A vida do gay maduro dentro do armário

A vida dos gays maduros dentro do armário é igual à vida de qualquer homem e com muitas características próprias.

As rotinas diárias são semelhantes às rotinas de qualquer homem solteiro que optou por viver sozinho e longe da família. Não é de se estranhar que muitos gays no armário tem “affair” com mulheres.

Eles são independentes, escolheram morar em apartamentos nos grandes centros urbanos, falam pouco e evitam eventos sociais, como festas e confraternizações familiares e corporativas.
Preferem ficar em casa durante a semana e saem para a diversão nos finais de semana sempre misturados à multidão.

Os seus amigos gays são escolhidos à dedo, dentro dos padrões tidos como “normais” e sem afetação.
São masculinizados e não tem afinidades com gays efeminados.
Gastam o seu dinheiro com roupas e bens de consumo. Gostam de viajar porque precisam estar em movimento.

Não dão satisfação dos seus atos e são os senhores do seu mundo.

A busca por sexo ocorre sempre às escondidas, nas saunas e cinemas de pegação. A minoria frequenta locais gays, até porque os espaços destinados aos maduros são raros. A maioria prefere caçar sozinho e em locais públicos como praças e praias.

Com o advento da Internet eles encontraram o canal de comunicação ideal para paquerar e arranjar namorado, pois conseguem manter o anonimato. Eles são frequentadores assíduos das salas de bate papo e participam de redes sociais como o Facebook e Orkut.

É uma vida que compromete o equilibrio das suas emoções, por não poder expor abertamente suas preferências, mas em contrapartida existem algumas compensações próprias do armário: segurança e um falso sentido de bem estar que mascara a realidade, como se ele não fosse diferente dos demais homens do mundo e isso é extremamente prejudicial.

A vida dentro do armário também direciona para as relações estáveis, mas às vezes a dependência de parceiros fixos não lhe permite viver a plenitude da sexualidade. Poucos vivem relações abertas – não estou condenando as relações estáveis, mas o gay dentro do armário prefere manter relações estáveis apenas para não ficar sozinho, não ser taxado de promíscuo ou para mascarar a realidade de não ser visto como “homem sozinho”, porque isso pode deixar dúvidas quanto à sua vida privada e sexual.

Para os admiradores de gays maduros é uma dificuldade enorme encontra-los. Parece jogo de gato e rato, onde o gay maduro não é percebido pela sociedade e ai há um efeito colateral para os jovens que sofrem por não encontrar parceiros mais velhos.
O sofrimento é psicológico e emocional porque parece uma utopia gostar de gays maduros que nunca se encontra disponivel. É importante comentar que a sociedade  não vê com bons olhos um homem de meia idade acompanhado de um jovem – isso pode denuncia-lo como homossexual.
Esta é a razão das relações gays entre maduros serem mais frequentes, porque passa a imagem de “amigos“.

A vida do gay maduro dentro do armário sempre gera conflitos pessoais de aceitação da sexualidade e muitos são assimilados na cultura heterossexual. Gostam de futebol, bebem em bares da moda, frequentam academias e shopping Center e vão à praia como se fosse homem solteiro e disponível.
Os gays maduros no armário não são feios, nem burros, muito menos indelicados, mas extremamente desconfiados e capaz de tudo para encobrir ou disfarçar sua sexualidade.
A assimilação dos gays maduros está vinculada ao comportamento heterossexual ao qual estiveram expostos ao longo da vida e o armário ainda é o melhor refúgio e talvez o único companheiro, mesmo que solitário.

Um ditado americano diz: A closet is a very lonely homeO armário é um lar muito solitário.

Nos últimos vinte anos a vida dentro do armário tem mudado gradativa e lentamente rumo à flexibilidade e à tolerância para as minorias homossexuais e posso afirmar que a vida no armário será mais semelhante ao comportamento dos gays da atualidade, porque os jovens de hoje serão os maduros de amanhã.

Nota: Todas as idéias colocadas neste post são relativas ao meu ponto de vista sobre a vida do gay maduro dentro do armário. Portanto, se você tem uma opinião diferente pode registrar os seus comentários ou incluir alguma ideia ou situação que complementa o assunto.

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Sobre Regis

57 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 09/11/2010, em Comportamento, Sexualidade, Sociedade e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 11 Comentários.

  1. Pois é marrieddady, acho que entendo bem, ser e se manter casado porque não dá para ser diferente. E ter que tomar antidepressivos. Felizmente não os tomo. Como viado velho posso ter sexo com homens, mas, infelizmente, não mais com mulheres. Nunca tive problemas com isto, pelo contrário, ser bissexual nos permite ter as mulheres ao mesmo tempo sermos viados.

    Acho que minhas dúvidas era achar que “assumir” era ser apenas homossexual publicamente. Creio ser mais difícil ser bissexual publicamente do que ser apenas homossexual. Tenho sofrido xingamentos por assumidos que não admitem sermos casados com mulheres. No caso dos bissexuais ser casado ou andar com mulheres não é “disfarce”, é isto mesmo que gostamos. E os que, como você, são forçados por muitas circunstâncias a permanecerem no armário, não é admissível ser xingados, ofendidos, criticados por não poderem ser o que são de forma a satisfazer estes que são intolerantes com viados casados com mulher.

    Interessante, as vezes vejo uma linguagem contra nós tão abusiva por parte dos gays quanto a dos homófobicos. É pena…

    • Married Daddy

      Num famoso site de ursos que uso, às vezes sou atacado por caras que me julgam e xingam, sem mesmo ter trocado uma palavra…Puro ódio gratuito. Ignorância, “orgulho”, o que seja, é destilado com emoticons furiosos. Me limito a rir. Ninguém é obrigado a tolerar idiotas. Atualmente, mesmo casado e com relações esporádicas com a minha esposa (ela sabe, mas não liga, me procura assim mesmo), tenho atualmente um namorado, muito bonzinho, culto, da minha idade, que é a minha paixão. Amo minha esposa, mas como amiga, uma irmã, pois é um ser humano maravilhoso.

