Reflexões sobre ódio e rancor contra os gays

Ainda haverá muito enfrentamento e violência contra os gays, explico: Com a liberdade e a coragem dos jovens gays da atualidade de passear de mãos dadas ou mesmo abraçados pelos locais públicos da cidade de São Paulo eu percebo muito ódio e rancor nos transeuntes que observam as cenas.

Sábado eu estive na Livraria Cultura para comprar os filmes Shortbus e Domingo Maldito, um clássico gay dos anos 70 e pude observar muitos casais de mãos dadas caminhando na Avenida Paulista e dentro do Shopping Center 3. Para mim isso já é cena corriqueira, mas o que me chamou a atenção é o ódio que essas atitudes desperta nas pessoas.

Dois jovens passaram de mãos dadas e uma senhora após observar a cena soltou essa: Que horror! Que falta de respeito! Que nojo! – nunca mais volto aqui, isso aqui está um lixo! Pergunto: porque ela estava lá, se aquele é um local misto e de frequência de gays adolescentes?

Então, eu me lembrei dos guetos dos anos 70, onde essas cenas eram comuns, mas não chocava tanto porque estávamos confinados nos guetos e lá circulavam apenas as pessoas do meio gay. A violência acontecia quando homossexuais enrustidos ou homens com raiva dos gays se infiltravam entre os habitues para no final de uma noite encher de porradas algum homossexual mais frágil.

Hoje é uma raiva ainda maior, explícita e declarada, inclusive, das mulheres.
Além da senhora, noutra cena dentro do shopping, um casal heterossexual estava sentado no Starbucks e ao ver outro casal de adolescentes abraçados passando à sua frente, a namorada disparou: Essas bichinhas estão muito atrevidas por isso aconteceu o que aconteceu ( se referindo aos recentes acontecimentos ali perto no mês de novembro). O namorado completou: é melhor a gente procurar um lugar menos vulgar, bem longe desses viados.

Tudo isso me entristece e me faz refletir sobre o meu próprio comportamento adolescente, a discriminação, a violência, senão física, psicológica, as mudanças de comportamento e o encarceramento no armário. Naqueles tempos era a polícia que mais te enchia de porradas e hoje é a polícia que te defende da população enfurecida.

Eu não nasci para ser mártir, defender causas, lutar contra uma nação, porque às duras penas consegui chegar à maturidade. O que não dá para aceitar é a raiva e o ódio declarados das pessoas. Talvez, o que choque as pessoas nem seja a sexualidade, mas o comportamento. Ver adolescentes de mãos dadas é melhor do que ver adolescentes envolvidos com álcool, drogas ou roubos.

Os jovens do século XXI estão buscando a sua liberdade de expressão e de comportamento e para isso pagarão o alto preço da conquista da liberdade. Eles abrirão caminhos às novas gerações que virão, assim, como a minha geração que sofreu muita repressão para dar aos jovens de hoje a oportunidade de continuar uma luta que atravessa séculos.

Hoje pela manhã fiquei sabendo de mais um caso de violência contra gays na mesma Avenida Paulista neste final de semana – e a vida continua….

Anúncios

Sobre Regis

57 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 06/12/2010, em Comportamento, Sociedade e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: