Mundo gay também tem pobreza e sem-teto

Ontem eu li a matéria do Vinicius Queiroz Galvão na Folha UOL sobre Sem-teto gays de SP andam juntos para se proteger e decidi trazer aqui para o blog para algumas reflexões:

O mundo gay não é cor-de-rosa – também tem miséria e abandono.

Há os sem-teto, os sem-amigos, os sem-dinheiro e os sem vergonhas, porque na hora de pedir abrigo tem que ter muita coragem, pois não dá para mascarar a sexualidade e ainda estar sujeito às piadas e a mais violência física e psicológica.

Na matéria do Vinicius, a prostituição e a dependência de álcool e drogas são fatores primários nessa condição de pobreza e abandono. Nessa condição o ser humano chega ao fundo do poço e quando se está na sarjeta a saída é muito difícil, quase impossível.

A ajuda social para essa parcela da população gay brasileira, não vem dos gays porque esses estão preocupados com o seu status quo, as baladas e a ferveção.
Imagine um gay dando apoio a outro gay que vive na rua – Hoje isso ainda é utopia!

No mundo gay também tem o “mundo cão” e a maioria faz de conta que ele não existe e até diz:
Quem mandou ser “bicha louca”, se drogar e se prostituir?
Ninguém escolhe ser gay, muito menos ter identidade de gênero feminino.

Outras histórias reais demonstram casos de gays da classe média que cheiraram (*) apartamentos, carros, roupas e todas as suas economias e na hora de pedir ajuda, o amigo íntimo fez de conta que não conhecia o dependente químico.

A Cultura Queer e o Mundo Mix funcionam muito bem para todas as classes sociais de consumo, exceto quando há pobreza e miséria – senão, seria Mundo Mixerável!

Os gays podem estar afundados na lama, mas fazem de conta que está tudo bem. É um mundo de faz-de-conta de causar inveja à indústria cinematográfica de Hollywood.

Hello! Quando é que vai “cair a sua ficha”, para a realidade do mundo gay? A pior das realidades é a homofobia, a velhice e a solidão – dai para a dependência de álcool e remédios é um passo e o abandono é a consequencia.

Poucas pessoas no mundo gay estão interessadas em trabalho voluntário para as comunidades gays e dentre esses poucos há os gays interessados em autopromoção, visibilidade na mídia e possibilidades de cargos políticos.

Tenho uma colega psicóloga que me disse:
Os gays são individualistas e materialistas por natureza. As conquistas de espaços e leis deveriam possibilitar a integração e a socialização dos gays de uma forma mais coletiva e não é isso o que acontece, pelo menos no Brasil.

Nota: (*) Cheirar é uma gíria do mundo das drogas – uma referência ao ato de cheirar cocaína ou cheirar pó.

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Sobre Regis

58 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 14/02/2011, em Opinião, Sociedade e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. José Valentin Tozato

    gostaria de saber, onde e como posso ser voluntário para as comunidade gays.
    grato

  2. >Belo artigo, penas as pessoas realmente estarem mais preocupados com a mídia e status deixando de lado os outro necessitados.

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