  2. marrieddaddy

    Concordo, Sérgio. Ser bissexual, casado com mulher, com filhos, é muito complicado às vezes. Até eu me questiono, querendo saber o que é melhor: seguir os preceitos morais e criar a família ou dar vazão aos sentimentos? Tive que fazer o sacrifício pelos filhos. se fosse para assumir, na minha adolescência, talvez teria sido até morto pelo meu pai, que Deus o tenha. Aí não teria nada. Eu sofri demais vendo o que os gays sofriam naquele tempo, na sociedade burra machista dos 80’s. Eu não me separei da minha mulher, mas deixei claro que não teremos sexo, isso será sublimado pelas doses de antidepressivo que tomo agora.

  3. Concordo, em parte com o que foi dito. Sem dúvida, conheço muitos homossexuais que procuram ficar sem assumir em público por ser mais confortável. Outro dia um quarentão reclamava de um parceiro que era assumido e, com isto, se expunha. Ele me disse,” para que assumir, andar na parada gay, enfim, se expor aos preconceitos se podemos ter tudo de forma discreta?”

    Além dos puramente homossexuais, há os, como eu, bissexuais. Estes tem uma vida mais complicada, pois socialmente são héteros. E, como não somos exclusivamente homo, temos este “armário” permanente. Alguém há de dizer, como muito gays militantes, “por que não sai e se assume?” Assumir o que? algo que não somos. Afinal queremos manter o casamento hétero não por disfarce cínico, como muito que conheço. Mas porque queremos mesmo continuar casados, com filhos, vida familiar. Tenho sorte de minha mulher me aceitar como sou, ela sabe que sou viado e que necessito de sexo com homens. Não que ela goste, mas ao gostar de mim, me aceita.

    Um problema dito acima é da dificuldade de se ter uma relação estável com homens. Confesso que as vezes sinto falta. Mas com quem? Um homossexual assumido e exclusivo vai querer algo mais do que ser amante, em geral. Muitos já me propuseram algo assim. Mas não, isto, em geral, não é possível para nós, não apenas pelo que perdemos socialmente, mas também porque para um maduro, de repente abandonar as mulheres, ter que se responsabilizar pelo sentimentos dos filhos, enfim, ter uma perda que não se repara é algo não impossível, mas não creio que valha a pena.

    Sem dúvida, o que resta, em geral, é a pegação. Não que seja ruim, mas sentir uma paixão masculina é uma coisa que, infelizmente, sempre é difícil.

    Homens gostam de variedade sexual, sejam héteros ou homo. Mulheres podem até aceitar os “casos” dos maridos. E me parece que aceitam melhor os casos homossexuais do que os com outras mulheres, desde que o marido não a deixe, por outro ou outra. Só que os homossexuais também apreciam relações estáveis. Podem até aceitar que o parceiro seja um pândego, que saia com muitos homens. Vejo muito em saunas parceiros que até se excitam com seu homem com outros. Mas acham difícil conciliar uma mulher na relação.

    Enfim, se mais grisalhos tem experiências assim, seria bem legal ouvi-las.

    Sei que aqui os bi são “enrustidos duplos”. Não querem que, socialmente, sejam vistos como viados. E sofrem dos homossexuais bastante preconceito. Por isto estas coisas que posto aqui, em geral, parecem não ecoar muito…

  4. Dentro ou fora. Opções. Espero que um dia esta questão deixe de ser importante. Saí do armário com 20 e poucos porque não era confortável pra mim. Foram várias cruzes que saíram de minhas costas. Meus pais, irmãos e amigos continuam me amando e, desde então, ando com a cabeça erguida sem ter de dar satisfação a ninguém sobre o fato de ainda ser solteiro.

  5. "A vida dentro do armário também direciona para as relações estáveis, mas às vezes a dependência de parceiros fixos não lhe permite viver a plenitude da sexualidade. Poucos vivem relações abertas – não estou condenando as relações estáveis"Deixe-me ver se entendi. Você não está condenando relações estáveis, mas parece ser contra, para que a pessoa possa viver sua plenitude sexual, trepando com quem passar na frente. Seria isso?

    • Prezado

      Não sou contra as relações estáveis, tanto que vivo uma há tres anos e sai de outra de vinte anos. Quanto à plenitude sexual me refiro ao sexo pleno e sem promiscuidade nas saunas e cinemas de pegação. A plenitude sexual é o sexo com segurança, confiança, carinho, afeto, amor, chamego, etc. isso não se encontra nos lugares de pegação. Voce pode viver dentro do armário e ter relações estáveis, mas a maioria não tem. A variável também está vinculada à classe social do individuo dentro do armário e a maioria está fora das classes A, B e C.

  6. Penso que viver no armário é mais uma opção do que medo, pois muitos não querem sua vida expostas aos quatro ventos, isso não quer dizer que não possa frequentar lugares gay. Cada um sabe onde seu calo doi e age conforme se sente bem, seja assumido ou não.

    Abraço…seus post são otimos

    • Prezado Leitor
      Com certeza a vida no armário é uma opção pessoal e intransferível. O raio X do armário é apenas uma forma de mostrar como nos comportamos e como a nossa sexualidade influencia em quase tudo na nossa vida.
      abraços

  1. Pingback: ← Será o fim das relações estáveis? | T A R L O U Z E

  2. Pingback: A diversidade sexual dos gays | Grisalhos

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