Sampa gay

Hoje a cidade de São Paulo completa 457 anos e como qualquer grande metrópole do mundo ela é repleta de vida e diversidade. Por aqui tudo é permitido, tudo acontece.

É uma metrópole de todos os brasileiros e turistas estrangeiros que chegam aos milhares todos os dias. A vida gay é fervilhante para todas as idades, classes sociais e preferências sexuais.
São Paulo é cinza por fora e colorida por dentro, porque a alma desta cidade é a alma de todas as pessoas. São elas que fazem da cidade um painel colorido muito especial.

Eu amo São Paulo, porque eu nasci e vivo aqui. A cidade me protegeu da homofobia. Em SAMPA eu dei os meus primeiros passos no mundo gay, ela me ensinou todos os macetes da vida de um homossexual e quase a totalidade dos meus relacionamentos aconteceram aqui – Breve a cidade vai ganhar mais um morador, o meu atual companheiro.
Obviamente, na minha adolescência os tempos eram diferentes, eles foram mais reprimidos e conservadores, mas muito mais românticos.
Tenho muitas saudades do Paribar, da Cinelândia na Avenida São João, do Anjo’s Bar na Rua da Consolação, da Boate Off no Itaim Bibi e da Nostro Mundo (ainda viva), da magnífica Boate Medieval na Rua Augusta dos anos 70 ou da Boate Corintho dos anos 80. Tantos lugares que marcaram a minha vida e que hoje são memórias de uma cidade que está em constante transformação.
Naqueles tempos as paqueras não eram frívolas, rolava o sexo pelo sexo em tempos pré-AIDS, ainda assim havia muito respeito entre os gays. Não havia as tribos atuais de Bears, Coroas ou Barbies e as pessoas conversavam mais, se olhavam mais, se percebiam mais.

Para quem não conhece São Paulo, vale a pena conhecer os principais points gays da cidade: das paqueras discretas no Parque do Ibirapuera durante as caminhadas matinais até o footing nos finais de semana na Avenida Paulista e região.
Os gays maduros estão em todos os lugares da cidade. Fervem às quintas-feiras no ABC Bailão ou aos sábados na Cantho. Passam pela Rua Vieira de Carvalho e Largo do Arouche no centro velho, almoçam aos sábados no Eugênio Bar, poucos frequentam a The Week, milhares são vistos na Parada Gay e outras centenas se misturam à multidão durante a Virada Cultural.

Os menos conservadores são vistos no Shopping Frei Caneca, os mais endinheirados frequentam a Sauna Clube 269, a classe média e os mais humildes são freqüentadores assíduos das saunas Xingú.
Os gays maduros também circulam no Conjunto Nacional lá na Avenida Paulista e frequentam os cinemas de arte da Livraria Cultura e do Espaço Unibanco, além dos Festivais de cinema gay do Mix Brasil e alguns maduros estrangeiros são vistos no Posto de Turismo Gay da Rua Frei Caneca.

Você encontra os gays maduros no Metrô da cidade, nos mais de 15 mil ônibus, nas padarias e feiras livres, nos mais de 80 Shopping Centers, nos teatros e bibliotecas, nas centenas de parques municipais e nos manjados cinemas de pegação e banheiros públicos.
Aqui tudo pode e não é muito diferente de Nova York, Londres ou Paris, exceto pelo atraso em relação aos direitos dos gays , mas nem isso tira de São Paulo a magia e a alegria multicultural, da mistura de raças e cores que fazem desta cidade um lugar maravilhoso.
Parabéns São Paulo!

Sobre Regis

57 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 25/01/2011, em Cultura, Opinião, Sociedade, Turismo e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 4 Comentários.

  1. Parabéns pela bela matéria, antes de mais nada!
    Talvez este não seja o local apropriado para tais colocações de minha parte, no entanto pretendo fazê-lo, pois percebi a seriedade com que trata as questões gays em nossa cidade (SP).
    O que ocorre é que sou um homem de 39 anos, professor, pós-graduado, muito educado, culto, esportista, sem vícios e nteressado em conhecer um gay maduro (uns 50 anos ou mais), bem resolvido, que não esteja procurando meras aventuras, mas que almeje um relacionamento sério. Porém, me sinto, muitas vezes, um ET, pois o que percebo é que os gays só buscam sexo. A minha dúvida é: existe algum local específico onde posso encontrar pessoas, com o perfil que mencionei acima, que compartilhem desse meu interesse?

    Atenciosamente.

    • Edson
      São Paulo é uma cidade em constante transformação, portanto, o que publiquei em 2011, com certeza já mudou muito, mas o principal local de encontro dos grisalhos é o ABC Bailão.
      boa sorte.

  1. Pingback: São Paulo – A Metrópole gay de 460 anos | Grisalhos

  2. Pingback: O meu amor homossexual por São Paulo « Grisalhos

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