O gay afetado e o masculino

Eu sou um gay maduro muito curioso e estou sempre às voltas com questões da nossa sexualidade e principalmente sobre o nosso comportamento social. Eu gosto de observar os gays e fico fascinado com tanta diversidade.

Hoje eu trago para a discussão os padrões normativos, do gay másculo ou masculino e o afetado.

As representações da homossexualidade do mundo moderno não diferem das representações mais antigas. Essas representações mudam de acordo com a época e a evolução das sociedades.

Desde a minha juventude no final dos anos 60, até os dias atuais, eu sempre observei dois tipos de gay: O gay macho, masculinizado, enrustido e dentro do armário e o gay feminino, fora do armário e afetado.

Os gays afetados são  antenados com o mundo da moda, se vestem de forma diferente dos padrões designados ao masculino, ao másculo. Eu não diria que são apresentados com uma gestualidade estereotipada e desrespeitosa, mas as características  representam o “visivelmente gay” em nossa sociedade.

Faz parte deste universo o pessoal que frequenta a balada todas as semanas, sabem de estética, beleza e televisão. E, por incrível que pareça são os que mais sofrem discriminação e são alvo da homofobia do mundo moderno. Basta observar os relatos de violência que estampam os jornais todas as semanas.

Dois gays caminhando de mãos dadas é um convite para a violência física e moral. Observe com atenção: Pelo menos um deles é afetado. Daí, a violência.

O gay másculo vive uma vida dupla, é conservador, a maioria namorou ou namora e circula nos mundos hetero e homossexual. Se você prestar atenção perceberá que são gays que não carregam afetação alguma, ao contrário, suas gestualidades podem ser inscritas numa normalidade e naturalidade, sem indicação de homossexualidade.

Eu vivo em São Paulo, uma metrópole com mais de 10 milhões de pessoas e todos os dias eu encontro os gays afetados nas ruas, nos restaurantes, no metrô e paradas de ônibus. Os gays afetados estão em todos os estratos sociais da cidade.

Para encontrar um gay másculo eu tenho que fazer malabarismos e sempre recorro ao velho e conhecido truque do “olho no olho”. Isso sempre denuncia qualquer gay.

Tem gay que gosta de gays efeminados, mas a grande maioria prefere o gay masculino. Isso porque o homem gay procura o seu igual.

Eu até me atrevo a dizer que os gays masculinizados não estão vulneráveis às violências do cotidiano, exceto em casos extremos de violência premeditada, como naquele caso de pai e filho no interior de São Paulo. Mas por outro lado, a violência psicológica ao qual estão expostos traz sérios problemas emocionais e psicológicos e isso justamente porque vivem dentro do armário. Acho que esses gays são mais solitários porque vivem escondendo e se escondendo das suas preferências por homens.

Tenho que considerar que na medida em que envelhecemos algumas coisas se ajustam e isso passa a não ter importância.

No mês passado eu recebi um e-mail de um jovem residente em Minas Gerais. Ele relatou a dificuldade de encontrar um gay maduro para uma relação e o principal motivo era justamente não saber identificar um gay maduro.

Eu perguntei por que ele não frequentava cinemas ou saunas e a resposta chegou como um trovão: Nesses lugares eu nunca sei se o “cara” é gay ou se está ali para arrumar um gay para “descer a porrada”.

Enfim, isto nem tem muito a ver com o tema deste artigo, mas ilustra de forma clara como os padrões normativos influenciam nossa vida e a forma como vemos as pessoas.

Cada um de nós constrói uma identidade, um padrão normativo que julgamos ser o melhor para a nossa vida social e vivemos este padrão durante a fase adulta e na velhice.

Eu respeito todos os padrões porque acredito que existe espaço para todas as formas de comportamento. O importante é cada um seguir o seu caminho e ser feliz.

 

Sobre Regis

57 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 07/11/2011, em Comportamento, Opinião e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 11 Comentários.

  1. Daniel Olivares

    Eu sou um masculo e passo despercebido, meu namorado tambem, ambos somos homens gays e masculos, e nos damos muito bem!!!

  2. É muito difícil nossa! Ser gay másculo e gostar de gays másculos,eu já sou maduro com 42 anos,na juventude fazia muito,muito sexo com gays másculos ,”caras” casados,bissexuais,pessoas assim,depois eles me contavam que eram casados,”chato isso”,mas o traidor ñ era eu eram eles, casados com mulheres,e saiam por ae atras de outros caras.
    Eu sabia onde encontrar,apenas sexo casual.Hoje eu vivo deprimido,ñ quero mais esse comportamento,queria achar um cara da minha idade ou mais novo,com características másculas,não estaria nem ae para ou outros,falarem coisas do tipo:”olha lá!Resolveu sair do armário!!! .
    Na minha fase? Ser enrustido?! Eu sou másculo,sou solteiro,as pessoas desconfiam claro,mas não falam nada,se perguntarem dependendo da pessoa eu respondo,porque tem que ter um certo grau de intimidade para fazer essa pergunta. Para mim não faz mais sentido se esconder.Amor não é só sexo,é companheirismo,amizade,se acontecer e sentir que vale a pena eu vou com tudo,ñ ligo para a opinião dos outros,eu sou um cara bonito ( por favor, são às pessoas que falam),mas só gosto de másculos…eu sinto que caras casados másculos ,as vezes ficam me olhando parece que estão querendo algo a mais,mas eles ñ “chegam junto”,meu sonho é um cara assim,mas que seja direto,por isso que os afeminados conseguem mais,os caras veem que são mesmo

  3. Há mesmo uma certa dificuldade na paquera quando se é gay másculo. E acho que a maioria é assim. Nunca entendi porque algumas pessoas são “afeminadas”. Em geral me parece que são assim desde crianças, pelo menos na minha infância tínhamos relações entre meninos na minha rua, mas o único afeminado não participava.

