Velhice gay: o ciclo da solidão

Numa troca de e-mail com um gay maduro, como eu, no ano passado discutimos sobre quais são as soluções para muitos problemas dos gays na velhice.

Foram muitas correspondências e não chegamos a uma conclusão ou consenso, mas ficaram alguns registros que depois de revisados decidi publicar aqui.

Uma coisa todos os gays na maturidade e na velhice tem em comum:

É o somatório: velhice – homossexualidade – solidão – tristeza.

Existem algumas outras variáveis, mas em geral é isso mesmo. Portanto, é necessário despertar e fazer alguma coisa para quebrar este ciclo.

O tempo é finito e nessa etapa da vida devemos aceitar que o tempo passou. Bem ou mal, se deve seguir a vida e não se acomodar, descobrir outras coisas para fazer, outros lugares para frequentar e criar outros vínculos de amizade.

Se o gay maduro ou idoso já está aposentado ele deve se adaptar à realidade fora do mercado de trabalho e preencher o seu dia com coisas prazerosas: Cinema, teatro, viagens para o campo ou praia, praticar esportes leves e se ocupar com novas rotinas.

A velhice é um processo natural e para os gays não é diferente. A diferença é que somos diferentes por sermos homossexuais.

Ficar sozinho vivendo do passado não vai agregar nada de bom. É óbvio que momentos de solidão são bons para leituras e reflexões das perdas e conquistas da vida e até como um momento de renovação.

A tristeza é consequência dos sonhos não realizados, das conquistas perdidas e da certeza que a juventude não volta mais. Na vida perder e ganhar são regras do jogo.

Imagine quantos parceiros perderam os seus companheiros nos últimos 30 anos? Doenças próprias da velhice, AIDS, acidentes e fatalidades da vida, além do fim de relacionamentos que começam e terminam todos os dias.

Muitas vezes estamos num relacionamento e colocamos toda a nossa vida nele e num piscar de olhos o mundo vem abaixo e os gays mais emotivos e passionais sofrem durante muito tempo e uma boa parcela deles não supera essas perdas.

O isolamento é outro fator decorrente da homossexualidade. Ficar confinado em espaços pequenos e próprios do mundo gay, como saunas e cinemas de pegação não é o melhor caminho. Nada contra esses interesses, mas muitos gays ficam confinados neste circulo vicioso.

Cada um precisa encontrar as melhores soluções para viver uma vida melhor e menos traumática.

O governo brasileiro e as ONGs não fazem nada para os gays maduros e idosos. Quanto mais velho for o gay, mais problemas ele tem ou terá.

Nas grandes cidades e metrópoles existe uma infinidade de coisas que se pode fazer. Atualmente estão na moda os trabalhos sociais e voluntários. É uma forma de contribuirmos para uma sociedade melhor. Mas, de certa forma, os gays tem repúdio a essas ações porque sempre foram excluídos e ridicularizados e guardam no coração todas as mágoas e rancores da vida.

Hoje existem associações de apoio aos gays menos favorecidos, mas o gay com cara e jeito de macho não quer se misturar para ajudar o próximo, principalmente, se o gay necessitado for efeminado, imagine então um travesti.

Numa sociedade que valoriza as aparências os gays maduros e idosos se integram à corrente do consumismo, da valorização material e isso os afasta do seu problema mais profundo: A solidão.

Não vou nem falar de espiritualidade.

Imagine a população gay espalhada por este Brasil continente. Nas cidades pequenas viver a sexualidade na terceira idade é uma utopia, além dos problemas inerentes às sociedades locais. Enfrentar os desafios do envelhecimento é muito mais difícil, porque existe uma coleção de fatores que contribuem negativamente para a velhice gay. Aí, a falta de parceiros e o isolamento são fatores de risco para problemas psicológicos, físicos e mentais.

Temos que entender e aceitar a troca de interesses mútuos.  Afetividade e prazer sexual são coisas que nos acompanham no decorrer da vida e não podemos deixar os nossos sonhos perdidos no passado. Não importa o que aconteceu de bom ou ruim na vida de cada um, é necessário socializar e pelo menos buscar amizades sinceras e companheiros que valorizem o gay maduro ou idoso.

