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Video: It gets better

A Pixar reuniu vários depoimentos e montou um vídeo comovente. Os protagonistas são os próprios funcionários da empresa, lésbicas e gays, que contam suas histórias e, ao mesmo tempo, encorajam crianças e adolescentes a não se sentirem sós e sem futuro diante da discriminação.

A Pixar é um dos maiores estudios de animação do mundo – Vale a pena conferir.

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Homofobia – ontem e hoje

O termo homofobia foi empregado pela primeira vez em 1971, pelo psicólogo George Weinberg – eu tinha 12 anos e estava no colégio vivendo à sombra do AI5.

Esta palavra esta associada a um medo irracional do homossexualismo, com uma conotação profunda de repulsa, total aversão, mesmo sem motivo aparente.

A homofobia define o ódio, o preconceito, a repugnância que algumas pessoas nutrem contra os homossexuais. Aqueles que abrigam em sua mente esta fobia ainda não definiram completamente sua identidade sexual, o que gera dúvidas, angústias e certa revolta, que são transferidas para os que têm essa preferência sexual. Muitas vezes isso ocorre no inconsciente destes indivíduos.

Eu não me lembro de ouvir esta palavra na minha juventude. Naqueles tempos os homossexuais eram hostilizados se tivessem trejeitos efeminados ou se fossem pegos em atitudes suspeitas nos locais públicos, em situações que os denunciassem como homossexuais. Era mais caso de polícia do que da população civil.
Hoje qualquer agressão contra gays é motivo para se falar em homofobia e eu posso até estar errado, mas a homofobia começa dentro de cada um de nós homossexuais, principalmente, os não assumidos ou com problemas de aceitação da sexualidade e se estende aos demais grupos sociais.

O que acontece com a maioria dos gays é que eles não gostam de gays afetados e quando observam dois jovens de mãos dadas na rua, mesmo que eles tenham a mente aberta, no fundo eles se incomodam porque esse tipo de comportamento não lhes agrada ou não está dentro dos valores que eles julgam normais, também, porque esses valores são individuais e cada um tem valores diferentes para o que é “normal“.

Eu não condeno e nem defendo nenhum comportamento dos gays quanto a essa questão, mas deve-se levar em conta que num universo gay, predominantemente masculinizado, é de se esperar posições contrárias aos comportamentos pessoais que incitem violência e preconceito.

Para a população gay de homens maduros ou idosos a homofobia está longe da sua realidade porque reputação e respeito foram os seus conceitos para enfrentar várias discriminações ao longo da vida. A discriminação que essa população está exposta é a homofobia dos próprios gays que discriminam os mais velhos e isso não consta em nenhuma estatística.

Casos recentes mostram que a violência física decorrente da homofobia está mais presente na vida dos jovens do que dos maduros. A razão dessa crescente onda de violência é a mudança comportamental dos jovens que estão se assumindo mais cedo, levando para as ruas a sua liberdade e expressão da sua sexualidade, muito diferente dos jovens dos anos 60 e 70 que viviam confinados em guetos e mesmo assim eram acuados e extorquidos por autoridades, até dentro de ambientes fechados. Eis que um dia eles decidiram enfrentar a situação e então surgiu o episódio histórico de Stonewall.

Cabe aos jovens se preparar para enfrentar a violência e a homofobia, porque só assim prevalecerá os seus direitos. Antigamente não tinha político e gente querendo aparecer para nos defender, portanto, posso concluir que hoje é muito mais fácil combater a homofobia, porque até a mídia televisiva aproveita para abocanhar alguns pontos no IBOPE.

Você não faz idéia como eu gostaria que tivesse alguém ao meu lado num dia qualquer de 1975, quando eu fui abordado por dois jovens na Avenida São Luis em São Paulo querendo me humilhar a qualquer custo por ser homossexual e eu tendo que me defender sozinho, dando e levando porrada, ou, noutro episódio quando um sujeito colocou uma arma na minha cabeça e falou que queria me matar porque achava que eu era gay!

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O futuro do envelhecimento dos gays

Eu sempre acompanho tudo o que acontece na ONG SAGE, uma instituição americana de apoio aos gays idosos, independente do sexo ou gênero.
A SAGE USA transforma ações simples em resultados surpreendentes. Os gays tem uma referência de apoio em diversas áreas. Os seus escritórios funcionam como se fossem centros comunitários e estão sempre abertos ao público. Há um calendário de atividades, sociais, médicas e educativas, além de entretenimento.

Ai eu saio desse mundo maravilhoso da SAGE e volto para o Brasil e o que vejo?

Neste final de semana circulei de carro pela cidade e ontem na avenida paulista eu vi uma manifestação contra a violência e homofobia por conta dos recentes episódios de agressão contra possíveis gays na mesma avenida na semana passada. Os jovens de hoje estão condenados às mesmas violências físicas e psicológicas dos gays dos anos 60, 70 e 80.