    Creio que os que não querem se expor temem que os afeminados se comportem como mulheres, um tipo de mulher que pega no pé, expõem o amante, pelo menos é como os outros os vêm. Não sei se isto é verdade. E hoje em dia acho que sob o nome “gay” existe uma enorme variedade de comportamentos, nenhum deles “anormal”.

    Muitos se espantam porque eu nunca paquerei na rua ou banheiros. Eu digo que não sei se o cara que olha para mim na rua está sexualmente interessado ou não. E se não estiver? Para pessoas como nós tememos mais tentarmos algo e encontrarmos um homofóbico do que ficar na dificuldade.

    No entanto, com a internet estas dificuldades diminuíram. Ao olhar um homem na rua, não sei se posso pensar em desejo como quando se olha para um mulher. Mas se marcamos com alguém é já sabemos que vamos encontrar um homossexual, o desejo aflora naturalmente. Eu noto, no entanto, que em geral quem encontramos pela net não repete. Se sai uma vez e depois não querem novamente. Talvez estejam a procura de algo que não podemos dar, não sei.

  4. Sou um gay másculo e me sinto solitário. É como se me sentisse pertencente a mundo nenhum. No mundo gay, as afetações dos frequentadores me deixa um pouco incomodado. E homens hetero falam só em mulher o tempo todo, coisa que não vivo mais a anos. Alguém ai também possui essa sensação? Abrçs

  5. eu sou exatamente como o Heitor,eu sou masculinizado e isso de forma algum está relacionado com eu ser enrustido,no armário ou qualquer coisa nesse sentido,sou assumido pra minha família,pros meus vizinhos,amigos,todo mundo sabe disso,mas simplesmente eu não tenho característica alguma que faz parte do esteriótipo do gay que tem no subconsciente das pessoas,tanto que fico em meio a heteros e gays sem problema nenhum,e muitas das vezes as pessoas acabam supondo que sou heterossexual,mesmo sem ser…..se me perguntam eu falo na boa.

  6. Muito bom esse post, respeitar as diferenças sempre, mas manter as preferências também é necessário.

  7. Heitor Tipos

    Sou um gay másculo, ou seja, não sou afetado. Ninguém me identifica como homossexual, a não ser os que também são do ramo. Não vivo no armário, até por que no meu trabalho, no meu credo religioso, na minha família, no meu condomínio, todos têm ciência de minha identidade sexual. Minha masculinidade não é forçada, em absoluto, É natural, espontânea, como parte de minha personalidade. Se desmunhecasse, aí sim faria gênero, como um ator ou um folião fantasiado no Carnaval. Discordo do jovem mineiro que tem medo de frequentar saunas por temer que algum homofóbico bata nele, a pretexto de comparacer a esses lugares. É muito difícil que isso ocorra. Aqui em Porto Alegre, a abordagem para sexo nas saunas é fácil, serena e natural. Cada um deve procurar o segmento de que gosta e com o qual se identifica. Existem saunas cheia de maduros e idosos, outras com a maioria maciça de jovens, algumas têm públicos misturados e há aquelas que mantêm elencos, fixos, de garotos de programas, com profissionais muito bonitos, sensuais e caros. Se um homofóbico batesse em alguém numa sauna, a casa logo chamaria a Polícia, expulsaria o cidadão e o entregaria a quem o recolhesse atrás das grades. Não há perigo nas saunas, de uma forma geral, a não ser naquelas em que váo muitas pessoas à margem da sociedade. O perigo que se corre é encontrar alguém gostoso, bonito e sensual que nos proporcione o acesso ao Nirvana.

  8. E sim! EDUADO concordo com vc,eu sou do rn i a muita dificuldade,estou passado por isso.sempre sobreetedido?

  9. Concordo! Quem não é afetado passa despercebido, mas em contra partida o problema de passar despercebido, é que se tem uma dificuldade maior em encontrar um parceiro. Já passei por isso.

  10. Muito bom post. Até hoje eu tive pouquissima relação homo, porque a dificuldade em se identificar gay masculino é grande. Como eu não sinto nenhuma atração por gay efeminado, então o meu grande negócio foi ficar na moita. Eu ainda me atrevo a perguntar ao colegas deste post, será possível estabelecer uma relação sexual com um hétero, mesmo que do outro lado exista algum enteresse financeiro?

  1. Pingback: Os gays másculos « Grisalhos

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