A mudança de preferências sexuais entre os gays

Por sugestão de um leitor do blog eu decidi publicar mensalmente uma série de artigos que eu chamei de “contos da cidade”.

Na verdade são histórias de gays maduros e suas experiências de sexo, relacionamento e vida com parceiros. Historias essas advindas dos gays que residem nas grandes cidades brasileiras.

Você poderá encontrar essas histórias na categoria: Contos da Cidade.

Bem, vamos lá.

André (nome fictício) era um jovem de 25 anos e gostava de gays com a mesma faixa de idade. O tempo passou e hoje ele tem 54 anos.

Ao longo de quase trinta anos André vivenciou muitas decepções amorosas em seus relacionamentos. Ele queria um companheiro para dividir tudo, mas sempre teve apenas bons momentos de prazer e sexo porque os seus parceiros, certos ou errados queriam outras coisas e nada de namoro sério, além da insegurança e ansiedade própria da juventude.

Com o passar do tempo ele percebeu que quando se envelhece os valores pessoais mudam radicalmente e para os gays é muito importante encontrar um parceiro fixo porque não existe o elo familiar tradicional e ele não queria ficar sozinho.

O corpo envelhece, as rugas aparecem, a barriga cresce, os pêlos caem, a potencia sexual diminui, os gays jovens discriminam e isolam os mais velhos, mas nem isso tudo tirou do André a vontade e o desejo por gays mais velhos do que ele.

Ele também descobriu que a preferência sexual é apenas um dos atributos no relacionamento, talvez o mais importante, mas se deixou levar pela experiência de outros gays que como ele tinham as mesmas histórias da juventude e ao final de uma longa amizade acabou se apaixonando.

André abriu as portas para relacionamentos com homens mais experientes e depois de tantas buscas se acertou com um homem cinco anos mais velho e estão juntos há seis anos.

Ai eu perguntei como é que ficava a questão das preferências sexuais e ele me respondeu: Quando você gosta de uma pessoa de verdade, os defeitos e as imperfeições ficam em segundo plano porque o que eu queria era receber carinho e dai para o sexo foi questão de adaptação.

Na juventude eu tinha pavor de velhos, mas quando eu me olhei no espelho e percebi que estava envelhecendo descobri que eu era bonito e gostoso e ai o tesão por corpos mais velhos aflorou.

Histórias como essas são comuns no meio gay, mas a maioria ainda não percebeu que o tempo é cruel com todos os seres humanos e que é necessário viver o presente e se adaptar a ele.

Muitos gays buscam na velhice a juventude perdida, mas tantos outros estão descobrindo e aceitando a velhice como um processo natural da vida e assim como o André estão valorizando não apenas a experiência dos mais velhos, mas também o sexo que pode muito bem ser adaptado para o prazer na velhice.

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Sobre Regis

58 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 19/09/2011, em Contos da cidade, Sexualidade e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 14 Comentários.

  1. joao carlos

    Achei muito interessante esta matéria, pois muitos gays tem “paranóia” com este lance de idade, mas o que o gay maduro precisa realmente é se amar e se respeitar… Digo respeito no sentido de “nunca” se nivelar por baixo em qualquer situação, jamais se achar feio, velho, gordo, etc… Pode ter certeza que muitos gays mais novos não valem 1 real furado, tem mais paranóias e grilos que um gay maduro. Tem solução para tudo, um outro conselho que sempre digo aos meus amigos gays maduros: nunca pare no tempo, não fique comparando anos 60, 70, 80 e 90 com os tempos atuais. Lógico que foram épocas ótimas, mas o que precisamos é viver o presente e o momento é hoje. Se cuide, passeie, vá ao cinema, viaje, balada, recicle-se, se vista com roupas modernas, nada tão exagerado…rsss, um bom perfume, acompanhe a modernidade, acesse internet, use computador… Pode ter certeza que toda panela tem sua tampa.

  2. Edmundo Moraes

    Adorei, é isso ai mesmo. Eu quando mais novo gostava de mais velhos, nem tanto velhos assim.
    Hoje estou com 62 anos e gosto de cinquentões, é uma delícia.
    Estou com um de 52 anos que está completamente apaixonado e eu também. Nem sei no que vai dar, enquanto isso estamos namorando muito.
    É muita cena de ciúmes e tudo que temos direito.
    É isso ai, vivam e sejam felizes.

