Arquivo mensal: maio 2011

Relação estável entre gays – até quando acreditar?

Frequentemente recebo e-mail de internautas, onde eles colocam a questão da relação estável entre os gays como uma utopia.

Alguns chegam a duvidar que não seja possível amar outro homem e que fomos colocados no mundo com a condição de nunca sermos felizes ou fomos feitos apenas para o sexo; outros chegam ao extremo de dizer que cansaram de ser gays., porque procuram, procuram e acham apenas homens dispostos ao sexo sem compromisso.

Eu digo a esses gays que eles ainda não descobriram a sua verdadeira natureza homossexual ou mesmo a sua própria identidade de gênero. Esse pessoal precisa tirar da cabeça os modelos e padrões heterossexuais.

Somos diferentes, portanto, os padrões existentes não nos servem e temos que buscar o nosso próprio modelo – Único!

O mundo moderno nos condiciona às relações abertas por conta da valorização do individualismo e a busca do prazer.

As relações estáveis são sonhos que passamos a alimentar depois de vivermos uma vida de procuras e experimentações sexuais muitas vezes frustrantes e vazias. A busca por parceiros passa a ser mais de companheirismo do que sexual. É quando começamos a questionar o verdadeiro sentido das coisas materiais e físicas.

Estou chegando aos 52 anos de idade e eu penso que numa boa relação, a comunicação passa a ser mais franca, existe identificação com o parceiro e a cumplicidade gera um clima agradável e a guerra dos sexos, ou seja, a busca por parceiros sexuais deixa de ser a prioridade.

Existem outras razões para a manutenção de uma relação, mas fundamentalmente, algumas coisas em comum são importantes: constância, personalidade, afeto, respeito, objetivos mútuos – tudo isso soma para o sucesso.

Cada indivíduo, sendo único, caso tenha interesse encontrará a melhor maneira de se relacionar e manter o relacionamento.

Então, até quando acreditar?

A resposta é subjetiva. Depende da sua maturidade emocional, do que você quer pra sua vida, da consciência de que nada dura pra sempre, seja a tesão ou a juventude, essenciais para o estilo de vida hedonista que muitos gays adotam.

Você é responsável pela sua própria felicidade, e, de acordo com seus objetivos, a relação estável pode ser apenas uma SEGURANÇA, num mundo cada vez mais individualista e egoísta, seja materialmente ou afetivamente.

Caso você tenha um espírito livre e queira aproveitar a vida e sem se amarrar a ninguém, a vida oferece prazeres físicos, com a certeza das desventuras que a solidão pode trazer.

O ser humano tem a natureza para a sobrevivência, portanto, acreditar é um verbo que conjugamos todos os dias.

Quando envelhecemos ficamos descrentes de muitas coisas, mas não podemos deixar de acreditar e de sonhar.

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As fortalezas e castelos dos gays maduros

Na minha faixa etária, os gays idosos e maduros se sentem terrivelmente excluídos, porque não tem aonde ir. Em São Paulo, por exemplo, são tão poucas as alternativas que dá para contar nos dedos.

Talvez, seja por isso que o ABC Bailão, o Caneca de Prata e raríssimos bares gays fazem tanto sucesso há anos! O Shopping Frei Caneca é um programa de índio, até porque tem outros muito melhores e não dá para circular por outros locais sem ser observado e discriminado.

Os empresários do mundo GLS fazem fortunas com entretenimento para o público jovem, mas não investem no público maduro. Recentemente, alguns eventos com grande divulgação atingem todos os públicos, inclusive, os maduros.
Exemplos: O Cruzeiro Gay Nacional e a Parada Gay.

Imagine eu entrando na The Week, na certa irão me olhar e pensar o que este “tiozão” está fazendo aqui?

Eu tenho certeza que ao longo dos anos construímos nossas fortalezas e castelos para viver confinados e seguros. É por isso que eu viajo para a minha chácara no interior, por lá eu me sinto seguro e longe de tudo. É lá que eu posso viver com o meu companheiro sem ser discriminado. Tomamos banho e dormimos juntos. Os nossos parcos vizinhos não nos incomodam e se sabem que somos gays, pelo menos na nossa frente não dizem nada.

Eu me considero um ser privilegiado por ter uma profissão e estar a pouco mais de três anos da aposentadoria. Muitos gays nessas condições constroem o seu mundo particular. Um mundo composto de um bom apartamento na cidade, um carro, um apartamento na praia ou uma casa no campo. A possibilidade de curtir férias no nordeste, nos Estados Unidos ou na Europa.

Isso também é prisão! E tantos gostariam de estar nessas condições – paga-se para ter a segurança, mas não conseguimos pagar para ter alegrias com as coisas simples da vida. Na chácara eu até faço coisas simples, como andar de pés no chão, apanhar uma laranja na laranjeira, cortar a grama ou varrer as folhas da varanda.

Quando me sinto isolado aqui na capital de São Paulo, eu e meu companheiro vamos para São Vicente, no litoral e lá no Ki-Buteco eu recarrego as minhas energias observando o meu mundo gay de homens maduros e seus companheiros, mas no fim do dia eu retorno para a segurança do meu castelo e a magia desaparece. Entendeu?

Eu sou um cara de sorte porque tenho um companheiro para dividir os espaços do meu castelo. Vez ou outra, convidamos os poucos amigos para um almoço ou jantar.
Bom seria viver longe das muralhas da minha fortaleza e aproveitar os anos que ainda me restam. A vida é muito efêmera.

A segurança é importante, mas o isolamento social é uma realidade na vida dos gays maduros e aí preenchemos nossos dias com coisas do mundo heterossexual, até porque não dá para viver sem ele.

Em muitos casos, gays que constroem seus castelos não têm com quem dividir os seus espaços e aí ocorre a frustração e a solidão. Esses ficam debruçados nas muralhas observando o mundo lá fora e repentinamente, envelhecem física e psicologicamente.

Isso é triste, mas é uma realidade cada vez mais presente na população gay com mais de 60 anos

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