Verdades e sexo dos gays maduros

Lí um artigo interessante no site Sociofonia.org sobre idosos e homossexuais e associei o texto a várias experiências pessoais de amigos já falecidos, muito semelhantes aos relatos do texto original e então surgiu um outro artigo de minha autoria que transcrevo a seguir:

O universo dos gays é povoado de temas “tabus” e até parece que não somos ninguém ou se somos, as aberrações da natureza conspiram a nosso favor. Mas, o que dizer sobre tantas verdades ocultas no imaginário popular, sem misturá-las com o sexo, outro tema tão polêmico e conservador, mesmo para as etnias heterossexuais?

Se você não conhece a seguinte afirmativa do francês Guy Hocquenhem : “O buraco do meu cu é revolucionário!” não entende a sexualidade dos seus iguais e daqueles com quem você se relaciona sexualmente durante a vida.

A virgindade do seu ânus corre sérios riscos de ir para o espaço, principalmente, se você já vive os últimos anos da maturidade e o início da terceira idade. Nessa etapa da vida, além da sociedade repressora, outros fatores conspiram contra você e o principal deles é a solidão. A velhice homossexual é cruel e por mais que você fuja dela, algum dia ela te pegará.

A solidão se manifesta a qualquer hora, mas na calada da noite ela vem com tudo, quando a depressão ou a insônia insiste em não deixa-lo dormir. Daí para o carro e dele para a rua é apenas um impulso. Circular na madrugada à procura de michês para satisfazer o seu tesão não é o melhor remédio contra insônia, mas infelizmente, isso é uma verdade inconteste presente nas metrópoles, como São Paulo, Rio de Janeiro ou Belo Horizonte.

A figura do michê está no imaginário de todos os gays, mesmo os mais conservadores. Por outro lado a realidade desse personagem está recheada de aventuras, perigos e tragédias. No princípio, não querem perder a virgindade e nem ser beijados e quando menos se espera, lá se foi o cabaço do cu e da boca esfolada por lábios carnudos de outro macho.

A homossexualidade é uma prática sexual combatida e desqualificada, ela é rejeitada até por nós mesmos, mas existem outras verdades por trás de um simples termo para designar as preferências sexuais. Fazemos de conta que não somos gays, mas estamos sempre à procura de corpos masculinos e rejeitamos os corpos femininos.
Essa rejeição aflorou no fim da infância e início da adolescência. Muitos sofreram repressão da família e da igreja, seja ela católica, protestante ou evangélica, dai surgiu uma grande confusão na sua cabeça e você se isolou do mundo.
Na juventude pensamentos pecaminosos são frequentes e a falta de conhecimento e experiência de vida te faz sentir um extraterrestre, o diferente, o anormal. Você até acredita que há algo errado com você.

Tente se lembrar de quantas vezes você foi taxado de viado ou bicha?
Essas palavras nunca te fizeram bem, porque na essência do significado elas designam gays passivos e nenhum gay assume que é passivo. Se você nunca experimentou não se desespere, na velhice você ainda vai experimentar o “ferro do prazer” porque na extrema falta de companheiros, você se entregará aos profissionais do sexo.
Você vai fuder e ser fudido e não haverá nenhum cabaço para contar o final da história.

Existem diversos fatores que conspiram desfavoravelmente contra você. Desde os físicos com o desgaste natural do corpo ao longo da vida até os psicológicos e sociais.
Não adianta ter dinheiro no banco, porque o máximo que você vai conseguir é adiar a chegada de tantos problemas físicos e mentais.

Aí você me pergunta: existe remédio contra todos esses males da velhice gay? Sim, existe.

A discriminação contra os gays vem diminuindo a cada década, mas se você é da geração dos anos 1970 para trás, viveu muita discriminação e preconceito, portanto, internalizou conceitos negativos da sua sexualidade e isso não tem mais volta.
Não dá para voltar ao passado e mudar tudo, mas dá para tentar mudar daqui para frente.
É muito difícil, mas não é impossível. A aceitação da condição homossexual melhora todas as suas condições físicas, psíquicas e emocionais, melhora a autoestima e não limita a qualidade de vida.

Outra verdade ainda mais cruel é o suicídio.
De modo geral, não existem estudos e pesquisas no Brasil sobre o comportamento, práticas e modo de vida dos gays, mas sabe-se que o suicídio é muito comum, principalmente, na população gay masculina, com altos índices entre os mais idosos.
Os principais motivos de suicídio são: estados de depressão, solidão, isolamento social, carências afetivas  e culpas, além da falta de motivação para a vida, falta de amigos, de familiares, falta de afeto, carinho e sexo.

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Sobre Regis

57 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 28/01/2011, em Qualidade de Vida, Saúde, Sexo, Sexualidade e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

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