Arquivo mensal: janeiro 2012

Os gays e as drogas

Se você não fuma, não bebe, não toma medicamentos e não é dependente químico, você é um felizardo e “um diferente” no meio gay.

Durante a última década vários estudos  nos Estados Unidos e Reino Unido apontaram que os gays são consumidores de drogas em potencial. Os gays do sexo masculino usam drogas sintéticas e entre as lésbicas predomina o uso da maconha. Eu não tenho notícias desse tipo de pesquisa no Brasil.

A opção sexual e a discriminação são fatores que contribuem para a dependência química. Os gays jovens que frequentam as baladas costumam se drogar com cigarros, bebidas alcoólicas, maconha, cocaína e drogas sintéticas como o ecstasy, Mitsubishi, Ice, etc.

Os movimentos das Paradas Gay por todo o Brasil sempre tem registros de consumo excessivo de drogas, principalmente, de bebidas.

A cultura do corpo também leva muitos gays a tomar anabolizantes. Uma droga sintética da testosterona e que é inserida no organismo na forma de comprimido ou ampola. Via oral ou intramuscular para aumentar a massa corporal. Essa galera é conhecida no meio gay como “as barbies”.

Ao longo da fase adulta os gays se fixam em drogas de uso diário, como o cigarro e bebidas destiladas: Vodca, Gin e cachaça.

O hábito de beber na companhia de outros amigos é frequente e faz parte da rotina, principalmente, nos finais de semana. No Brasil o consumo de cerveja e caipirinha é um hábito também no meio GLBT, principalmente, entre os homossexuais que não “dão pinta” ou aparentam ser gay.

Os gays maduros e idosos tem contra si os problemas da não aceitação, da rejeição do próprio meio, da velhice do corpo e muitos problemas psicológicos. Esses fatores apresentam históricos de tratamentos psicológicos e psiquiátricos e sempre acompanhados de medicação. Aí, pode ser um antidepressivo, sonífero ou hipnótico.

Esses estudos indicavam que mais de 80% da população gay tem algum tipo de dependência química. As drogas podem ser psicoativas, psicodélicas ou alucinógenas e podem ser lícitas ou ilícitas.

Na minha juventude eu fiz uso da maconha, mas depois de algum tempo parei e até 2008 eu consumia diariamente bebidas alcoólicas. Ainda sou dependente do cigarro, mas com planos de parar de fumar.

Também,  não estou no grupo dos gays dependentes de medicamentos e espero não precisar deles tão cedo!

Cada um tem uma história diferente e as razões para o uso de drogas variam de acordo com o perfil psicossocial dos cidadãos gays.

Hoje vivemos a geração saúde e talvez os jovens gays da atualidade tenham menos problemas com drogas na fase adulta e na velhice, ou, talvez não, porque as drogas estão presentes no cotidiano da humanidade desde os primórdios da nossa história.

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Um gay maduro colecionando histórias

Eu sempre gostei de cinema, aliás, quem não gosta?

Vivi a minha adolescência e parte da minha vida adulta numa época de muita repressão no Brasil, especificamente, contra os gays.

As histórias mostradas no cinema eram para mim fugas do mundo real, onde eu me transportava para as telas (igualzinho ao filme do Woody Allen, A Rosa Púrpura do Cairo) e vivia os personagens de histórias dramáticas. Depois de algum tempo, já na fase adulta, eu percebi que aquilo era uma maneira de esconder das pessoas e de mim mesmo, a minha homossexualidade.

Naquelas fugas eu entrei no mundo dos filmes com histórias gay. O primeiro foi Morte em Veneza de Luchino Visconti, então me encontrei e a minha sexualidade passou a ser tão normal quanto às centenas de filmes que assisti – Desde, Um Dia de Cão de 1973, com Al Pacino, até o mais recente Tomboy que ainda está em exibição nos cinemas de São Paulo.

É claro que eu também assisto outros filmes. Ontem eu pude me deliciar com o filme Iraniano A Separação, mas as histórias da homossexualidade me fascinam e não perco um filme por nenhum outro programa.

Não me importo se o filme é um clássico, como Filadélpia, O Segredo de Brokeback Mountain ou MILK, eu também tenho interesse em histórias desconhecidas no circuito comercial, como Rainhas, Filhote ou Plata Queimada. Não faço distinção se o tema é gay masculino ou feminino, a homossexualidade desperta em mim a curiosidade e o “tesão”, não pelo sexo, mas pelas pessoas.

Durante a febre das locadoras de filmes dos anos 90 eu me tornei um maluco por filmes. Dai, comecei a colecionar os filmes com temática gay em formato VHS e DVD. Tudo isso facilitado por uma locadora que tinha um excelente acervo de filmes temáticos.

Colecionar filmes gays é a mesma coisa do que colecionar histórias de pessoas iguais a mim. Histórias tristes, dramas humanos, alegrias efêmeras, amores impossíveis e o desejo à flor da pele.

O cinema GLS sempre foi tratado como marginal e underground, mesmo os Estados Unidos pós-guerra do Vietnã.

Um dos precursores da sétima arte (gay) foi o diretor John Waters que fez da Drag Queen DIVINE a musa da comédia e a rainha do underground. John Waters surgiu na mesma época que Andy Wahrol  e seus filmes trash, cult e transgressivos lhe trouxeram destaque e sucesso. É dele a direção do filme Hairspray que lhe rendeu muitos milhões de dólares em 1988.

Já o cinema nacional pouco mostrou sobre a homossexualidade. Tenho lá na minha estante alguns poucos filmes e o meus preferidos são: Amarelo Manga, Madame Satã e Anjos da Noite. Amarelo Manga é tão bom que foi lançado em DVD nos Estados Unidos.

O cast de Anjos da Noite tem: Marco Nanini, Marilia Pera, Antônio Fagundes, Zezé Mota e grande elenco no único filme de Wilson Barros.

O filme é de 1979 e mostra um painel cruel e realista da noite paulistana com seus personagens mais característicos, como artistas, bandidos, travestis, prostitutas e toda sorte de michês que estão á procura de amor e aventura.

Muitas cenas foram filmadas em locais conhecidos da cidade, como a Avenida São Luís e o vão do MASP – Museu de Arte de São Paulo, além da cena final que foi rodada na extinta e conhecida boate Corintho no Ibirapuera.

Quem viveu os anos loucos na Pauliceia Desvairada de Mario de Andrade, nas noites de orgia e diversão das boates Medieval, Homo Sapiens,Val improviso e Nostro Mondo, vai se deliciar com este filme.

Se você coleciona filmes, pode adquirir um exemplar em DVD no site da Livraria Cultura.

E assim se passaram os anos e as histórias colecionadas ao longo de mais de 20 anos estão todas lá, na estante de casa esperando o momento para despertar e voltar ao tempo presente, se mostrar novamente, em cores vivas, ao seu colecionador apaixonado.

Aproveite e assista ao making off do filme Anjos da Noite:

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