Sábado fui ao Clube de Regatas Tietê apenas para ver a movimentação dos Jogos da Diversidade e tive a sensação de que tudo aquilo era surreal. A iniciativa é válida, mas ainda carece de reconhecimento e participação da população gay em geral.

Do outro lado da cidade eu pude observar um morador de rua abandonado e sozinho embaixo de um viaduto. Ele pedia dinheiro para matar a fome. Qual não foi minha surpresa quando ele se aproximou. Foi quando eu percebi que ele era gay.

Há pouco mais de um mês eu acompanhei (de longe) a baixaria durante as eleições da nova diretoria da Associação da Parada SP, onde o empresário e dono da sauna 269, Douglas Dumond queria porque queria tomar a associação à força. Ele também é fundador e presidente da ONG Casarão Brasil que tem nos projetos um abrigo para mendigos gays e gays idosos e que nunca saiu ou sairá do papel.

Os projetos sociais são apenas “fachada” para alimentar o ego desse e de outras pessoas que tem objetivos pessoais de autopromoção. O mundo gay está dividido em camadas sociais e os mais pobres nunca terão acesso a serviços sociais dignos, enquanto os mais ricos usam e usarão os mais pobres para ter visibilidade nas comunidades gays.
O slogan da SAGE – The future of Aging is in our hands, quando trazido para a nossa realidade não tem nenhum sentido prático e torna o futuro do envelhecimento dos gays incerto e muito triste.

A mudança apenas acontecerá quando os gays mais afortunados perceberem que estão velhos e sozinhos ou quando forem acometidos por doenças físicas e psicológicas. Talvez aí eles mudarão o seu comportamento e descobrirão que na velhice ou na doença todos são iguais.

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Gays maduros e as relações conjugays

As relações conjugais entre parceiros geram polêmicas e surpresas, pois há indícios sobre a construção de uma nova instituição familiar – famílias gays.

O reconhecimento jurídico de união homoafetiva entre parceiros e os direitos civis criam novas perspectivas para todos nós.
Se pensarmos em casamento, hoje o que une as pessoas não é mais o dinheiro e sim o afeto e o sexo. Assim o afeto, a atração sexual e o prazer é base na qual se estrutura os matrimônios modernos.

Os gays maduros tendem para as relações estáveis porque na verdade querem uma relação muito próxima dos relacionamentos heterossexuais ou querem viver em ambientes heterossexuais porque chegaram num nível sócio-econômico que não é mais concebível que se viva nos guetos.

A maturidade é um período de consolidação de tudo aquilo que sempre desejamos na vida. Primeiro a carreira profissional, depois a estabilidade financeira e por último uma companhia para compartilhar a vida, preferencialmente, com envolvimento afetivo e sexual.

As relações entre gays têm todos os ingredientes das relações heterossexuais: Fidelidade, amor, carinho, violência, monogamia, traição, relação aberta, ciúmes, etc. – tudo menos filhos, mas isso está mudando e os casais gays já batalham na justiça por adoção de crianças.
Nós não admitimos, mas agimos de forma a querer constituir uma família gay.
Também, os gays que viveram relações estáveis e que perderam os parceiros por morte estão indo à justiça para reivindicar pensão.

Eu já escrevi aqui no blog sobre o direito à cama de casal nos hotéis, porque no meu subconsciente existe o desejo de estar na cama ao lado do meu parceiro, como se nós fossemos marido e mulher, ou melhor, marido e marido.

Na maturidade nos posicionamos na sociedade de uma forma diferente, não queremos ser discriminados ou usados e nos policiamos quanto aos nossos trejeitos para não haver denúncia pública da homossexualidade. Comportamo-nos como homem porque esse é o nosso gênero.
Outra coisa interessante é a rapidez como os gays maduros procuram firmar o vínculo conjugal. Entre conhecer um parceiro para sexo e se firmar na relação muitas vezes não demora nem três meses e as relações se estabelecem sem muitas formalidades. Isso denota uma urgência de viver uma relação amorosa e sexual como se a vida fosse terminar amanhã.

O fato é que, em muitos casos, esses gays maduros, de uma condição de solteiro passam rapidamente para a condição de namoro e quando menos se espera já estão na condição de casado e não tem nem tempo de amadurecer a relação com as regras, acordos, metas e sentimentos.

Outra situação vem com a seguinte frase: “Não teve tesão, então não haverá relacionamento” – Mas nem só de sexo e tesão vivem os parceiros, principalmente na maturidade. Eles esperam segurança existencial, reconhecimento, confiança, reciprocidade e amizade.

É isso ai…..bom final de semana pra você.

