Os gays têm muitas faces

Este artigo foi publicado noutro blog que eu assino. Depois de dois anos eu reescrevi o texto para dar aos leitores dos grisalhos a oportunidade de conhecem alguns dos meus pensamentos sobre a minha condição de homossexual.

A história se repete com todos os gays:
Porque sou assim?
Porque sou diferente?
O que eu fiz para merecer isso?

Uma única resposta:
Você é assim porque o universo conspirou a seu favor.

Aceitar a homossexualidade nada mais é do que ter amor próprio e chega uma fase da vida que aprendemos a conviver bem com a nossa sexualidade, nos acostumamos a ela e junto dela vamos tocando a nossa vida.

Então você retruca:
Eu me amo e isso não tem nada a ver com sexualidade.
Eu respondo:
Tem sim e muito. Pare um instante e pense sobre as condições na qual você viveu a sua vida inteira. Foi por ser diferente que você ouviu chacotas, piada e sofreu discriminações. Você se escondeu dos parentes, fugiu deles, foi morar sozinho, passou frio e não teve ninguém para te amparar nos momentos difíceis.
E o medo dos colegas da faculdade ou do trabalho? Da família então, nem se fala.
Foram tempos difíceis aqueles, hein!

Naquela época a sua face era de medo, ira, revolta e indignação. Você se culpava e se sentia uma aberração, tentou o suicídio para escapar do destino que a natureza te reservou.
Você fez de tudo para mudar a sua orientação sexual, mas o seu desejo era mais forte e na calada da noite você escapava para procurar homens de corpos másculos, de pele rústica e bem dotados.
Você tentou religião, psicólogo e até pai de santo, mas nada contribuiu para você mudar.

Durante muitos anos você teve medo que a sua face te denunciasse. Você vivia se policiando e ensaiando discursos com a voz rouca e sem afetação.
Você se lembra de quantas oportunidades você perdeu na vida, por ser gay?
Você deixou de amar um parceiro por escolhas que foram contra a sua vontade.
Você abandonou o barco na hora da chegada ao cais do porto após uma longa tormenta.
Mas deixa prá lá, já passou e não dá para voltar ao passado e reescrever a sua historia.
Como disse Chico Xavier: Mas dá para começar a escrever um novo FIM.

Durante a vida você criou muitas faces e na velhice ela ainda não é definitiva, porque você ainda tem resquícios da “não aceitação”, mas você se acostumou a ela.
Você não precisa assumir para os outros, você tem que assumir para si e mais ninguém. Essa condição já é meio caminho andado para você ter uma face plena e feliz.
Qual é a sua face hoje?
De um senhor educado, idôneo e respeitado?
De um ser humano do sexo masculino genérico?
De um ser Inteligente e de fino trato? Triste ou feliz?
Realizado ou frustrado?

Ou de um ser humano medroso e acuado pelas circunstâncias da sua vida?
Enjaulado como animal selvagem num zoológico ou preso dentro da sua própria casa?

Não importa se você é bear, daddy, barbie, bissexual, travesti ou drag. Nem se você é efeminado ou de gênero masculino.
Importa o ser humano por traz da sua face – Frágil e carente.
Preste atenção e observe quantas faces você teve até aqui – Você é um camaleão.

Nessa altura da vida pouca coisa importa, e a face é uma das poucas coisas importantes. Ela decodifica e mostra para os outros quem você é de verdade.
Não se preocupe porque ela não vai transmitir aos outros se você está de bem com a vida, com boa saúde ou se está em PAZ.

Uma ou cem: escolhe quem as tem!
São muitas as faces dos gays
a ostentar preconceitos, produzir enganos
ser essência do amor, ou ápice da frustração.

Quando você puder, pare e se olhe no espelho.
Não sinta culpas e tente transformar a sua face numa face que resplandeça alegria de viver.
Os gays têm muitas faces e a mais bonita de todas é aquela que mostra o ser humano que você é.
A face definitiva é aquela que você aceita e que será a máscara mortuária da sua existência.

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Sobre Regis

57 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 06/01/2012, em Comportamento, Sexualidade e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Paulo Azevedo Chaves

    Os gays têm muitas faces, mas como diz o blogueiro Regis, “A face definitiva é aquela que você aceita e que será a máscara mortuária de sua existência”. Ninguém pode fugir de seu destino e de sua sexualidade.Você pode esconder sua condição homo sob uma batina ou por trás de um casamento hétero de fachada. Mas para vivermos bem nossa vida, devemos vivê-la com autenticidade,sem procurar fugir do que somos verdadeiramente. O dramaturgo Tennessee Williams, um dos mais famosos escritores norte-americanos do século XX, escreveu em suas Memórias: “E se nós não pudermos ser nós mesmos, de que adianta ser qualquer outra coisa?” É isso aí, Mestre! De que adianta?…

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