Gays maduros lidando com separações

Já é tão difícil encontrar um companheiro para viver uma relação, imagine então perde-lo depois de 5, 10 ou 15 anos?

Na maturidade e na velhice tudo é mais difícil. Eu tenho relatos de gays maduros que sofrem muito quando terminam uma relação estável que durou muitos anos. Existem muitas questões envolvidas no processo de separação, diferentemente dos casais heterossexuais, o gay não terá problemas quanto aos filhos, isso se não houve alguma adoção feita pelo casal, aí o problema é resolvido apenas na justiça, bem como situações de bens compartilhados.

Se você já sofreu emocionalmente com uma separação deve saber bem sobre o que escreverei a seguir:

Você encontra um parceiro e sente o tesão. Os encontros ocorrem sem compromisso, para uma conversa, um sexo casual e por aí vai. O envolvimento emocional ocorre lentamente, diferente das paixões avassaladoras e loucas, o tempo passa e você não percebe, tornou-se até dependente do outro.
Aí repentinamente acontece algum fato que estremece a relação e num piscar de olhos tudo termina.

Começa então uma batalha ferrenha que te envolve e te consome. Muitos gays não tem estrutura para lidar com separações e isso depende muito da formação psicológica e emocional de cada um, mas é preciso agüentar a separação, quando necessária, como as árvores toleram a poda. É um erro grave reter conosco um ente amigo que anseia por distância, porque ambos perdem, mas são perdas que se compensam em outras buscas.

O gay maduro já enfrenta tantas problemas porque vive dentro do armário e será muito difícil pensar num recomeço nessa altura da vida.
Quando não suportamos a separação é necessário procurar auxílio psicológico, mas aparece então outro problema:
A maioria dos gays maduros não gosta de se expor publicamente, imagine então se abrir para um psicólogo?

Durante a vida experimentamos vários tipos de perdas e as perdas mais óbvias são perdas de entes queridos por morte, separação ou o fim de um caso de amor.

Maria Helena Matarazzo uma vez escreveu um artigo sobre separações e transcrevo aqui apenas um trecho, pois achei esta leitura muito pertinente e que pode ajudar os gays maduros e idosos no processo de cura:

São muitas as emoções despertadas pela separação. Mas todas elas poderiam ser reduzidas a uma enorme e intolerável dor. A sensação, nessa hora, é de que a dor nunca mais vai passar. No entanto, ela passa, pode acreditar. Mas existem algumas coisas que podemos fazer para atravessar esse processo tão difícil e sair dele mais fortes e mais conscientes.

A primeira providência a tomar quando se perde um amor é aceitar a perda. Durante algum tempo, você pode ficar em estado de choque, acreditando e desacreditando no rompimento. Mas é preciso enfrentar a realidade. A perda é real. Aceite. Você tem forças suficientes para sobreviver a ela. Ela prova que você está vivo e é capaz de reagir às experiências da vida. Sofra por algum tempo.

Pense que todo mundo enfrenta perdas na vida. Essa é uma constatação que ajuda a diminuir o sofrimento, porque a gente não se sente tão sozinho. Saber que existem companheiros nessa trincheira é muito consolador. Mas lembre também que você é muito maior do que a ferida emocional que está sentindo. É claro que a perda fez sua auto-estima diminuir. Você pode estar cheio de culpa, condenação e autocensura, mas esses pensamentos são apenas sintomas da tensão que você está enfrentando. Na verdade, você é um ser humano bom, íntegro e digno.

Saiba ainda que, embora não possa parecer, é da natureza do processo de cura ter um começo, um meio e um fim. E o fim não está tão longe assim. Você vai sarar, a natureza trabalha a seu favor. Só que esse processo leva tempo. Quanto maior a perda, mais tempo passará até o restabelecimento, mas ele virá. É preciso não esquecer que esse processo não é linear, tem idas e vindas, altos e baixos, saltos dramáticos e grandes deslizes. O importante é que ele já está em andamento.

Dedico este post ao meu amigo blogueiro e escritor carioca Kiko Riaze

Desejo um ótimo final de semana a todos os leitores!

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Sobre Regis

58 anos de idade, residente na cidade de São Paulo

Publicado em 06/08/2010, em Relacionamento, Saúde e marcado como . Adicione o link aos favoritos. 4 Comentários.

  1. Kiko, com o passar dos anos ficamos mais sensíveis e realistas quanto às questões de relacionamentos. Perdemos tantas coisas e pessoas durante a vida que aprendemos às duras penas que nada é eterno.
    Sim, acostumamos à casa, as coisas e ao convívio, mas a vida é tão prodiga que nos presenteia com outros momentos maravilhosos e acredite, na maioria das vezes até melhores do que os anteriores.
    Sabe aquela frase: o melhor ainda está por vir? acredite é isso mesmo!

  2. Kiko Riaze

    Oi Regis!
    Poxa, que legal ! Sabe, eu estava preparando justamente um texto quando vi o pigback deste post na minha página.
    Suas palavras foram muito sábias. Esta semana eu andei pensando sobre tudo isso. Não é fácil em alguns momentos, pois há a casa, as coisas, a companhia e o convívio em si…. e imaginar tudo isso desfeito de uma hora para outra causa um certo vazio. Por outro lado, eu compreendi bem o que estava acontecendo entre nós e cheguei à conclusão que você tão bem expôs nesta frase: “É um erro grave reter conosco um ente amigo que anseia por distância”… É realmente gravíssimo!
    Fiquei surpreso e muito feliz por vc ter dedicado este artigo a mim. Ler estas palavras fundamentou tudo aquilo que eu vinha refletindo. Muito obrigado! Beijão! :^)

  1. Pingback: Mais sobre relações estáveis entre gays « Grisalhos

  2. Pingback: A linha tênue entre o amor e a acomodação « Subvertendo Convenções

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