Patrimônios e matrimônios dos gays maduros

Nada melhor do que começar o ano falando de patrimônio associando-o ao matrimonio ou à relação entre os gays, porque sempre na virada do ano fazemos pedidos de muito dinheiro no bolso, um companheiro para compartilhar a vida e saúde para dar e vender.

Os gays com muito juízo e bom planejamento constroem o seu patrimônio no decorrer da vida: imóveis, bens duráveis e de consumo, ativos financeiros e alguns poucos, obras de arte, jóias e moedas estrangeiras.

Até ai, tudo muito bem, pois durante a maturidade aprendemos a administrar o nosso patrimônio de forma simples, controlada, sem contratempos e milhares vivem uma vida muito boa.

Os relacionamentos não são empecilhos para você ampliar ou administrar os seus bens materiais. Você até compartilha o que você tem com o seu parceiro, mas, há casos muito complexos onde o casal batalha para conseguir um patrimônio juntos e na hora da separação, o caso vai parar na justiça porque não se chega a nenhum acordo. Aquele que foi seu parceiro durante anos vira o seu maior inimigo e fica a impressão que nem se conhecem.

Outros casos, ainda mais comuns tem a ver com a morte de um dos parceiros, geralmente o mais endinheirado e aí, a coisa fica “preta”, porque a família não permite nenhuma regalia ao parceiro de anos de relacionamento.

Eu sempre achei que no mundo gay, patrimônio e matrimonio são coisas distintas e não dá para misturar, pode até funcionar nas relações heterossexuais e até nessas os problemas de brigas judiciais são comuns.

Cada um tem que constituir os seus bens no seu nome, porque na velhice se acontece uma fatalidade, a família que ficou longe de você a vida inteira e te discriminou por ser gay será a primeira a correr atrás do que foi seu e chegam até bloquear conta bancária individual ou conjunta e o seu parceiro vai sofrer muito se for dependente de você.

Não tenho nada contra constituir patrimônio juntos, mas eu não conheço uma situação que teve final feliz, inclusive, até já fui testemunha para um amigo que teve um relacionamento de 30 anos e com a morte do parceiro, ele teve que entrar na justiça com ação de reintegração de posse de uma chácara onde ele investiu parte do seu dinheiro, porque a família do outro queria tudo, além de humilhá-lo por ser gay.

Você faz do seu patrimônio o que você quiser, pode ajudar o parceiro com estudo, trabalho, aquisição de pequenas posses, até um apartamento, mas nunca se esqueça de você. Cada um dos parceiros tem que ter o seu imóvel e seus ativos financeiros no seu nome, pois ninguém sabe o dia de amanhã.

Hoje tem até financiamento de imóveis para gays, o que é um grande negócio no ramo imobiliário.

Quer fazer bem feito? doe parte dos seus bens em vida, passe algum imóvel para o nome do parceiro ou faça um testamento público, registre em cartório, obtenha um laudo de sanidade mental de médico credenciado, envie cópia do testamento para amigos de confiança, pois eles serão testemunhas em caso de ação judicial de partilha ou reintegração de posses.

Tornando públicas as suas vontades não tem parente que vai ganhar as incontáveis causas que chegam ao judiciário todos os anos, além do que a questão do regime jurídico de bens nas relações entre gays ainda está engatinhando no Brasil.

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Sobre Regis

58 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 04/01/2011, em Justiça, Negócios, Relacionamento e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Grisalhos,

    Fiquei muito feliz em chegar ao seu blog … estou gostando muito da dinâmica dos blogs. É bárbaro poder saber diretamente a opinião das pessoas, vê-los ser protagonistas de suas histórias, sem intermediários … eu militei muito tempo e tive quase nenhum contato com gays acima de 50 anos. Fiquei muito interessado em acompanhar seus relatos (da equipe) …

    Quanto ao patrimônio, eu fico tão em dúvida. Sua argumentação é muito boa, mas hoje acredito que possamos fazer usos de mecanismos jurídicos para caracterizar uma união de fato … mas ser humano é uma merda e divórcios e sucessões costumam ser muito conturbados …

    Com a declaração de união estável e a inclusao no imposto de renda caracteriza-se de forma clara a intenção dos parceiros … mas por enquanto dependeremos de juizes e isso atrapalha o processo …

    parabéns pelo blog.

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