Nesse redemoinho de situações há apenas um consenso: São poucos os gays que se preocupam em construir condições seguras para viver a velhice de forma tranquila.

Se observarmos pela ótica da evolução dos movimentos gays nós perceberemos que essa situação está mudando gradativamente.

Os gays maduros e idosos da atualidade são filhos das gerações pré 1970, onde a repressão e a discriminação deixaram marcas profundas.

As gerações homossexuais também evoluíram ao longo das décadas e nos últimos 30 anos estão desbravando e destruindo preconceitos.

Os gays idosos de hoje talvez façam parte da primeira geração de gays conscientes a chegar à terceira idade, providos de direitos, inclusive ao amor.

Portanto, levante da poltrona que te acomoda durante todos esses anos e acredite que o mundo mudou, pois ele está em constante transformação.

Não existem formulas mágicas para resolver os problemas comuns a todos os gays na terceira idade. É importante buscarmos o equilíbrio entre a compreensão e condenação da nossa diversidade sexual, para transformar as nossas experiências em maturidade.

Bom final de semana.

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Sobre Regis

58 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 07/10/2011, em Qualidade de Vida, Sexualidade e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 29 Comentários.

  1. Todo mundo envelhece sozinho. Inclusive os arrogantes héteros com filhos que vivem importunando-os por atenção como se os filhos também não tivesse as próprias obrigações e a própria família. Há duas alternativas: ou aprender que o amor de fato não é imprescindível e parar de responsabilizar os outros pela própria felicidade ou sofrer os últimos anos da vida sem tentar alcançar um objetivo que foi impedido quando jovem.

  2. Penso comigo que não devemos de forma alguma submeter a certas citações, felicidades instâncias costuma deixar um rombo muito maior.. por mais que o ser humano de modo geral precise de alguém, jamais poderá esquecer temos que nos valorizar em primeiro lugar.

  3. Jaime Pedrosa

    Estou com 55 anos e tenho grande dificuldade em conseguir parceiros para ficar comigo. Sou gay desde o dia que nasci. Quando mais jovem, até que tive alguns relacionamentos bons, mas agora, vivo em uma eterna solidão que chega a cortar meu coração. Tenho um certo receio em sair com garotos de programa, mesmo pagando para ter prazer, percebi depois que não tinha sentido algum para isto. Como falei, hoje a profunda solidão é minha eterna companhia. Sofro muito com tudo isto, pois os que, por ventura, se achegam a mim é por mais profundo interesse em algo matetial. Sou simples, não tenho bens e isto contribui ainda mais para uma vida solitária que só tende a piorar. Estes depoimentos que acabei de ler foram muito bons para mim, pois sei que também existem outras pessoas com a mesma solidão que eu.
    Paz e bem a todos.

  4. A velhice por si só, independente da sexualidade é uma fase difícil. Os homossexuais idosos de atualmente vieram de uma geração onde o tabu em ser homossexual era muito maior, e muitos mantinham seus relacionamentos nas escuras sem jamais assumir, muito dificil encontrar um casal que dava a cara a tapa pra se assumir até os anos 90, sendo assim eles não criavam vínculos, era apenas sexo para a grande maioria dos homossexuais, acredito que essa realidade tende a mudar com as próximas gerações, hoje já vemos muitos casais homossexuais se formando por ai e botando a cara no sol.

    • Roberto Méride

      realmente Lucas muita coisa está mudando. Até no meu dia-a-dia presencio casais, principalmente entre um novo e um coroa, que acabam tendo a coragem de se exporem, sem medo do que os demais pensam. isso se tornará cada vez mais normal.
      Suponhamos, qual a sua idade lucas? gosta de homens mais velhos? teria coragem de se expor caso visse que era algo realmente promissor?
      Me encanta muito, esses garotos de hoje em dia que possuem a coragem e a audácia de serem eles mesmos

  5. São dos mais velhos que eu gosto mais…

  6. Para quem tem mais de 65 anos

    Ivone Boechat (autora)

    1 – Tome posse da maturidade. A longevidade é uma bênção! Comemore! Ser maduro é um privilégio; é a última etapa da sua vida e se você acha que não soube viver as outras, não perca tempo, viva muito bem esta. Não fique falando toda hora: “estou velho”. Velho é coisa enguiçada. Idade não é pretexto para ninguém ficar velho. Engane a você mesmo sobre a sua idade, porque os psicólogos dizem que se vive de acordo com a idade declarada!