  3. Eu tenho 21 anos e nunca vi alguém com uma responsabilidade tão profunda como vc! Parabéns por tocar em um assunto que nunca ninguém quer mexer…por falar coisas que todos sabemos mas ninguém quer tocar no assunto!!!
    Adorei seu site e estou mostrando a todos no carpe noctem … precisamos que todos leiam e façam seu próprio futuro…
    Um abraço
    Cau

  4. Achei muito interessante esta matéria, pois muitos gays tem “paranóia” com este lance de idade, mas o que o gay maduro precisa realmente é se amar e se respeitar… Digo respeito no sentido de “nunca” se nivelar por baixo em qualquer situação, jamais se achar feio, velho, gordo, etc… Pode ter certeza que muitos gays mais novos não valem 1 real furado, tem mais paranóias e grilos que um gay maduro. Tem solução para tudo, um outro conselho que sempre digo aos meus amigos gays maduros: nunca pare no tempo, não fique comparando anos 60, 70, 80 e 90 com os tempos atuais. Lógico que foram épocas ótimas, mas o que precisamos é viver o presente e o momento é hoje. Se cuide, passeie, vá ao cinema, viaje, balada, recicle-se, se vista com roupas modernas, nada tão exagerado…rsss, um bom perfume, acompanhe a modernidade, acesse internet, use computador… Pode ter certeza que toda panela tem sua tampa.
    Tenho 41 anos e sempre tive atração por homens mais velhos, tive um único relacionamento que durou 17 anos, hoje esta pessoa tem 60 anos. Estou solteiro e a procura de um novo amor…
    Estou aí, me amando em primeiro lugar e trabalhando minha cabeça para esta nova fase da vida, afinal já me enquadro como um “coroa”, graças ” a Deus!!!

    • É isso aí, Paulo.
      Você está no caminho certo.

      abraços

      • juraci mendes

        estou certo que vc tem razao, porque tambem eu me identifico como voce gosto da vida e aproveito da melhor maneira possivel adoro homens mais velhos tanto pelo seu charme como pela sua experiencia de vida, alias voce esta na idade que eu aprecio se quizer se comunica comigo.

  5. Desde os meus 14 anos de idade que tenho atração por homens bem mais velhos do que eu. O meu primeiro caso tinha 38 anos e eu na época tinha 18 anos. Atualmente, estou com 46 anos. Resido numa cidade pequena, por este motivo é cada dia mais dificil eu conseguir um relacionamento estável. Vivo de aventuras sexuais, no entanto queria, ou melhor, quero um relacionamento, tendo em vista que a solidão é grande. Faz certo tempo que mudei as minhas preferências sexuais já que mantive relações sexuais com pessoas mais jovens do que eu. Este conto “é a minha cara”.

  6. Até os meu 45 anos, dentro do armário e muito inibido, eu nao procurava pelos parceiros mais velhos, os quais eu sentia uma atração irresistível. Lembro-me que eu passava perto de jovens bonitos, fortes e nada me chamava à atenção.
    Aconteceu, que descobri que sentia grande atração por homens fardados, e a partir dai comecei a observar esses homens, até que um dia tive a oportunidade de conhecer um, 14 anos mais jovem que eu. Depois de me relacionar com ele, dai pra frente, tudo mudou, passei a preferir mais jovens. Acho que para tirar esse “atraso”, conforme vc disse acima, comecei a procurar a minha juventude neles, e deixei de me sentir atraido por homens mais velhos.
    Ainda não entendo muito bem esse processo, ainda procuro entender o porque dessa alteração de “preferência”.

  7. Realmente esta historia é comum estre os gays mais velhos, inclusive, comigo. Eu me acho agora tão esquisito que não tenho mais coragem de ter alguem, eu tenho a mesma sensação que eu tinha quando eu era criança eu achava que so eu era gay e hoje eu acho que so eu me sinto assim, parece que eu não tenho mais o direito de ser gay.
    Me perdoe este comentario ele é mais um desabafo.

  8. edgarsaldanha

    Gostei de todos os demais, porém oportuno face a transição historica que vivenciamos, e as cabeças/comportamentos se cristalizando ou adaptando às mudanças.

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