O fim dos guetos gays

Após décadas, talvez, séculos de confinamento nos guetos, os gays estão encontrando e descobrindo os seus espaços de socialização fora dos locais tradicionalmente destinados a eles. É o que os americanos chamam de Out of the Wall.

Nos últimos 30 anos o cenário dos guetos mudou radicalmente. Muitos bares ou boates tradicionais simplesmente sumiram. E isso não é privilégio nosso, porque na Europa e Estados Unidos isso também aconteceu.

O fenômeno vem acompanhado de uma tendência de consumo que privilegia os gays porque são consumidores em potencial.

Outro dia eu ouvi um comentário assim: “Antigamente os guetos eram bem populares, hoje os guetos estão elitizados e muito caros”. Na verdade trata-se do comércio para os gays e não o gueto em si. O gueto é o espaço físico e os bares, boates e saunas são comércios dentro dos espaços.

Tradicionalmente, a Rua Vieira de Carvalho no centro de São Paulo sempre foi identificada como um gueto homossexual, mas isso está mudando e a o comércio do local também.

No Brasil a diversidade do comércio para os gays está muito além do espaço físico do gueto, está dentro dos shoppings, nos bairros de boemia, nas avenidas das cidades e principalmente nos locais de praias. Esses locais possibilitam muita liberdade para caminhar, paquerar, exibir corpos malhados e é propício para o consumo de bebidas.

Também, os “points gays” estão em constante migração dentro dos espaços físicos. Hoje a vida de um comércio para gays é muito curta. Abre-se um comércio, se ganha muito dinheiro, fecha as portas e vai embora.

Outro motivo para a constante migração é a violência. Antigamente a violência contra os gays dentro dos guetos era muito pequena. Hoje a violência ocorre a qualquer momento e em qualquer lugar. Grupos organizados se infiltram nos guetos e geram violência.

Hoje não há espaços para saudosismos, as pessoas se comunicam e se encontram por períodos muito curtos. As turmas de amigos estão desaparecendo, os gays são individualistas, assim como toda a sociedade moderna, pós-advento da Internet, da automação e da tecnologia.

Os gays querem muito mais do que os guetos oferecem e esse é o principal motivo deles ultrapassarem os muros dos guetos e isso não tem mais volta. Os guetos não são formados apenas por comércio, há todo um contexto social e de sexualidade e todos esses quesitos não estão mais atraindo os gays que preferem circular livremente por todos os espaços urbanos.

Eu posso até estar errado, mas tenho a convicção de que todas essas mudanças começaram em 1969, no Bar StoneWall, dentro de um gueto em Nova York.

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Sobre Regis

58 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 11/04/2011, em Comportamento, Opinião, Sociedade e marcado como . Adicione o link aos favoritos. 4 Comentários.

  1. Eu jamais flertaria ou paqueraria alguém fora do gueto. O risco é maior.

  2. >Olá… sou Bi, não sou Grisalho mas sei que serei um dia… Acompanho o Blog sempre e gosto muito dos posts e do jeito de como escrevem.Nesse post em especifico gostaria de dizer que apesar dos "guetos" estarem se desfazendo e que os gays não precisam exatamente deles para se divertir ou encontrar uma pessoas legal, infelizmente a maioria das vezes é só lá que encontramos esse publico. Não aguento mais ter que ir pra uma balada gay pra ter que encontrar um cara bacana, pois é … esseé o mundo em que vivemos!!http://oblogueirobebeu.blogspot.com/

  1. Pingback: Do Gueto ao Bairro Gay | Grisalhos

  2. Pingback: O gueto gay em constante transformação « Grisalhos

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