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Jogos da Diversidade 2010

Acontece neste final de semana em São Paulo a Virada Esportiva 2010. Dentro da programação está os Jogos da Diversidade. O evento se realiza no Clube de Regatas Tietê, na zona norte da cidade, e tem atrações das 15h do sábado às 5h da manhã de domingo.
Um dos objetivos dos Jogos é selecionar possíveis atletas para o Gay Games e o Out Games, competições internacionais com atletas gays.
Para se inscrever, basta acessar o site do Comitê Desportivo GLS – cdgbrasil. Quem quiser apenas assistir, é só aparecer. A entrada é gratuita, mas a organização pede 1kg de alimento não perecível para ajudar entidades assistenciais.
Anote as informações:

Jogos da Diversidade
Sábado – 20/11 – 15h às 5h
Clube de Regatas Tietê – R. Santos Dumont, 843 – próximo à estação Armênia do Metrô

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Memoria gay dos anos 40

Aqui está mais uma imagem antiga e desta vez dos anos 40.

À primeira vista a imagem não denuncia a cumplicidade dos amigos, mas se você observar bem perceberá que há algo além de uma simples reunião de amigos.

Naquela época eram raras as oportunidades de expor suas relações, principalmente quando envolvia apenas homens.
Eventos como esse eram privilégio dos gays afortunados e de níveis sociais mais altos que tinham a privacidade de suas casas para estar descontraídos e poder registrar imagens como essa.

Deixo para você avaliar a imagem e se quiser registre os seus comentários.

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O Positivismo para os gays maduros

Você já parou para pensar na sua idade atual e como as limitações físicas criam empecilhos nas relações com parceiros?
Nós nos recusamos em aceitar as limitações físicas, mas sem perceber também nos acomodamos e preferimos ficar em casa a se aventurar sair à caça ou à procura por parceiros.

A insegurança é um inimigo invisível e junto com ela tem outros fantasmas da vulnerabilidade emocional. Todos dizem que ficamos mais seletivos, será? ou será que nos tornamos medrosos e negativos?
Isso significa que você já não acredita em carinho, paixão, amor e relação estável. Essas coisas você buscou a vida inteira e até viveu algumas relações, mas com a idade e a experiência de vida chega a ser utópico falar nisso, mesmo para os gays maduros ou idosos que tem parceiros.

O Positivismo de Augusto Comte é um conceito que possui distintos significados e aqui se encaixa apenas o espírito positivo.
Na obra “Discurso sobre o espírito positivo” (1848), Comte explicitou que o espírito positivo é maior e mais importante que a mera cientificidade, na medida em que esta abrange apenas questões intelectuais e aquele compreende, além da inteligência, também os sentimentos e as ações práticas.

Eu acredito ser possível colocar sentimentos nas relações e ainda assim conseguir relações verdadeiras, mesmo que essas durem apenas alguns meses.
Não podemos perder de vista que a vida é uma só e não teremos a chance de vive-la uma segunda vez.

Uma vez gay sempre gay. Renunciamos à nossa sexualidade em prol do que?
Renunciamos a busca por parceiros porque? Renunciamos acreditar ser possível viver boas relações porque? Renunciamos, renunciamos e renunciamos – isso não é ser positivo.

Nós sabemos que sempre existem possibilidades de relações sexuais e daí relações de amizade, companheirismo e afeto, mas na velhice já não somos atirados como antigamente e na tentativa de encontrar parceiros ficamos expostos e vulneráveis, porque quer queira ou não colocamos os sentimentos acima da razão e ai é que acontecem frustrações e a baixa auto-estima se instala.

O Positivismo não é filosofia de vida para a maioria das pessoas, principalmente para os gays, mas o positivismo pode ser incorporado à nossa vida se usarmos uma das variáveis dessa filosofia, a inteligência.
Ser inteligente é ser capaz de perceber todas as nuances da maturidade e velhice gay, filtrar as experiências vividas e se permitir viver relações com parceiros e vivendo relações nos tornamos POSITIVOS com ações práticas.

Escrevi este post porque existe uma corrente de pessoas e formadores de opinião nas comunidades gays que defendem o individualismo, as relações sexuais eventuais, a conquista de bens materiais e a estabilidade financeira como essenciais na vida dos gays, mas eles se esquecem que envelhecemos e nos tornamos invisíveis na sociedade, inclusive, no meio gay. Somos chamados de “tias velhas”, os “cacuras” e os promíscuos das saunas gays que pagam michê para os garotos em troca de favores sexuais.

Eu até concordo que a estabilidade financeira é importante, mas de que adianta ter estabilidade se na falta de um companheiro eu me torne um consumidor voraz para suprir carências emocionais? Daí para o analista e a dependência de remédios é um pulo, sem contar a possibilidade de terminar a vida sozinho e abandonado num asilo.
Na verdade todos os gays querem companheiro e fazem de conta que não se importam ou que isso não é importante – É sim e fim de papo – Seja POSITIVO!