvenal sim, pela idade, e época de vida ele crê no romantismo e

    no príncipe encantado, na bondade do mundo e na paz mundial. Lembrando do velho

    guerreiro (chacrinha) eu diria:

    ALO, ALO JUVENAL… VC AINDA PODE SE DAR MUITO MAL……

    oBS: perdão pela minha ironia.
    marcelo

    • Marcelo, acho que neste post o Juvenal renasceu das cinzas. Quem em sã consciência pode esperar encontrar alguém, com afinidades no ocaso da vida?

      • grisalhos:
        Sim, juvenil é uma fenix sim.Só que ao meu ver ele já tinha ganhado na loteria há

        muito tempo, 2 décadas numa usp para mim já é um privilégio e segundo: 15 anos de

        relacionamento é tempo hein…vamos combinar. Tem gente que passa por esta vida,

        e não encontra sua alma perdida,florbella spanca que o diga. E muito bom colocar um

        post deste porque existem muitos JUVENAIS, da vida que amaram muito, viveram de

        modo que acharam melhor, e ainda reclamam da vida….e se entopem de medica-

        mentos, fazendo a tal da linha COITADA, isso para mim é covardia, fraqueza.

        Não seremos um juvenal da vida não, meus queridos, é preciso REINVENTAR-SE

        Um brinde á vida, TIM TIM.

        mARCELO

  6. Não sejamos mais realistas que o rei. O artigo ora em questão, não é uma forma de auto-ajuda, porém demonstra que tudo é possivel, que não decretemos a morte, ou fiquemos, sentamos c/a boca cheia ou sem dentes, esperando a morte chegar… há tudo e p/todos.

  7. Paulo Azevedo Chaves

    O caso do Sr. Juvenal,septuagenário,que encontrou por acaso, numa estação do metrô, seu parceiro dos sonhos para uma vida a dois, é exceção à regra.E isso em primeiro lugar porque os idosos são atraídos por jovens,mas a recíproca não costuma ser verdadeira.É muito legal quando pessoas pertencentes a gerações cronologicamente muito diferentes se sentem atraídas uma pela outra, se complementam no dia a dia de suas vidas.Mas isso acontece quase sempre no plano ideal, porque na realidade urbana nua e crua o que predomina nesses encontros entre gays idosos e parceiros mais jovens é a troca comercial em que um paga e o outro recebe.Portanto, ao Sr. Juvenal só tenho a dizer: Parabéns, meu caro, você ganhou um prêmio muito cobiçado (e raríssimo) na loteria da vida.

    • Olá Paulo

      O título do post era Juvenal, o coroa gay que ganhou na loteria, mas como o título era muito extenso ele foi reduzido.
      Você sintetizou bem a situação. Ele realmente ganhou na loteria da vida.

      abraços

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