    2 – Perdoe a você antes de perdoar os outros. Se você falhou, pediu perdão? Deus já o perdoou e não se lembra mais. Mas você fica remoendo o passado… Não se importe com o julgamento dos outros. Só há dois times no Universo: o do Salvador e o do acusador. Neste último você sabe quem é goleiro. Continue no time do Salvador.

    3 – Viva com inteligência todo o seu tempo. Viva a sua vida, não a do seu marido, dos filhos, dos netos, dos parentes, dos vizinhos… Nem viva só pra eles, viva pra você também. Isto se chama amor próprio, aquilo que você sacrificou sempre! Nunca viva em função dos outros. Faça o seu projeto de vida!

    4 – Coma muito menos; durma o suficiente; não fique o dia inteiro, dormindo, dando desculpa de velhice. Tenha disciplina. Fale com muita sabedoria. Discipline sua voz: nem metálica, nem baixinha; seja agradável!

    5 – Poupe seus familiares e amigos das memórias do passado. Valorize o que foi bom. Experiências caóticas, traumas, fobias, neuroses, devem ser tratadas com o psicoterapeuta. Não transforme poltrona em divã, ouvido em descarga.

    6 – Não aborreça ninguém com o relatório das suas viagens. Elas são interessantes só pra quem viaja. Ninguém aguenta ouvir os relatórios e ver fotografias horas e horas. Comente apenas o destino e a duração da viagem, se alguém perguntar. Aprenda a fazer uma síntese de tudo, a não ser que seus amigos peçam mais detalhes. Se alguém perguntar mais alguma coisa, seja breve.

    7 – Escolha bons médicos. Não se automedique. Não há nada mais irritante do que um idoso metido a receitar remédio pra tudo o que o outro sente. Faça uma faxina na sua farmácia doméstica.

    8 – Não arrisque cirurgias plásticas rejuvenescedoras. Elas têm prazo curto de duração. A chance de você ficar mais feio é altíssima e a de ficar mais jovem é fugaz. Faça exercícios faciais. Socorra os músculos da sua face. Tome no mínimo oito copos de água por dia e o sol da manhã é indispensável. O crime não compensa, mas o creme compensa!

    9 – Use seu dinheiro com critério. Gaste em coisas importantes e evite economizar tanto com você. Tudo o que se economizar com você será para quem? No dia em que você morrer, vai ser uma feira de Caruaru na sua casa. Vão carregar tudo. Não darão valor a nada daquilo que você valorizou tanto: enfeites, penduricalhos, livros antigos, roupas usadas, bijuterias cafonas, ouro velho… prataria preta, troféus encardidos, placas de homenagens. Por que não doar as roupas, abrir um brechó ou vender todas as suas bugigangas, apurar um bom dinheiro e viajar?

    10 – A maturidade não lhe dá o direito de ser mal educado. Nada de encher o prato na casa dos outros ou no self-service (com os outros pagando); falar de boca cheia, ou palitar os dentes na mesa de refeições (insuportável).

    11 – Só masque chiclete sem testemunhas. Não corra o risco de acharem que você já está ruminando ou falando sozinho.

    12 – Aposentadoria não significa ociosidade. Você deve arranjar alguma ocupação interessante e que lhe dê prazer. Trabalhar traz muitas vantagens para a saúde mental, além do dinheiro extra para gastar, também com você.

    13 – Cuidado com a nostalgia e o otimismo. Pessoas amargas e tristes são chatíssimas, as alegres demais, também. Elogie os amigos, não fique exigindo explicações de tudo. Amigo é amigo.

    14 – Leia. Ainda há tempo para gostar de aprender. A maturidade pode lhe trazer sabedoria. Coloque-se no grupo sempre pronto para aprender. Não se apresente em lugar nenhum dizendo: sou muito experiente!

