Arquivo mensal: novembro 2010

Video: It gets better

A Pixar reuniu vários depoimentos e montou um vídeo comovente. Os protagonistas são os próprios funcionários da empresa, lésbicas e gays, que contam suas histórias e, ao mesmo tempo, encorajam crianças e adolescentes a não se sentirem sós e sem futuro diante da discriminação.

A Pixar é um dos maiores estudios de animação do mundo – Vale a pena conferir.

Homofobia – ontem e hoje

O termo homofobia foi empregado pela primeira vez em 1971, pelo psicólogo George Weinberg – eu tinha 12 anos e estava no colégio vivendo à sombra do AI5.

Esta palavra esta associada a um medo irracional do homossexualismo, com uma conotação profunda de repulsa, total aversão, mesmo sem motivo aparente.

A homofobia define o ódio, o preconceito, a repugnância que algumas pessoas nutrem contra os homossexuais. Aqueles que abrigam em sua mente esta fobia ainda não definiram completamente sua identidade sexual, o que gera dúvidas, angústias e certa revolta, que são transferidas para os que têm essa preferência sexual. Muitas vezes isso ocorre no inconsciente destes indivíduos.

Eu não me lembro de ouvir esta palavra na minha juventude. Naqueles tempos os homossexuais eram hostilizados se tivessem trejeitos efeminados ou se fossem pegos em atitudes suspeitas nos locais públicos, em situações que os denunciassem como homossexuais. Era mais caso de polícia do que da população civil.
Hoje qualquer agressão contra gays é motivo para se falar em homofobia e eu posso até estar errado, mas a homofobia começa dentro de cada um de nós homossexuais, principalmente, os não assumidos ou com problemas de aceitação da sexualidade e se estende aos demais grupos sociais.

O que acontece com a maioria dos gays é que eles não gostam de gays afetados e quando observam dois jovens de mãos dadas na rua, mesmo que eles tenham a mente aberta, no fundo eles se incomodam porque esse tipo de comportamento não lhes agrada ou não está dentro dos valores que eles julgam normais, também, porque esses valores são individuais e cada um tem valores diferentes para o que é “normal“.

Eu não condeno e nem defendo nenhum comportamento dos gays quanto a essa questão, mas deve-se levar em conta que num universo gay, predominantemente masculinizado, é de se esperar posições contrárias aos comportamentos pessoais que incitem violência e preconceito.

Para a população gay de homens maduros ou idosos a homofobia está longe da sua realidade porque reputação e respeito foram os seus conceitos para enfrentar várias discriminações ao longo da vida. A discriminação que essa população está exposta é a homofobia dos próprios gays que discriminam os mais velhos e isso não consta em nenhuma estatística.

Casos recentes mostram que a violência física decorrente da homofobia está mais presente na vida dos jovens do que dos maduros. A razão dessa crescente onda de violência é a mudança comportamental dos jovens que estão se assumindo mais cedo, levando para as ruas a sua liberdade e expressão da sua sexualidade, muito diferente dos jovens dos anos 60 e 70 que viviam confinados em guetos e mesmo assim eram acuados e extorquidos por autoridades, até dentro de ambientes fechados. Eis que um dia eles decidiram enfrentar a situação e então surgiu o episódio histórico de Stonewall.

Cabe aos jovens se preparar para enfrentar a violência e a homofobia, porque só assim prevalecerá os seus direitos. Antigamente não tinha político e gente querendo aparecer para nos defender, portanto, posso concluir que hoje é muito mais fácil combater a homofobia, porque até a mídia televisiva aproveita para abocanhar alguns pontos no IBOPE.

Você não faz idéia como eu gostaria que tivesse alguém ao meu lado num dia qualquer de 1975, quando eu fui abordado por dois jovens na Avenida São Luis em São Paulo querendo me humilhar a qualquer custo por ser homossexual e eu tendo que me defender sozinho, dando e levando porrada, ou, noutro episódio quando um sujeito colocou uma arma na minha cabeça e falou que queria me matar porque achava que eu era gay!