O coroa – um personagem do mundo gay

Sexta-feira passada da janela do meu apartamento eu fiquei observando os frequentadores do ABC bailão que chegavam para a festa e aí me lembrei da minha juventude quando os próprios gays chamavam os mais velhos de “tia velha”.

Muitos ainda usam esse termo, mas percebo ao longo dos anos uma mudança no comportamento social dos gays maduros e hoje a figura do “coroa” é facilmente identificada e ele é o objeto de desejo de uma boa parcela da população gay, por causa da experiência e estabilidade financeira.

O “coroa” é um homem geralmente acima dos 50 anos, com sinais visíveis do envelhecimento: o cabelo grisalho ou calvo, as rugas e os movimentos lentos.
O “coroa” é o gay maduro de modos viris, saudável, bem vestido, sem afetação, que tem saúde, disposição física, apresentação pessoal, bons empregos e dinheiro para frequentar os espaços do chamado “circuito gay”, onde pode encontrar amigos, beber, se divertir e paquerar.

Como os demais frequentadores dos circuitos gays, os “coroas” são os homens que mesmo com idade mais avançada estão ativos sexualmente e se distinguem facilmente devido ao seu comportamento mais reservado.
Isso é um movimento contemporâneo, que muda completamente as concepções do envelhecimento como processo melancólico e decadente dos gays, para uma visão na qual o período que corresponde às últimas etapas da vida seja enriquecido com muitas possibilidades.

Os gays maduros e idosos estão mais soltos, ativos e não querem ser rotulados de “velhos” ou de “tia velha”, porque essa geração sabe muito bem os efeitos negativos desses rótulos, além de todos os preconceitos sociais vividos ao longo dos anos.
Os coroas também percebem os benefícios das transformações sociais no mundo – eles não querem ficar de fora desse momento, como direi: de abertura e mais tolerância aos gays, pois viveram os anos de repressão e reclusão social.

Dessa perspectiva, embora não seja um personagem novo dentro do mundo gay, o
“coroa” percebe no presente as representações recentes e mais “positivas” da velhice e sabem que envelhecer não é tão ruim e enfatizam as vantagens e enriquecimentos que a maturidade gay traz para a vida de todos.

Referências: uma parte do conteudo deste texto foi adaptado do artigo de Julio Assis Simões – departamento de antropologia da USP

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Sobre Regis

58 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 06/10/2010, em Comportamento, Sexualidade e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. 4 Comentários.

  1. acho um saco tratar um homosexual. como , biba,bicha velha ou tia .
    antes de tudo o respeito , chame-o pelo nome é o correto.

  2. Realmente pega mal falar tia velha um coroa homossexual mesmo sendo homossexual é homem e maioria gostam de homens com geito de homem. A mídia distorce muito a imagem de um homossexual seja afetado ou afeminada mas a grande maioria são homens comuns com uma unica diferença em relação ao homem hétero é gostar de homens também.Eu também quando chegar na velhice não vou querer ser chamado de tia velha.

  1. Pingback: O coroa homossexual | Grisalhos

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