    15 – Não acredite nas pessoas que dizem que não tem nada demais o idoso usar roupas de jovens, cuidado. Vista-se bem, mas com discrição. Cuidado com a maquiagem, se for pesada, você vai ficar horrível.

    16 – Seja avó do seus netos, não a mãe nem a babá. Por isso nem pense em educá-los ou comprometer todo o seu tempo com as tarefas chatas de ir buscar na escola, levar a festinhas, natação, inglês, vôlei… Só nas emergências. Cuidado com aquela disponibilidade que torna os outros irresponsáveis.

    17 – Se alguém perguntar como vão seus netos, não precisa contar tuuuuuuuudo! Evite discorrer sobre a beleza rara e a inteligência excepcional deles. Cuidado com a idolatria de neto e o abandono dos filhos casados…

    18 – Não seja uma sogra chata. Nunca peça relatório de nada. Seu filho tem a família dele. Você agora é parente! Nunca, nunca, nunca mesmo, visite seus filhos sem que seja convidado. Se o filho ligar pra você, não diga: ah! lembrou finalmente da sua mãe? É melhor dizer: Deus o abençoe meu filho.

    19 – Cuidado em atender ao telefone: se a pessoa perguntar como você vai e você responder “estou levando a vida como Deus quer”; “a vida é dura”; “estou preparando a partida”; “estou vencendo a dureza”; você vai ver que as ligações dos amigos e dos parentes vão rarear, cada vez mais.

    20 – A maturidade é o auge da vida, porque você tem idade, juízo, experiência, tempo e capacidade para se relacionar melhor com as pessoas. Então delete do seu computador mental o vírus da inveja, do orgulho, da vaidade, promiscuidades, cobranças, coisas pequenas e frustrantes para tomar posse de tudo o que você sempre sonhou: a felicidade.

    Extraído do livro Educação-a força mágica de Ivone Boechat

  7. Saudacoes! Eu nao sou religioso, mas vejamos do ponto de vista biblico essa situacao: Romanos 6:23 – Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna por intermédio de Cristo Jesus, nosso Senhor!

    Gostaria de saber se os amigos gays/heteros do blog enxergam a inevitabilidade da solidao e abandono na fase final da vida dos gay. Por favor analisem de forma pragmatica, sem o ” politicamente correto”
    Deveria o estado (sociedade) preencher a lacuna deixada pela ausencia familiar que e’ emblematica na vida dos homossexuais?

    Ou a sociedade deveria comunicar ao homossexual que durante sua juventude e mesmo nao gostando, este deveria construir um vinculo familiar, filhos, filhas, sobrinhos, etc…? Oque e claro e’ que a velhice chega pra todos mas o HOMOSSEXUAL nao se prepara para ela em vida, ignorando completamente a vindoura 3a idade.
    Seria esta solidao-gay quase inevitavel na 3a idade mais uma “prova” da nao-funcionabilidade do homossexualismo? Sofrimento e vitimizacao que comecou na infancia e terminou melancolicamente na velhice com a morte?

  8. A velhice chega para todos, independente da sexualidade, o sexo apenas faz parte da vida de todo mundo, não é o fator principal, só se apega a isso as pessoas que não acreditam em mais nada, são completamente materialistas, e consumistas, viver não é apenas isso, é um conjunto de fatores, não existem fórmulas, em cartilhas, faz parte da experiência de cada um, quem melhor se preparar melhor passará, é uma questão de evolução , vivendo na matéria é claro que precisamos dela para vivermos, é uma relação diretamente proporcional, portanto um não vive sem o outro, precisamos evoluir nos dois planos simultaneamente, e ter uma projeção mais espiritualizada das relações propriamente ditas, e colocarmos sempre no lugar do outro para não machucar e consequentemente também não ser machucado, e este é processo, quem melhor estender a cama, melhor conforto terá para dormir, ou seja, para também melhor se projetar, e uma questão de merecimento, e ninguém fugirá disso, e nem passará despercebido, acreditem nisso, vivam sem medo e sejam felizes de verdade, essa felicidade não será medida, será simplesmente sentida a cada dia de vossas existência, independente da nossa idade, beleza, juventude, não conta, o que realmente vai pesar, são as suas atitudes diante da vida, e ela lhe cobrará com certeza, portante diante disso, não tenha receio de ser FELIZ, simplesmente permita-se e sinta-se merecedor, depoimento de quem vive esse processo conscientemente.

