Os gays e a liberdade: outro binômio critico

No mundo gay ser homem é apenas uma questão de gênero, o importante é ser livre.

As subculturas homossexuais masculinas urbanas são compostas por tribos e rótulos dados aos gays pelos próprios gays – travestis, Bees, barbies, bears, coroas, etc.

A sociedade não associa a figura do homem comum com a homossexualidade porque ela enxerga apenas o óbvio e confunde identidade sexual e identidade de gênero.

Os bears, coroas e idosos são tipos comuns na sociedade e não se imagina um homem desses beijando outro homem, muito menos fazendo o papel do “passivo” na relação sexual.

Existem mais gays com “cara e jeito de homem” do que os tipos efeminados.
Independente do gênero masculino e da sexualidade, neste caso a homossexualidade, o mais importante é a cidadania e o direito de ser livre.

Ser livre para fazer o que quiser e com quem quiser, desde que dentro de normas sociais legais – estar dentro da lei. O gay é acima de tudo um cidadão com direitos e deveres.
As conquistas sociais dos gays ao longo dos últimos 30 anos amparam alguns princípios básicos de cidadania, mas estamos longe de ser livres.

Os guetos sempre foram espaços permitidos pela sociedade para os gays terem suas experiências, livres da condenação social, mas bem distante do resto da sociedade – eu chamo isso de liberdade controlada.

O meu amigo e terapeuta sexual João Pedrosa escreveu num blog:

As duas principais agências controladoras da sociedade, o governo e a religião, continuam condenando a homossexualidade. O governo e o estado brasileiro não garantem a total liberdade de expressão da orientação sexual e a principal religião da sociedade brasileira conta com um homofóbico militante, o Papa Bento 16. As agências controladoras, juntamente com os indivíduos que compõem o sistema social controlam o comportamento sexual dos membros da sociedade punindo a homossexualidade através de várias ações coercitivas: demissões nas empresas, expulsão de casa, espancamentos, assédio moral, etc.

Nos dias atuais exemplos claros sobre gênero podem ser observados à luz do preconceito. O grupo de travestis sempre esteve vinculado à marginalidade, ao cidadão pobre, vindo da periferia das grandes cidades, da violência e da repressão policial, enquanto o gay é identificado como o cidadão saído da classe média, com estrutura familiar e boa educação.

Eu já ouvi muito gay dizer que não gosta de travesti, mas que não tem nada contra eles. Será?
Na verdade isso é a segregação social dentro do mundo gay. O travesti tornou-se o profissional do sexo e os gays tem a vida voltada para o cotidiano dos estudos, do trabalho e da ascensão social.

Outro trecho do texto do João Pedrosa:

Longe da mídia e dos jovens da classe média existe um mundo cruel para os gays: o mundo da periferia das grandes cidades. Lá são assassinados muitos gays, principalmente os travestis. Não aparecem nas estatísticas nem nas páginas policiais. Como me relatou recentemente um gay morador da periferia da zona leste de São Paulo: “acharam mais um presunto boiando no córrego da favela ontem, era mais um traveco. Com os gays e as sapatas eles mexem menos, mas com os travecos matam mesmo!”.

Um dos grandes medos dos gays desde a adolescência é não passar a imagem de “bichinha”, justamente, para não ser inferiorizado perante a sociedade e sofrer violência física e psicológica.

A busca pela liberdade, principalmente, de expressão da sexualidade gera violência.
Veja os fatos corriqueiros divulgados nos jornais e TVs brasileiras. Nesses episódios há um fator que choca a sociedade. São homens circulando de mãos dadas e se beijando publicamente e o preço pago por essa exposição é alto. Os brasileiros querem ser iguais aos americanos, mas são culturas diferentes.
As novelas estão mostrando uma realidade com casais gays que não é nossa, é americanizada!

Veja no Japão: Andar de mãos dadas? Nem pensar! Beijar em público então… No Japão, nem casais heterossexuais têm coragem de demonstrar o carinho na frente dos outros, e se mostram recebem olhares de desaprovação. Que dirá de um casal gay. Então, apesar de algumas cidades serem o que chamam de ‘gay friendly’, expor a sexualidade só mesmo dentro de quatro paredes.

Eu já ouvi gay dizer: eu sou um homem que gosta de homem. Nessa condição a divisão dos grupos homossexuais é bem definida. Você se lembra do Bofe? Pois é, ele é a figura do homem na relação sexual, numa posição superior ao passivo que é relacionado com o feminino.

Os homens gays nascidos nos anos de 1980 estão respirando um clima de maior liberdade e tolerância, mas ainda assim, eles não se sentem livres.
Mesmo assumindo publicamente a homossexualidade, não queremos ser colocados à margem da sociedade e nem ser discriminados. Desejamos fazer parte de qualquer nicho social e ter liberdade – Liberdade de escolha, de expressão, de ir e vir.

Desejamos ser livres numa sociedade que nos reprime por nossa sexualidade. Onde tem repressão não tem liberdade.
É muito bonito ver anuncios em outdoors, mundo mix, consumo gay, mas a liberdade é moeda de troca apenas no mundo do consumo. Você é tratado como consumidor e usam o discurso dos gays para vendar mais.

Eu defino a liberdade como um sinônimo de diversidade, de gênero, raça e sexo e nesse contexto a liberdade deve existir para os travestis, os michês, os negros, as lésbicas, os idosos e todos os rótulos dos gays da classe média e alta.

Quanto aos gays maduros, já não bastam tantos anos reprimidos e presos em nossas “celas invisíveis” e ainda assim, temos que conviver com outras formas de prisão também, na velhice?

Bem, esse é um binômio crítico e que não traz boas perspectivas de liberdade na velhice gay porque ser homem não é apenas uma questão de gênero, é uma questão de sobrevivência.

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Sobre Regis

58 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 22/03/2011, em Comportamento, Cultura, Política, Sexualidade, Sociedade e marcado como . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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