Imagem positiva dos gays na maturidade

Nascemos gay e vamos morrer gay – essa frase eu ouvi ontem numa conversa telefônica com um amigo.
A maioria dos gays não aceita a sua homossexualidade e isso gera conflitos pessoais, emocionais e psicológicos durante a vida inteira.

O processo de aceitação da homossexualidade ocorre a partir do momento que existem condições sociais favoráveis e isso quase nunca é possível, principalmente, no Brasil.
As condições sociais estão associadas à cultura do povo e eu posso afirmar que as culturas das grandes cidades brasileiras são diferentes entre si, bem como, das culturas de cidades menores do interior do nosso país – Quanto menor a cidade, menor a possibilidade de você encontrar condições sociais favoráveis.

Assim, eu suponho que a grande maioria dos homens se aceitará como homossexual na idade adulta, apenas quando existir condições sociais favoráveis. Os jovens de hoje tem mais facilidade em assumir-se gay, portanto, não sofrerão os traumas e conflitos na maturidade.

Aos gays que já são maduros ou idosos é importante aproveitar as condições sociais atuais para criar uma imagem positiva como homossexual. É mais ou menos como “aproveitar a onda” e juntar-se ao “grupo” -Olhe ao seu redor e observe o “momento favorável” do presente.

As condições sociais favoráveis foram inseridas gradativamente nas sociedades ocidentais pelos movimentos gays organizados desde o fim dos anos 60 até as grandes manifestações das Paradas Gays da atualidade.

Não basta apenas ter as condições sociais favoráveis, também temos que fazer a nossa parte e trabalhar os bloqueios do reconhecimento de nossos próprios desejos sexuais, retomar nossas relações sexuais com parceiros, equilibrar as tensões diárias dos nossos conflitos interiores, para que sejamos conduzidos a pensar e acreditar que nossos desejos podem ser aceitáveis e “normais”.

Na maturidade é muito difícil encontrar suporte social porque nos isolamos das pessoas por diversos motivos, também, damos ênfase ao estigma sexual e a sexualidade é apenas uma das variáveis do ciclo da nossa vida.

Não podemos nos esquecer de que somos cidadãos que contribuem com a sociedade, não somos marginais, pagamos impostos como qualquer um. Fazemos parte da cadeia produtiva do nosso país, tanto na indústria, comércio e serviços, quanto nas ciências políticas, humanas e sociais.
Não adianta confidenciar todos os seus traumas, problemas e rejeições ao seu travesseiro, porque ele é apenas um objeto inanimado que não vai ajudar na hora que o isolamento social te aprisionar.

Esses sentimentos de vergonha e perturbação, por sua vez, devem ser minimizados na medida que o “mundo gay” é descoberto.
Temos que intensificar os contatos com outros que compartilham preferência sexual semelhante à nossa. Devemos, então, lutar para “assumir-se” diante da família e se não tivermos coragem pelo menos assumir para os amigos de fora da comunidade gay, buscar relações afetivas e, eventualmente, encontrar com um ou mais companheiros que se tornam “parceiros de vida”.

Nascemos gay e morreremos gay, mas com uma imagem positiva e como participantes de uma sociedade que precisa de cada um de nós – gays humildes e anônimos.

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Sobre Regis

58 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 18/02/2011, em Comportamento, Qualidade de Vida, Sexualidade, Sociedade e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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