Gays maduros e as festas juninas

Hoje é dia de Santo Antônio e isso me faz recordar uma fase maravilhosa da minha infância. As Festas Juninas.

O mês de junho é muito especial pra mim. Além do santo casamenteiro, tem São João e São Pedro, também, é o mês do meu aniversário.

A minha homossexualidade nunca foi motivo para eu não participar das festas, na longínqua vizinhança da casa dos meus pais. Na juventude eu adorava organizar as festas comunitárias, desde a preparação das bandeirinhas multicoloridas confeccionadas em papel de seda, até cortar madeira para a fogueira. Os vizinhos colaboravam com as comidas e doces típicos, outros preferiam os fogos de artifício e os mais ousados faziam balões, também de papel de seda.

Lá pelos meus vinte anos, eu me afastei da família e fui viver a minha vida e as festas juninas ficaram sepultadas no passado.

Na fase adulta eu já tinha relacionamento estável com um gay maduro e ele gostava de participar das festas organizadas nas comunidades das igrejas católicas. Foi nessa época que eu conheci Orlando.

Orlando é um velho amigo e sempre gostou de paquerar nas quermesses das igrejas. Eu não conseguia acompanhar o seu ritmo, sempre regado a muito quentão, bata doce e pinhão. Orlando também está sepultado no passado, ele faleceu em 1995 em decorrência do HIV, mas as festas juninas estão bem vivas nas minhas memórias e no meu presente.

Se você prestar atenção sempre vai encontrar gays maduros passeando por essas festas juninas e se prestar ainda mais atenção vai perceber muitos casais discretos circulando entre as pessoas.

Em São Paulo a melhor e mais tradicional festa é na sede da Portuguesa de Desportes, o clube de futebol. Os admiradores de homens maduros ficam de queixo caído de tanto homem gostosão.

Nos banheiros do clube a pegação discreta rola solta e sempre sobra alguém para um final de noite.

Os tempos mudaram e hoje tem até Festa Junina Gay, coisa impensável lá pelos idos de 1969. Também, as festas mais chiques e badaladas contam com grupos de pagode, forró e duplas sertanejas.

Eu sou muito ligado às tradições da nossa cultura e do folclore; sempre gostei daquelas barraquinhas na frente das igrejas, porque além de ser gratuitas, tem um clima bem popular.

As festas juninas estão presentes em todas as cidades, de norte a sul do Brasil e as mais tradicionais estão no nordeste e capitalizam turistas de todos os lugares do país e do mundo. É óbvio que por lá também tem muitos gays.

Portanto, se você gosta de festa popular aproveite e vá se distrair. Quem sabe você não encontra um companheiro para compartilhar bons momentos. Você não tem nada a perder e se não encontrar um parceiro, pelo menos você vai saborear boa comida, bebida e vai ter muitas histórias para contar.

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Sobre Regis

58 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 13/06/2011, em Cultura, Diversão, Sexualidade e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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