Os gays e a família

É muito difícil avaliar a condição dos gays dentro do armário, pois cada caso é um caso e não dá para generalizar.

A principal preocupação dos gays é a família que é uma instituição tradicional e milenar. Família todo mundo tem e cada um tem uma história.

No meu caso, quando eu percebi que não dava mais para esconder, eu preferi fugir para bem longe de casa. Na verdade eu estava cansado de tanto mentir para os colegas do colégio, os vizinhos, os parentes como: primos, primas, tios e tias, irmão, irmã, pai e mãe.

A minha mãe nunca me cobrou nada, porque sabia quem eu era.

No auge dos meus 25 anos eu tive a infelicidade de perder minha mãe, mas de certa forma isso foi como uma libertação. Dois anos depois fui morar com um amigo num apartamento no centro de São Paulo e gradativamente a minha vida mudou.

O meu amigo também saiu de casa no interior de São Paulo para tentar uma vida melhor. Para ele o álibi era o trabalho e a possibilidade de ser alguém na vida. Pra mim não foi diferente porque hoje sei que tudo o que tenho foi graças à decisão de sair de casa e a minha vida decolou em todos os sentidos. Não preciso mentir, mas mantenho a minha privacidade. Quanto à minha família? eu me relaciono com ela, numa boa. Até o meu pai que tem 76 anos me respeita e me aceita sem fazer nenhuma pergunta.

Eu nunca me privei de boates e bares gays, mesmo assim aprendi bem cedo a controlar os gastos para honrar as despesas. Eu me formei em duas faculdades e hoje sou um bem sucedido executivo da área financeira, além de manter o site dos Grisalhos há 13 anos e que não me rende dinheiro como pensam os visitantes e assinantes.

Vivi os anos de ouro da Disco Music, atravessei os anos negros da AIDS, perdi muitos amigos e colegas e eu não via nenhuma luz no fim do túnel. Mas cá estou em pleno século XXI vivendo a plenitude dos meus 52 anos. Eu fui um cara consciente sobre os perigos do HIV e sempre me cuidei porque quem me ama sou EU.

Enfim, a família é um grande obstáculo na vida dos gays. Por isso, eu recomendo a todos para largar a sua família e ir viver a sua vida. Quem fica marcando passo dentro de casa não tem futuro e sempre vai ser cobrado sobre a sexualidade.

O gay tem que ser muito macho para sair de casa e enfrentar a vida. Tem que ter coragem de abandonar a família: pai, mãe e irmãos. Tem que romper os laços afetivos e familiares, porque só assim é possível vislumbrar uma vida melhor e menos traumática.

Eu sei que para a maioria isso é difícil, pois depende da vivência e da relação familiar de cada um, mas existe alternativa?

Não dá para conciliar família e homossexualidade. O mundo mudou, as pessoas tem acesso à informação, mas a instituição “família” continua tão antiga quanto à existência do homem.

Gay é legal na família do vizinho, mas não na minha.

Se a sua família te aceita com o gay, saiba que você ganhou na loteria.

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Sobre Regis

58 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 19/07/2011, em Opinião, Sociedade e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 4 Comentários.

  1. Estou à procura de um amigo, de um companheiro, mas está dificil achar ,
    gosto de coroa acima de 60, anos mas eles não querem uma coisa solida só querem aventuras.
    Eu fico bobo porque eles querem uma transa e mais nada.
    Tenho 36 anos não vou sair transando tenho que conhecer bem a pessoa
    A AIDs esta ai – previnir é otimo .

  2. Bem, sinceramente, eu precisava ler este relato.
    Tenho 20 anos, trabalho e ajudo em casa, mas o fato de não exercer minha homossexualidade na casa da minha mãe, fora que ela me odeia apenas por eu ser o que sou, me faz realmente crer que a única saída é abrir minhas asas, voar e lutar por mim.

    • Ander,
      No contexto da homossexualidade e devido a todas as pressões sociais e familiares, isso talvez seja a única saída para uma vida menos traumática.
      Boa sorte e voe bem alto!

  3. edgarsaldanha

    Muito oportuno por em discussão/reflexão assuntos desta natureza que levem a libertação e consequente afirmação da cidadania em pé de igualdade, e não “as meias bocas” de armárias que não se enjagam em nada e ainda reproduzem a ideologia dos opressores.

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