  9. Tenho 43 anos. Sempre gostei de pessoas idosas ( só curto homens acima de 55 anos), por isso fico preocupado com o avanço da minha propria idade, terei dificuldade em me relacionar com pessoas acima dos 55? Dizem meus amigos que passarei a gostar dos mais novos, mas ao contrário não sinto por essas criaturas a minima atração. Sou fascinado pelos mais velhos que eu.

    • Olá, achei interessante o seu comentário. Estou realizando meu TCC, relacionando a homossexualidade e o processo de envelhecimento. Gostaria da sua ajuda . Bom, vim pedir a sua contribuição. Eu procuro algumas pessoas com 40 anos ou mais para conversar e a partir desta conseguir realizar este trabalho que será muito enriquecedor e relevante para todos.
      Espero poder contar com vc. E desde já agradeço.
      O nome será mantido em sigilo.
      Meu email para contato (paula_agy@hotmail.com)
      Obrigada
      Paula

  10. Caros amigos, tenho 52 anos de uma vida muito bem resolvida quanto a minhas preferencias e o que posso dizer aos gays mais novos que não se preocupem com a idade mas, apenas que não exponham suas famílias a situações indesejaveis perante uma sociedade hetero preconceituosa apenas isso, e colherão no futuro com certeza o fruto da boa convivencia, vivo só e tenho o carinho e afeto de minhas irmãs, sobrinhos, filhos de sobrinhos e de vizinhos maravilhosos.
    Tive dois grandes relancionamentos um de quatro outro de doze anos morando juntos, nunca deixei de fazer nada que tive vontade apesar de vir de uma das gerações que mais sofreu com o preconceito.
    Vivam mais se respeitem sempre, para permitirem ser vistos da mesma forma.

    • Olá Beto, sou aluna de Terapia Ocupacional da faculdade UFTM, estou elaborando meu TCC (trabalho conclusão de curso) e o tema esta relacionado com a homossexualidade no processo de envelhecimento. Gostaria da sua ajuda Bom, vim pedir a sua contribuição. Eu procuro algumas pessoas com 40 anos ou mais para conversar e a partir desta conseguir realizar este trabalho que será muito enriquecedor e relevante para todos.
      Espero poder contar com vc. E desde já agradeço.
      Meu email para contato (paula_agy@hotmail.com)
      Obrigada
      Paula

  11. Abordagem direta e significativa!
    Parabéns pelo texto.
    Meu nome é Thiago, tenho 20 anos, gay e extremamente pensativo rs
    Pelo jeito não sou o único que pensa no futuro, pior ainda é pensar no futuro que virou presente.
    Todos os fatores citados sobre a homossexualidade são verídicos. Existe um enorme buraco emocional afetivo em um “Gay” jovem, buscamos em uma vida alternativa uma compreensão, um “amor” que nos preencha. Essa vida alternativa é a famosa farsa do viver, queremos viver em um tempo determinável as emoções de uma vida inteira. Apostamos alto (nossa vida).
    Ando observando os gays , suas maneiras, seus interesses e Infelizmente chego a conclusão, que são desinteressados. Criam um senso aventureiro, uma espécie de liberdade ao ridículo. Muitas vezes se submetem a extrema vulgarização, tentam se encaixar em lugares que sempre exigiram padrão. Claro que todos nós temos personalidades, manias, excessos. Mas a grande maioria encorpora um personagem, um ser previsível , engraçadinho. Quando não conseguem se encaixar nos padrões em que todos os demais se encaixam independente da sexualidade, eles se revoltam , entram em um mundo fútil,mesquinho,escuro!
    Eles mesmos criam uma armadilha mortal, não percebem que a unica pessoa que os julga são eles mesmos. Por opção viveram um terço de uma vida imaginaria, apenas um terço. Pq é obvio sabe , ninguém nasceu para ser sozinho.
    Não estou apontando nada, nem generalizando ! só uma observação do que tenho vivido =/
    Desculpe se disse besteiras rs aah e novamente, Parabéns pelo texto.

