A insegurança emocional dos gays maduros

Você que já passou dos 60 anos acredita que é possível se envolver emocionalmente com outro homem e viver uma relação legal?
Essa pergunta eu ouvi de um gay idoso que recentemente conheceu um rapaz de 35 anos e está apavorado com a ideia de “cair de cabeça nessa relação”.

Ele justificou alguns fatores comuns nessa fase da vida:

• A diferença de idade e o conflito de gerações;
• O medo de sofrer com o fim da relação;
• As experiências frustrantes do passado;
• A descrença nos sentimentos do parceiro

Nesse mar de coisas negativas eu disse pra ele que não dá para generalizar, porque se não nos libertarmos dos fantasmas do passado não vivemos o presente e consequentemente não teremos um futuro.
A diferença de idade entre parceiros é normal e isso pode ser contornado com inteligência, porque os mais velhos tem que ter ”jogo de cintura”, para driblar as situações do cotidiano que envolvem, a idade e o conflito de gerações.

O medo do sofrimento ou de perdas na velhice tem que ser substituído por um sentimento positivo. Não dá para imaginar um gay idoso com medo de sofrer – Para mim isso é insegurança.
Nessa fase da vida as perdas foram assimiladas e temos consciência que outras perdas virão, pois tudo passa e tudo é finito.

O passado não pode influenciar o nosso presente, temos que nos libertar das memórias tristes e das situações de sofrimento vividas ao longo da vida e focar o momento atual sem associar a coisas negativas.

Eu já escrevi aqui no blog que a descrença nos sentimentos alheios é um dos principais motivos do isolamento social dos gays maduros e idosos nessa década do século XXI.
Temos que ser positivos, pensar com otimismo, acreditar mais nas pessoas e se permitir viver relacionamentos sinceros.

O envolvimento emocional é consequência do amadurecimento da relação e quando você menos espera o “bichinho” te pega e aí você está emocionalmente envolvido e a relação pode durar alguns meses ou muitos anos. Agora, se você não quer se permitir envolver emocionalmente com o parceiro deixe rolar o sexo pelo sexo e fim de papo.

Finalizo este post com outra pergunta: será que conseguimos controlar o nosso sentimento ao ponto de não nos envolver emocionalmente com nenhum parceiro?

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Sobre Regis

57 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 01/02/2011, em Comportamento, Relacionamento e marcado como . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Esta questão do envolvimento é sempre presente. E ela é mais difícil quando se é bissexual e casado. Noto que muitos simplesmente levam uma vida dupla e só procuram sexo ocasional. Alguns, particularmente os ativos, as vezes tem um “namorado” ou “amante”, com quem saem com frequência. Não sei se é a minha experiência, limitada, mas vejo que sendo passivo tão somente, muitos querem “algo mais”. Começam aí os problemas, nem sempre os mais jovens que querem uma relação tem meios de uma vida independente e sempre me passam a impressão que querem vantagens materiais. Isto nos faz arredios a ter um “caso”, depois de muitos anos como um viado discreto, resolvido mesmo em relação a sua bissexualidade, quando grisalhos não se quer arriscar algo que, como muitas vezes exposto aqui, será uma relação temporária. Como ficaria a situação doo viado casado que se expusesse, saísse do armário? No mínimo desconfortável.

    Mas de vez em quando se encontra alguém que é mais do que um sexo ocasional, se sente algo e dá vontade de, digamos, namorar. Mas o medo da perda de toda uma vida onde a duplicidade foi sempre uma segunda natureza é muito forte.

    Eu tenho vivido isto e, de vez em quando, fantasio que iria arriscar.

    Aqui, em geral, só vejo discussões e opiniões sobre homossexuais assumidos, quer dizer, que não se relacionam com mulher. Muitos problemas deles, no entanto, são próximos de nós, viados casados. Bem que gostaria de mais opiniões sobre isto tudo.

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