E se o seu avô fosse gay?

Você já parou para pensar sobre isso?

O papel do avô na família vai além dos mimos dados aos netos e muitas vezes ele é o suporte afetivo e financeiro de pais e filhos, por isso são identificados como o segundo pai, além de estar ao lado dos seus netos na educação com sua sabedoria e experiência.

Sabe-se que homens predominantemente gays que se casaram por imposição da família ou da sociedade não são felizes na sua sexualidade, exceto os identificados como bissexuais porque estiveram e ainda estão dentro do armário por razões que nem preciso descrever, ou pela própria característica do bissexual que se satisfaz com os dois sexos.

Ao longo da minha vida eu tive contato com muitos avôs gays e sempre ficou a imagem de um cidadão acima de qualquer suspeita. Ouvi muitas histórias de sofrimentos e culpas, principalmente após o casamento dos filhos e do nascimento dos netos. Essas situações e condições criaram amarras que o tempo não conseguiu desatar e ficaram ou ficam condenados à prisão perpétua do relacionamento.

O mais interessante é que não tem volta e é muito difícil generalizar porque cada um tem a sua história. Eu até penso que isso é karma, mas alguns poucos avôs me confidenciaram que após 30 anos de casamento esperavam a morte como uma forma de acabar com aquela “maldição” e ai tanto fazia se a morte fosse dele ou da esposa, porque na velhice ele não teria mais como viver a plenitude da sua sexualidade, bem como, o arrependimento da escolha errada – muitos não me falaram, mas ficou a imagem de uma culpa de “covarde”, não de bravura e coragem, mas da corrupção da prudência.

Obviamente, sabemos que os gays casados sempre contornaram a situação do casamento e criaram condições de manter relacionamentos homossexuais mesmo que efêmeros, para satisfazer a sua sexualidade e minimizar o sofrimento interiorizado.

Recordo-me que apenas um caso me chamou a atenção: Um desses “vovôs” renasceu para a vida após a morte da esposa, porque encontrou na viuvez uma chave para abrir a porta do armário.

Moral da história: conheceu um companheiro e foi viver a sua sexualidade na velhice. Nunca mais ouvi falar dele e já faz mais de vinte anos.
Eu sei que isso não vale como regra e poucos chegam a essa decisão, porque se já é muito difícil assumir-se na juventude, imagine na velhice com filhos e netos?

Concluo existir razões entre o céu e a terra para cada ser humano viver a sua vida da forma que ela é, mas acredito que podemos contribuir para mudar algumas coisas e quem sabe ter um destino com menos sofrimento, porque é muito triste passar pela vida em brancas nuvens, ser espectro de homem e não viver (*)

Portanto, se o seu avô fosse ou é gay, não há nada a fazer a não ser aceitar a sua sexualidade, porque ninguém muda o passado e ele deixou sobre a face da terra os genes da sua descendência que se perpetuarão por muitos anos e até séculos.

(*) referência do poeta Omar Kayan

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Sobre Regis

57 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 25/08/2010, em Relacionamento, Sexualidade e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 5 Comentários.

  1. Se eu descobrisse que meu avô é gay, eu iria fazer sexo com ele todo santo dia. Só nós dois. Quando em família, tudo mais seguro 24hs por dia. Como ele faria para sair por aí, sabendo que eu sei? rsss… Segurança e monogamia garantida até o dia da sua morte. hehe!

  2. Se meu avô ainda fosse vivo. Eu iria sentir o cara mais feliz do mundo ao receber essa noticia.E ia ser otimo conversar com ele sobre o assunto e quem sabe receber seus carinhos e vice versa.

  3. Poxa que legal por favor então se alguém souber me apresente um vovô gay, sou fanático por um cara maduro talvez seja pelo fato de nunca ter avô na vida.Mesmo que seja um avô de aluguel hheheh, avôs de todo Brasil caso queira ter os mimos de um neto por favor me envie um e-mail. Ed hotbrjp@hotmail.com.Grato pela colaboração.

  4. POXA VIDA!!! QUE LEGAL, ADOREI ESSE SITE, SOU HOMOSSEXUAL E MANTENHO RELAÇOES COM UM HOMEM DE 75 ANOS, CASADO, AINDA TEM ESPOSA, VOU À CASA DELE QUASE TODOS OS DIAS, E ELA NEM SABE. ELE ME ADORA E EU GOSTO MUITO DELE, FICO UM POUCO CONSTRANGIDO, PORQUE CONVERSO QUASE SEMPRE COM ELA TAMBÉM SOBRE MUITAS COISAS, E AS VEZES TENHO VONTADE DE DEIXAR E PARTIR PARA OUTRO, MESMO PORQUE EU NÃO POSSO ESPERAR NADA DE UM HOMEM CASADO E COM QUATRO FILHOS E NETOS.

  5. De tudo isso, acho que também acredito numa coisa: “há mais razões entre o céu e a terra para cada ser humano viver a sua vida da forma que ela é” do que podemos compreender.

    Muitas vezes, não fazemos escolhas, mas somos escolhidos e não temos como nos esconder ou fugir delas. A sexualidade é algo muito amplo pra ficar restrita e limitada pelo fato de ser casado, ter filhos, netos. E, como o passar dos anos, se teve a sorte de ter uma família realmente digna desse nome (coisa meio rara, reconheço), a vida certamente terá recompensado nosso vovô gay com muitas outras coisas. Pode não ser verdadeiro que o outro caminho, a vida exclusivamente gay, teria levado a uma vida mais feliz. Novamente… há muito mais coisa que não compreendemos…

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