  12. Olá,gostei muito da materia, sou aluna de Terapia Ocupacional da faculdade UFTM, estou elaborando meu TCC (trabalho conclusão de curso) e o tema esta relacionado com a homossexualidade no processo de envelhecimento. Gostaria da sua ajuda e de todos que se interessem pelo assunto .Bom, vim pedir a contribuição de vcs. Eu procuro algumas pessoas com 40 anos ou mais para conversar e a partir desta conseguir realizar este trabalho que será muito enriquecedor e relevante para todos.
    Espero poder contar com vcs! E desde já agradeço. Passem a informação adiante.
    Meu email para contato (paula_agy@hotmail.com)
    Obrigada
    Paula

  13. Ola, gostei do texto e com 26 anos começo a pensar muito no que eu vou fazer hoje, para que meu futuro seja bom. Estou vivendo um relacionamento em que no inicio diziamos que seria “Por toda a vida!!!” a fala da parte dele continua a mesma, mas a minha tem mudado, não tenho certeza hoje se consigo continuar, amo mas não sei se devo seguir em frente. Fico com medo de levar adiante somente por medo do futuro de solidão… Infelizmente só o futuro me dara a verdadeira resposta…

  14. Paulo Azevedo Chaves

    A velhice para os gays é sem dúvida um drama.Mas a velhice em si é o maior drama, pois com o passar dos anos perdemos parentes e amigos e o nosso em torno se assemelha a um cemitério.O essencial para qualquer pessoa idosa — seja ela hétero ou homo — é ter uma saúde razoavelmente boa, amigos desinteressados, alguma renda para a sobrevivência digna.Dramatizar em excesso a condição homossexual do idoso.me parece equivocado.
    A verdadeira tragédia é a velhice, seja ela homo ou não.

    • Paulo.
      Muito obrigado por comentar este post com a sua sabedoria de vida.
      Você tem razão quando menciona a saúde, amigos desinteresados e renda para a sobrevivência digna.
      A dramatização foi decorrente de uma coleção de fatos obtidos em troca de mensagens com um gay que faz trabalho volutário para idosos gays no Rio de Janeiro.

      Abraços

  15. Kiko Riaze

    Tenho pensado muito sobre a velhice ultimamente e, confesso, que me assusto um pouco com a ideia. Não pela suposta perda de atratividade ou qualquer outra futilidade relacionada à estética, pois sou muito bem resolvido quanto a isso e entendo que as mudanças físicas são inevitáveis, fazem parte do ciclo da vida. Meu corpo de 3.3 já não é o mesmo de 2.0. As mudanças são visíveis a cada ano…

    Meu medo é, justamente, da solidão. A sociedade “hétero”, de alguma forma, se prepara para a terceira idade. As pessoas casam, têm filhos e netos, aos quais cabem a missão de cuidar de seus pais na velhice. Já os gays não. Fomos (e ainda somos) durante muito tempo segregados da sociedade, impedidos de constituir família, por preconceito, por falta de leis, etc. Vivemos durante muitos anos na “boca do lixo”, expostos ao perigo, à promiscuidade, ao hedonismo e, quando chega a velhice, nos defrontamos com a nossa própria decadência, sem ter com quem contar, já que há muito fomos rejeitados pelas nossas famílias e a maioria dos amigos já ficaram para trás.

    Estou sendo generalista aqui, mas não distante da realidade, infelizmente. Em contrapartida, como você tão bem apontou no texto, a geração de gays idosos de hoje é muito mais esclarecida e vive um momento de visibilidade do movimento gay nunca antes experimentada. Desta forma, creio que as coisas se tornem mais fáceis no futuro e não tão dolorosas. Pelo menos teremos leis ao nosso favor que já vêm surgindo ao longo dos últimos anos e um melhor entendimento e aceitação das pessoas em relação à homossexualidade.

    Ainda assim será preciso muita sabedoria para driblar os problemas da terceira idade. Aceitar as condições e se adaptar a elas, da melhor forma possível, mas nunca se entregar.
    Parece clichê, mas a verdade é que nunca é tarde para ser feliz 😉

    Parabéns pelo texto!

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