Arquivo mensal: outubro 2011

O Amor dos Homens Mais Velhos

Recentemente, o poeta Paulo Azevedo Chaves descobriu o blog dos grisalhos por conta de um artigo publicado neste espaço em julho de 2009 – Paulo Azevedo. A partir dai trocamos algumas mensagens.

No vai e vem das palavras chegou no meu e-mail o seu último trabalho: Poemas Homoeróticos Escolhidos.

Em parceria com Raimundo de Morais – Interpoética, a obra é a primeira coletânea de poesia com textos de conotação gay lançada em Pernambuco.

Por indicação do próprio Paulo, eu escolhi O Amor dos Homens Mais Velhos, para divulgar o seu trabalho contido nesta obra em versão para a Internet e que possivelmente será seguida de uma edição impressa.

Paulo, muito obrigado por compartilhar a sua obra, pois para mim é muito importante e espero que os leitores do blog conheçam e gostem do seu trabalho.

Também, tomei a liberdade de ilustrar este artigo e o seu poema com um trabalho do artista plástico homoerótico israelense, Raphael Perez.

O Amor dos Homens Mais Velhos  faz parte da coletânea de Poemas Traduzidos da obra de James Kirkup (Inglaterra, 1918-2009).

Eles são sempre tocantes em
sua tristeza, ternura e ansiedade,
todos os tristes homens idosos
que um dia foram tristes rapazes. 

Como não se emocionar
com seu isolamento e desolação,
seus tênues sonhos e esperança
de um amor, um novo amor, uma amizade? 

Os mais pobres e feios ainda anseiam
por um calor humano passageiro, um toque,
um aperto de mão, a sensação, o deleite
da nudez de um outro, de sua força e graça
enriquecendo toda aquela pobreza, vazio e morte. 

Amizade é apenas para os jovens
mas também deveria ser para os velhos.
Os velhos precisam mais de amigos
que os jovens, que os têm em excesso.

Quando eu era mais jovem e de boa aparência
sempre me oferecia aos homens idosos.
Eu também saía com outros rapazes, às vezes,
mas pelos velhos sentia um amor especial.
Eu costumava me sentir como um radioso anjo louro
que descia ao mundo para libertá-los da
escuridão de suas moradas insalubres,
da cansativa procura nos parques, nas saunas,
da espera paciente, costas doridas, tornozelos inchados,
de pé no fundo escuro das salas de cinema. 

Fátua juventude! E, no entanto, do fundo do coração,
eu apenas queria que eles fossem amados
tanto quanto eu o era. E mais importante:
eu vinha ao encontro deles e eles
nunca me rejeitavam, como os jovens às vezes faziam
com sua frivolidade, capricho e mesquinharia. 

Os velhos são sempre sérios. Eles têm que ser.
Era por isso, em parte, que eu os amava.

Minha mocidade passou, eu ainda amo os homens idosos,
mas não existem mais à minha volta, como outrora,
anjos radiosos como o que eu fui em meus dias dourados.

Gay maduro de cama, mesa e boteco

Em março de 2010 eu publiquei um artigo noutro blog sobre o tema deste post.

A ideia surgiu quando eu vi um anúncio na Internet de um gay procurando um gay maduro para relacionamento e que fosse bom de cama, de cozinha e de boteco. Pode?

O que me chamou a atenção nem foi a cama e a mesa, mas o boteco. Não é nenhuma novidade que gays frequentem botecos e neste universo são gays másculos e sem o esteriótipo do gay “fervido” ou com trejeitos que os denuncie.

Em São Paulo tem um bar que chamam de “bar dos amigos”, fica na Rua Bento Freitas no centro da cidade. Lá todos os dias sempre têm algum gay maduro ou idoso circulando e tomando uma cerveja. Um amigo até chamou o bar de “clube dos bolinhas gays“.

Os frequentadores chegam dos vários bairros da cidade, da zona leste à zona oeste, de  norte a sul, além dos moradores do próprio bairro. De vez em quando um visitante chega de outra cidade ou estado.

O boteco é mais movimentado a partir das quintas-feiras, porque coincide com os bailes do ABC Bailão, conhecido reduto de gays maduros e idosos.

O grande movimento do bar , também, acontece nas noites de sexta-feira. Por lá uma turma que joga futebol se encontra para bater papo, beber e paquerar. No sábado à tarde tem um movimento moderado e o que percebo são alguns casais sentados nas mesinhas da calçada tomando cerveja e se divertindo. Alguns mais alegres, se abraçam e se beijam ali sob olhares curiosos dos transeuntes.

Não muito longe dali no Largo do Arouche tem um tradicional boteco que se mantem vivo desde os anos 80, é o Bar Trabuco. A freguesia tem as mesmas características do bar dos amigos. Na Rua Vieira de Carvalho tem o Bar Avenida, outro reduto gay com cara de boteco.

A vizinhança desses botecos já está acostumada, porque o Bairro da Vila Buarque é conhecido como um reduto gay e talvez no futuro será o primeiro bairro, exclusivamente, gay de São Paulo, semelhante aos bairros gays dos Estados Unidos, Canadá e Espanha.

Quando alguém procura um parceiro para cama, mesa e boteco ele está à procura de um homem comum que seja um bom amante e  que gosta de beber e de sair para os bares.
Isso muitas vezes pode ser ruim, porque sempre rola muito mais do que conversas e pode gerar ciúme e até brigas, principalmente se o consumo de bebidas for exagerado e algum dos parceiros ficar bêbado.

Se você freqüenta botecos gays, fica conhecido de todos e às vezes passa uma imagem distorcida e errônea de quem você é. Nos bares as fofocas e boatos rolam soltos e todos colocam as notícias em dia. Eu não tenho nada contra, sabe-se que os freqüentadores de botecos gays querem diversão, paquera e muita bebida – uma forma de passar o tempo e fugir da solidão, além de socializar.

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